Reitoria contesta universitários que ampliam movimento pela democracia na Unifei

5
Compartilhe.

Estudantes da Universidade Federal de Itajubá do campus de Itabira mantêm a mobilização mesmo com todo aparato repressivo e as tentativas de intimidação. Como exemplo, eles citam o caso de uma mensagem enviada aos alunos por e-mail, recomendando uma série de procedimentos que devem ser evitados pelos servidores nas redes sociais e em manifestações públicas. “Se é uma norma de conduta para os servidores, por que então foi enviada para todos os alunos?”, questiona um estudante do coletivo Democratiza Unifei.

Recomendações feitas aos servidores pelo Programa de Fomento à Integridade Pública

Segundo ele, essas tentativas de intimidar o movimento estudantil acabam por virar uma “bola de neve”. Tanto é que para esta quarta-feira (25), às 12h, eles prometem realizar mais um ato público no espaço do coletivo 4ª Arte.

“Vamos lembrar o aniversário de dez anos do campus de Itabira, ocorrido no dia 22 deste mês e que passou em ‘branco’ pela diretoria, assim como reforçar o nosso protesto pela ausência de democracia”, adianta.

“Quanto mais o reitor se nega a tratar do assunto diretamente com os alunos, explicando a sua decisão contrária à vontade da maioria, mais ele fortalece o nosso movimento”, considera.

Universitários de Itajubá também protestam pela falta de democracia (Fotos: Divulgação)

Uma manifestação conjunta das representações estudantis de Itabira e de Itajubá ocorreu em frente às respectivas salas onde acontecia uma reunião do Conselho Universitário (Consuni), com participação de representantes dos campus das duas cidades.

“A conversa que vazou foi que reitor teria dito não ter nomeado o professor Gilberto Cuzzuol (primeiro colocado na consulta pública) por ele ter feito campanha contra a sua eleição. Foi, portanto, uma escolha política e de retaliação. Desde que houve a democratização do país, pela primeira vez a reitoria deixa de acatar a vontade da maioria expressa em uma consulta pública”, protesta o estudante.

Videoconferência com o reitor

De acordo com o mesmo estudante, em uma reunião realizada por videoconferência com as representações estudantis de Itabira e Itajubá na sexta-feira (20), o reitor Dagoberto Alves de Almeida reforçou a sua posição, expressa também em nota divulgada nessa segunda-feira (23). Reafirmou, na ocasião, ser sua a prerrogativa de escolher o diretor a partir de uma lista tríplice.

“Dagoberto nos deve essa explicação pessoalmente aqui em Itabira. Não dá para ficar comunicando com a gente por meio de videoconferência, de postagem no site da universidade e por memorandos”, contesta o universitário.

Mais protestos estão programados para o campus de Itabira e também de Itajubá

“O que ele nos disse para justificar a nomeação foi que os professores nomeados estão mais afinados com a política da reitoria, o que facilita a boa administração do campus de Itabira, por haver mais sintonia. Mas isso não nos convence”, assegura o estudante.

Em reunião com os professores José Eugênio Lopes de Almeida e Élcio Franklin Arruda, nomeados pela reitoria para os cargos de diretor e vice-diretor do campus de Itabira, os representantes dos estudantes disseram que nada há contra eles pessoalmente.

Asseguraram que os protestos irão continuar pela falta de democracia na Unifei. “Nos foi dito que estamos desrespeitando o professor Eugênio, o que não é verdade. Estão querendo desvirtuar a nossa luta, que é pelo retorno da democracia em nosso campus, o que havia anteriormente.”

Em nota, reitoria justifica escolhas em nome da “boa governança”

Uma nota emitida na sexta-feira (20) pela secretaria de Comunicação da Unifei sustenta que a nomeação dos professores José Eugênio Lopes de Almeida e Élcio Franklin Arruda para os cargos de diretor e vice-diretor do Campus de Itabira, mesmo figurando em segundo lugar na consulta pública, está de acordo com a prerrogativa do reitor, respaldado pela Lei federal 9192/95.

“Tanto é verdade que a Consultoria Jurídica do MEC (Conjur) já se debruçou sobre o tema por meio do parecer no 89/2013/CONJUR-MEC/CGU/AGU, o qual, no inciso II, alínea 11, esclarece: ‘Observe-se que nos termos da norma de regência da matéria, a lista tríplice elaborada pelo colegiado da instituição apenas subsidia a escolha da autoridade que detém a competência para a nomeação, não tem, portanto, a referenciada lista o condão de impor qualquer nome àquela autoridade’.”

De acordo com a nota, se não fosse assim, não haveria nem mesmo a necessidade de se ter uma lista. “Portanto, à luz dessa legislação, a lista tríplice possibilita que os ocupantes de cargos comissionados sejam ‘pessoas de absoluta confiança das autoridades superiores” (alínea 18 do mesmo parecer)’.”

“Nesse sentido”, prossegue a nota, “o reitor, na condição de autoridade máxima da Universidade, agiu – salienta-se uma vez mais – respaldado estritamente em base legal, a qual lhe possibilita escolher aquele que ele entende ser o mais adequado para auxiliá-lo na gestão do campus avançado. Entende também que, no interesse institucional, se assim não fosse, haveria risco de prejuízo à boa governança da Universidade como um todo.”

Sobre o Autor

5 Comentários

  1. Mauro Andrade Moura em

    Com tantos já com curso superior e outros mais ainda cursando cursos para o ensino superior e não conseguem um mero e bom diálogo entre as partes.
    Achava eu, que não tenho curso superior porque antigamente quase não havia universidades pelo Brasil fora, com a chegada do século XXI seria mais fácil de se viver.
    Ledo engano…

  2. Bem há que se levar em conta os interesses que estão a nortear a atual direção da Unifei de Itajubá que, certamente não vai ao encontro dos desejos da classe estudantil. Diga-se de passagem, difusos.
    Até porque, sendo eles, o alunos, a razão de todo o esforço que se deveria ter no sentido da unificação do bom funcionamento da Unifei/Itabira, como bem dizem, em nome da tal “governança” professada pela reitoria.
    Estou entendendo que cabe uma intervenção neste caso, com vistas a uma transparência nas ações e atitudes pouco esclarecedoras, até então.

  3. José Sebastião Gomes em

    É fácil ver que esses estudante querem tanto mudanças mas não leem nem sequer o regimento da universidade em que estudam. Lá esta mais que claro que fazem uma consulta publica mas quem realmente decide que irá ocupar o cargo é o reitor.
    Só por que a anos atrás a consulta publica foi a mesma que a escolha do reitor, agora querem forçar o mesmo, só que esqueceram que não são a maioria efetiva que foi na votação.
    Caros universitários que invés de estarem qualificando para o futuro, estão pregando algazarras atrapalhando os outros estudantes, como o meu neto que quer formar no tempo certo e ter exito no mercado de trabalho.

  4. “Art. 3º – A UNIFEI tem por missão: […]
    I. Liberdade de ensino, pesquisa e extensão, bem como de divulgação do pensamento, da arte e do saber;
    II. Pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas;
    III. Gestão democrática;
    [..]
    IX. Compromisso com a ética, a liberdade e a democracia.”

    O processo de nomeação, mesmo aparado pela lei, não condiz com a missão da nossa universidade, que está também no estatuto da UNIFEI.
    Sou aluna do ultimo ano, formarei regular e acredito que um bom profissional não deve ser uma pessoa passiva, devemos lutar pelo que acreditamos. Nenhuma atividade acadêmica foi prejudicada pelo movimento.

    OBS: Notas não definem o profissional que você será no futuro, muitos gênios da nossa geração nem se formaram.

Deixe um comentário