Reação da Prefeitura de Itabira às críticas de Sidney “do Salão” foi considerada desproporcional pelos vereadores

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A nota divulgada pela Prefeitura em repúdio à manifestação do vereador Sidney “do Salão” Marques (PTB) pela rede social, foi considerada arrogante, intempestiva e fora de propósito pela maioria dos edis itabiranos, na reunião ordinária dessa quinta-feira (18).

Na manifestação, o vereador petebista denunciou a precariedade das estradas rurais, o que teria impedido a ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de chegar até a comunidade rural do Gomes, depois de atolar no barro. A presença do Samu havia sido requisita para atestar o óbito de um idoso daquela localidade em decorrência de contaminação pela Covid-19.

Vereador Sidney “do Salão” fez críticas ao governo municipal na rede social e recebeu dura resposta da Prefeitura (Fotos: Carlos Cruz)

Em resposta ao posicionamento da Prefeitura, que o acusou de fazer política com o caso, o vereador leu uma nota na reunião da Câmara. “Em nenhum momento acusei o prefeito pelas precárias condições das estradas rurais e muito menos pela morte desse senhor”, sustentou o vereador, que prosseguiu:

“Apenas chamei atenção para os problemas causados pelas chuvas, uma situação sazonal, mas que deveria por isso mesmo ter merecido uma ação emergencial da Prefeitura. Ao fazer a postagem, fui acusado de fazer política”, criticou o vereador, como se fazer política não fosse uma missão do vereador, que deve acompanhar e fiscalizar os atos e as omissões do executivo municipal.

“O que disse, eu reafirmo: já é tempo de a administração municipal cuidar desses pontos críticos, para que situações como essa não voltem a ocorrer, sob pena de vir a acarretar mortes na zona rural por falta de socorro”, disse o vereador, que agradeceu a solidariedade que recebeu na rede social – e também de seus colegas de vereança.

“A nota da Prefeitura incitou parte da imprensa contra a minha postagem”, protestou. “A Constituição Federal define o vereador como agente político, portanto, o que fazemos é política”, destacou o vereador, em resposta aos que o criticaram por sua postagem na rede social.

Falta de diálogo

O vereador aproveitou também para reclamar da falta de resposta da Prefeitura aos seus ofícios, encaminhados por meio da Secretaria de Governo. “São muitas questões que precisam ser resolvidas na cidade. E se queremos ajudar, não obtemos respostas. As pessoas querem mudanças na política e esta Câmara mudou. Não vamos ficar calados.”

Vetão, presidente da Câmara e correligionário, também não gostou da resposta da Prefeitura às críticas do vereador

.A manifestação do vereador Sidney “do Salão” teve apoio da maioria dos vereadores. O vereador Bernardo Rosa (Avante) foi enfático ao citar a independência dos poderes. Ele disse também que aguarda respostas aos seus ofícios encaminhados ao governo municipal.

“Aguardo retorno aos ofícios que encaminhei à Prefeitura sobre o presidio e a precariedade dos ônibus da Cisne, que não têm elevadores funcionando para quem precisa.”

Já a vereadora Rosilene Félix (MDB) citou as ameaças ao Estado Democrático de Direito, com os ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Ela considerou a nota do prefeito como um cerceamento à liberdade de manifestação do vereador no uso de suas prerrogativas. “O nosso trabalho é sério e precisa ser respeitado.”

Até o presidente da Câmara, vereador Weverton “Vetão” Andrade (PSB), que apoiou a eleição do prefeito, não gostou da nota da Prefeitura repudiando a manifestação do vereador na rede social.

“Cumprimento o Sidney pela coragem e posicionamento. É assim que vamos tornar a nossa cidade melhor. Para isso, precisamos reforçar a independência dos poderes, com responsabilidade e respeito”, disse ele, que não deixou de alfinetar a administração anterior por deixar no abandono a maioria das estradas vicinais.

“A Prefeitura não pode distribuir uma nota pública para dizer que o vereador está fazendo política quando cobra solução para um problema, como é a questão da manutenção das estradas. Fique aqui o meu repudio a esse posicionamento”, solidarizou-se

Júber Madeira, líder do governo, defendeu as prerrogativas do vereador de criticar e apontar erros da administração municipal

O líder do governo na Câmara, vereador Júber Madeira (PSDB) foi outro que não aprovou a nota da Prefeitura. “Esta casa tem que ser respeitada pelo prefeito Marco Antônio e por todos os seus secretários.”

“Na condição de líder, jamais permitirei que o governo imponha censura a atos dos vereadores, relativos aos problemas que temos a obrigação de acompanhar e fiscalizar”, disse ele.

Mas Madeira ressaltou que, com menos de 50 dias de sua posse, a nova administração não pode ser responsabilizada pela precariedade dos mais de 2,5 mil quilômetros de estradas vicinais existentes no município.

“É um trabalho difícil e árduo. Essa precariedade atinge comunidades sofridas que precisam de investimentos urgentes.  Esse é um dos compromissos do governo, que é de resolver esses problemas, que não são poucos.”

Outro lado

Em seu pronunciamento semanal pela rede social, nessa quinta-feira (18), o prefeito Marco Antônio fez menção ao entrevero que ocasionou a resposta da Prefeitura à manifestação do vereador.

“Lamentamos o ocorrido. Reafirmo o meu respeito pela Câmara e pelo vereador Sidney “do Salão”, que tem um projeto social belíssimo”, ressaltou o prefeito que, no entanto, classificou de infeliz a sua postagem na rede social.

“Ele (o vereador) fez uma abordagem como se o governo atual fosse responsável pela morte do senhor Frederico (da comunidade do Gomes). Temos a esclarecer que essa situação das estradas vem desde o ano passado, quando não teve ‘conservas’ para dar manutenção e quem é do campo sabe disso”, frisou o prefeito.

Segundo ele, a Prefeitura está fazendo um completo diagnóstico das condições das estradas vicinais. “Estamos ajustando orçamento para investir nas estradas rurais de Itabira assim que passar o período chuvoso. Antes, vamos investir emergencialmente para não deixar as pessoas ilhadas”, assegurou.

“Como morador da zonar rural já presenciei mortes por falta de assistência em decorrência de problemas nas estradas. É inadmissível que se morra na zona rural por não se ter acesso à essas localidades quando chove”, reconheceu.

 

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