Reforma “meia-colher” deixa Memorial Carlos Drummond de Andrade com infiltrações de água da chuva

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Depois de passar por uma pequena reforma no final do ano passado, com pintura interna e externa, troca da rede elétrica, entre outros reparos, ficou sem solução o antigo problema de infiltração de água de chuva em vários pontos do Memorial Carlos Drummond de Andrade. A água fica acumulada na calha e escorre pelas paredes, com sérias ameaças ao acervo do monumento dedicado à preservação da memória do poeta itabirano.

Infiltração de água de chuva já compromete a nova pintura interna do Memorial (Fotos: Carlos Cruz)

O memorial é um projeto do arquiteto Oscar Niemeyer. Foi inaugurado em 31 de outubro de 1998 pelo ex-prefeito Jackson Tavares (1997/2000), com recursos repassados pela empresa Vale, após a sua privatização.

Desde então apresenta esse problema de infiltração, que não foi corrigido com a reforma, o que já tem comprometido parte da pintura interna.

Segundo um técnico ouvido pela reportagem, o problema está no “caimento” do telhado, que deveria ser de dez centímetros e só tem cinco centímetros. É o que, segundo ele, faz a água empoçar e escorrer pelas paredes em vários pontos, principalmente na cozinha.

Drenagem

A reforma “meia colher” também não solucionou o problema que se acarreta por não ter como drenar a água do espelho existente em frente ao Memorial. Primeiramente, alguém teve a ideia de soterrar o espelho com terra para no local introduzir um jardim.

As infiltrações permanecem, com grave risco ao acervo memorialístico

Essa intervenção foi abortada tão logo teve início. Prevaleceu o dever de não descaracterizar o projeto original, abandonando-se essa infeliz ideia.

Porém, não foi dada solução para o escoamento e a troca periódica da água. Sem essa renovação, a água fica parada com o risco de virar foco do mosquito da dengue.

O custo dessas intervenções no Memorial não foi especificado. Foi incluído no contrato da reforma do Parque Natural Municipal do Intelecto, orçado em R$ 579,1 mil.

A execução da intervenção ficou a cargo da construtora Hura, sob a supervisão, acompanhamento e fiscalização da Secretaria Municipal de Obras. Mas o projeto da reforma é de responsabilidade da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que administra a unidade de conservação onde o monumento foi construído.

Correções serão feitas, assegura secretário de Obras

Ronaldo Lott Pires, secretário municipal de Obras, reconhece que a solução para esses dois problemas ficou pendente na reforma. Mas ele não atribui à falta de declividade adequada do telhado como causa do acúmulo de água na calha, o que ocasiona a infiltração pelas paredes internas do Memorial.

Lâmina d’água não tem entrada e nem saída: risco de proliferação do mosquito da dengue

Segundo ele, acreditou-se que as infiltrações seriam eliminadas com a limpeza da calha. “Retiramos mais de cinco sacos cheios de folhas seca da calha, que é bem dimensionada, mas o problema persistiu. Vamos estudar uma solução definitiva”, promete.

O cumprimento da promessa de resolução já está atrasado – e deveria ter ocorrido com a reforma. “Não detectamos problema no telhado, que obedece às especificações do projeto de Niemeyer. É uma telha galvanizada, sem emendas”, explica.

“Não creio que as infiltrações sejam decorrentes do pouco caimento do telhado e nem está na calha. Vamos descobrir como acabar com as infiltrações”, foi o que disse o secretário no início da reforma do Memorial, em outubro do ano passado. Leia mais aqui.

Na mesma reportagem publicada neste site, foi também anunciado que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente desistiu de fazer um jardim no espelho d’água. Mas a reforma também não deu jeito para a água entrar e sair com facilidade.

Chegaram a soterrar a lâmina d’água com terra para um jardim: ideia infeliz

Isso por não ter incluído um sistema de drenagem eficiente e prático para o espelho d’água, problema que se arrasta sem solução desde a inauguração do monumento.

Em decorrência, a água fica parada e é ameaça de proliferação do mosquito da dengue. Para isso não ocorrer, funcionários do Memorial fazem a troca da água por meio de baldes e mangueiras.

O secretário diz que será conferido se esse complemento de obra está especificado no contrato da reforma. Se estiver, assegura que irá cobrar solução da construtora.

Mas se não estiver, será encontrado um meio de drenar a água parada até a rede de escoamento, assim como se dará jeito de captar água nova para o espelho. “Vamos ver com a Fundação (FCDDA) o que é mais adequado. Com certeza, não pode ficar como está”, promete, mais uma vez, Ronaldo Lott.

 

 

 

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2 Comentários

  1. O senhor Ronaldo Lott Pires secretário Municipal de Obras não está tendo um bom desempenho em suas funções e nem a secretária Priscila Martins da Costa. Aparentemente existe um problema de falta de competência pois uma reforma como essa sem grandes desafios não deveria ter problemas não sanados pós reforma.
    Falta destreza, aptidão para avaliar algo com sensatez e clareza.
    Funcionários com atuação medíocre devem ser dispensados… ou são tolerados, talvez pq não possam ser dispensados.

  2. Um prédio tão jovem e já decaído!!!!!!! Seria preciso rever todo o projeto e posso garantir que se tivesse sido construído pela empresa do Oscar Niemeyer, não estaria em decadência. Itabira é uma cidade sem brilho porque a Cidadezinha foi vendida em 1911 pelo Sindicato de Belo Horizonte (os donos de 2 minas, todos de Itabira) aos ingleses e claro eles vazaram da Itabira do Matto Dentro, pra não viver na merde urbanística.

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