Reitor desconsidera consulta e nomeia segundo colocado para dirigir campus da Unifei em Itabira

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A crise instalada no campus da Unifei em Itabira se agravou nesta quarta-feira (18) com a publicação de um memorando do reitor da Universidade Federal de Itajubá, professor Dagoberto Almeida Alves, nomeando o professor José Eugênio Lopes de Almeida, de seu grupo político, para a diretoria-geral do campus local. Para a vice-diretoria foi nomeado o seu companheiro de chapa, professor Élcio Franklin Arruda.

Professor Dagoberto nomeia segundo colocado para diretor do campus de Itabira (Fotos: site da Unifei e Carlos Cruz)

A nomeação do professor José Eugênio Lopes, que estava como diretor interino, atropela e desconsidera os resultados de uma consulta realizada para a escolha do diretor-geral, cargo que ficou vago em dezembro do ano passado com as renúncias do ex-diretor Dair José de Oliveira, e também do ex-diretor-adjunto Márcio Tsuyoshi Yasuda.

Na ocasião, eles não concordaram com a proibição da reitoria para que se fizesse uma consulta popular sobre a proposta de dividir o campus local em diretorias acadêmicas (leia aqui e aqui).

Segundo informações, é a primeira vez que a reitoria nomeia a diretoria do campus sem considerar o resultado da consulta popular. “Não foi um ato democrático e só confirma o caráter ditatorial que vem assumindo a reitoria com relação ao campus de Itabira”, considera um universitário, revelando o clima predominante entre os alunos. Ele pede para não ter o seu nome revelado. “O clima está tenso e retaliações podem ocorrer”, teme.

Professor José Eugênio, diretor nomeado da Unifei

“Saiu também uma portaria proibindo manifestações no campus. Mas devemos desobedecer e amanhã iremos ocupar a diretoria, para tentar reverter essa nomeação que vai contra a vontade popular”, disse o estudante. “Vamos fazer uma manifestação pacífica para que a reitoria e a cidade de Itabira fiquem sabendo de nosso descontentamento e do autoritarismo crescente em nossa universidade.”

Saiba mais sobre a crise na Unifei

Em carta aberta à comunidade acadêmica, os professores Dair José de Oliveira e Márcio Tsuyoshi Yasuda expuseram os motivos que os levaram à renúncia da direção do campus de Itabira, cujo mandato só expiraria em 21 de junho de 2019.

Foi quando explicitaram as dificuldades que estavam encontrando para implementar o projeto universitário de Itabira, assim como a perda gradual de autonomia que vinha ocorrendo da direção do campus local.

Professor Dair de Oliveira, ex-diretor

Na carta, embora tenham lamentado a descontinuidade de importantes ações em curso, os ex-dirigentes da Unifei reiteram a confiança na consolidação da instituição universitária em Itabira.

Para eles, é importante que a universidade se “mantenha no propósito de contribuir de maneira destacada para a diversificação econômica de Itabira e região, motivo pelo qual este campus foi aqui implantado.”

Embora lamentem a possível descontinuidade de importantes ações que se encontram em curso, os ex-dirigentes da Unifei reiteram “a confiança na consolidação de nossa instituição, que deve continuar com a sua missão de contribuir de maneira destacada e efetiva para a diversificação econômica de Itabira e da região.”

Crítica da razão crítica

Quase dois meses após a crise ser instalada com as renúncias em Itabira, no início de fevereiro, o reitor Dagoberto Alves de Almeida rompe o silêncio em uma longa postagem no site da universidade (leia aqui).

Sob o título O abandono de cargos no campus da Unifei-Itabira, Dagoberto classifica as renúncias como sendo um fato grave. E critica o vazio de poder ocasionado pelo “abandono” dos cargos pelos ex-diretores, o que poderia, segundo ele, ter acarretado prejuízos à universidade.

Em tom irritado e provocador, rebate as “inconsistências” apontadas pelos renunciantes. “A gravidade dessa ação (a renúncia, ou o abandono, como quer o reitor) é algo sem precedentes, que mancha a história centenária de nossa querida Unifei.”

Sobre o Autor

1 comentário

  1. Parece, parece não, é coisa do tempo da ditadura militar. Não havia eleição diretas com votos de professores, estudantes e funcionários. A regra era um colegiado de cada Universidade Federal apresentar uma lista quíntupla e o general-ditador que presidia o Brasil escolhia aquele que melhor se encaixa na ideologia do golpe que vivíamos.

    Hora de sair do armário para a Luta. Professores, agora é a vez de vocês. Estudantes, façam o ME virar ME pra valer. Funcionários, cumpram seu papel, que é também de zelar pela democracia na Universidade.

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