Quedas de energia prejudicam abastecimento na cidade e moradores reclamam da qualidade da água

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Mesmo com as chuvas caindo mais que o esperado, tem faltado água em vários bairros. E não é por falta do precioso líquido que, mesmo tendo o Saae declarado estado de racionamento no ano passado, não tem faltado nos mananciais que abastecem a cidade.

Leonardo Lopes, presidente do Saae. No destaque, a região de Itabira prejudicada pela queda de energia na ETA Gatos (Fotos: Carlos Cruz)

Segundo a autarquia, as manobras para distribuição da água têm sido prejudicadas pelas sucessivas quedas de energia não programadas, justifica o presidente do Saae, Leonardo Lopes. Foi o que ocorreu nessa segunda-feira (14) com a queda de energia nas Três Fontes, no bairro Pará, o que impediu a captação de água para distribuição.

Em consequência os moradores dos bairros abastecidos por esse sistema (Pará e Centro), que não contam com grandes reservatórios, ficaram praticamente toda segunda-feira sem água. E quando retornou, chegou às residências com uma cor amarela.

Essa coloração amarelada tem ocorrido recorrentemente, o que tem assustado os moradores, que questionam a qualidade do tratamento realizado pela autarquia.

ETA Gatos

Na terceira-feira (15), com outra pane elétrica dessa vez na Estação de Tratamento de Água (ETA) Gatos quem saíram prejudicados com a falta de água foram os  moradores dos bairros Campestre, Bela Vista, Nova Vista, Nossa Senhora das Oliveiras, Eldorado, São Francisco, São Pedro, vilas Cisne e Paciência, Centro e Cinco, Cidade Nova e Santa Inês.

A situação foi normalizada na tarde de ontem, com o restabelecimento da energia pela Cemig. Mas o acidente também causou grandes transtornos aos moradores.

Água amarelada é reação do cloro com ferro e alumínio, diz diretor do Saae

Embora não seja recorrente a falta de água nos bairros Pará e Centro, a preocupação é com a qualidade do insumo fornecido aos moradores. Eles reclamam que a água tem chegado às residências com uma coloração amarela – e sabor nada agradável. “As roupas brancas estão encardidas e não há nada que as façam clarear”, protesta uma moradora, que já fez registro de reclamação junto à autarquia.

Moradora do bairro Pará reclama da qualidade da água amarelada

Outro morador conta que a solução foi colocar filtro antes de a água chegar à caixa d´água. “A limpeza desse filtro tem que ocorrer todo mês. Uma mistura de terra com outras substâncias formam uma camada pastosa, que preocupa.”

Para o presidente do Saae a cor amarela tem várias explicações. Uma delas é que isso ocorreria ao religar o bombeamento de água após a queda não programada de energia. É que, segundo ele, os resíduos acumulados na rede de abastecimento sedimentam e com o retorno da água seguem para as residências. “É uma situação residual, ocasionada pela queda de energia não programada.”

Só que essa coloração amarelada tem sido recorrente. Um dos motivos, diz um antigo morador do bairro, se deve ao fato de o Saae ter desativado, na administração passada, a ETA do Pará. Com isso, a água das Três Fontes passa por um tratamento simplificado, somente à base de cloro, sem clarificação como ocorre nas outras ETAs.

Leonardo Lopes não concorda. Segundo ele, a simplificação do tratamento ocorre justamente pela excelente qualidade da água das Três Fontes, captada de seis poços profundos, com mais de 100 metros de profundidade. “O tratamento simplificado, pela qualidade dessa água, é suficiente”, assegura.

Outra explicação, de acordo com o diretor-técnico do Saae, Jorge Borges, é de que essa coloração costuma ocorrer pela ação do cloro com micropartículas vegetais, minerais e biológicas. É esse material, segundo ele, que acaba retido nos filtros residenciais.

Filtro de uma residência no bairro Esplanada da estação coberto por um material pastoso

“Fica parecido com um gel”, compara o diretor-técnico ao rebater a suspeita de um morador, dessa vez do bairro Esplanada da Estação, de que esse material poderia ser consequência de contaminação por graxa e óleo, no caso da água captada nas áreas da Vale.

“Isso não ocorre, até porque não estamos mais captando água da barragem do rio de Peixe, mas diretamente de poços artesianos na mina Conceição”, assegurou Jorge Borges quando questionado em reportagem anterior deste site (leia aqui). A captação para tratamento na ETA Rio de Peixe é um reforço da ETA Pureza, que abastece mais da metade da população itabirana.

Conforme ele explica, o cloro adicionado à água tem função bactericida e oxida a matéria orgânica nela contida. “O efeito não afeta a qualidade da água”, assegura. “Ao contrário”, diz, “é o que garante a sua potabilidade”.

Já a cor amarelada da água das Três Fontes do Pará, famosa até no hino da cidade, Jorge Borges atribui também à ação do cloro, dessa vez em reação com o ferro e o magnésio contidos nessa água captada de poços profundos.

“É na queima desse material pelo cloro que a água adquire essa cor”, explica, reconhecendo se tratar de uma situação desagradável e a população fica preocupada. “Mas não causa dano à saúde”, assegura.

Para amenizar o problema, ele conta que o Saae identificou os poços que se apresentam com maior volume de resíduos de ferro e magnésio. ”Passamos a captar água dos poços onde a incidência é menor.”

Classe especial

Ainda segundo Borges, a qualidade da água captada dos poços profundos é a mesma encontrada no santuário do Caraça ou em alguns ribeirões da Serra dos Alves, Ipoema e Itambé. “É uma água de classe especial. Tem cor de coca-cola”, compara.

Pode até ser, mas as reclamações são recorrentes. E não é para menos. Afinal, além das roupas brancas que têm ficado encardidas, moradores também reclamam do sabor, que não deveria existir.

E também da sensação de falta de higiene, por exemplo, após o banho. “No vaso sanitário fica a impressão de que alguém fez xixi e não deu descarga. É muito desagradável”, afirma uma das muitas moradoras que já fizeram reclamações junto ao Serviço de Atendimento ao Consumidor do Saae.

 

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