Reflexo de casa arrombada, Cruzeiro amarga queda para a série B nunca vivida pelo gigante da Pampulha

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 Luiz Linhares*

“Um dia a conta chega”. Essa foi uma das frases mais ouvidas nos últimos meses em se tratando da trajetória do Cruzeiro no Campeonato Brasileiro. O torcedor na rodada final entoou coros com nomes de nomes presentes neste ano no seu comando, como o presidente Wagner Pires, o antes tão poderoso Itair Machado, e o atual Zezé Perella, entre outros.

Nas sete últimas partidas o time celeste o time celeste não obteve uma só vitória. Mesmo assim o Cruzeiro foi à última rodada ainda sonhando com a possibilidade de se salvar, mantendo-se entre os vinte principais clubes de nosso país.

O dia 8 de dezembro fica marcado como o dia mais triste de um clube quase centenário. Foi o dia do rebaixamento oficial de um time milionário que se perdeu ao longo do ano. E que não teve força para reagir, mergulhou-se em problemas, acumulando estratégias erradas, erros de gestão, vivendo uma situação de barco em deriva.

Nunca se viu na história deste clube um time tão sem alma, sem padrão, sem qualidade. Verdade que tinha em seus quadros atletas que foram vencedores no passado em outros clubes. E que sei lá o real motivo esqueceram como se joga bola, ficando apenas no esforço de se fazer algo, sem folego e qualidade.

Não se tem nada a justificar. Foram dezesseis derrotas, quinze empates e apenas sete vitorias. Quase um turno completo somente de derrotas. Daí que o caminho era mesmo a série B e assim foi.

Culpo o técnico Mano Menezes por muitas vezes colocar time reserva simplesmente para resguardar este ou aquele atleta, para a a disputa na Libertadores ou na Copa Brasil.

Culpa também tem a diretoria por fazer contratações equivocadas, pagar salários astronômicos e tantas outras barbáries que agora veem à tona.

Tudo isso é reflexo de casa arrombada. Um time que sempre foi sinônimo de pujança, de causar inveja a tantos clubes de primeira linha, por tantas conquistas que resultam, até aqui, em uma história vencedora.

Começar de novo é o que resta. E reescrever um capitulo em que o torcedor volte a aplaudir o clube de pé ou invés de depredar tudo que se vê pela frente.

Que surja um novo Cruzeiro, de um azul mais brilhante e imponente, é o que se espera, para o bem do futebol brasileiro e de Minas Gerais.

Comemorar a queda do rival é triste para o Atlético que também não teve um bom campeonato

Jogadores do Inter comemoram gol de virada contra o Atlético já na prorrogação (Foto: Ricardo Duarte/SC Internacional). No destaque, torcedores sofrem com queda do Cruzeiro (Felipe Correia/Estadão)

Por outro lado, o Atlético se tem algo a comemorar é a permanência nesta elite do futebol brasileiro. Nada mais. O clube alvinegro também foi derrotado em quase um turno de disputa, com dezesseis derrotas.

Por sorte teve 13 vitórias e encerra sua participação nessa mesma escala. Como “consolo”, vai mais uma vez ter a oportunidade de tentar uma Copa Sul-Americana no ano que vai chegar.

Encerrou o ano deixando escapar uma vitória fora de casa nos momentos finais do jogo. Nada de novo em campo, pois foi algo que aconteceu em muitos jogos deste ano.

Além de um time mais qualificado é necessária uma melhor condição para se manter forte nos noventa minutos da partida, o que nada disso se viu ao longo da disputa.

É preciso contratar com mais qualidade, para se ter uma boa base e planejar melhor o ano. É o que o atleticano espera para o que vem pela frente, ainda mais agora que é o nosso único representante na elite do nosso futebol.

Arrumar a casa com calma já é meta prioritária para este mês de dezembro. Para isso precisa contratar um treinador qualificado, assim como ter um nome forte na direção do futebol. Que o Atlético possa plantar bem com vistas a uma colheita farta em todo o ano que vai chegar.

*Luiz Linhares é diretor de Esportes da rádio Itabira-AM

 

 

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