Que país é este que não se cuida na pandemia e que futebol é esse que jogaram os times mineiros no final de semana

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Luiz Linhares*

Para os times mineiros foi um final de semana para ser esquecido. O que se viu foi um futebol sem qualidade, jogado sem motivação enquanto a pandemia vai se alastrando a quatro cantos do país.

Que país é este?, já perguntou ex-governador biônico da ditadura militar em Minas Gerais Francelino Pereira, quando as oposições, em 1976, não acreditaram na promessa do presidente Ernesto Geisel de realizar eleição direta para governador em dois anos.

E realmente não cumpriu. Em 1978, o ditador militar fechou o Congresso Nacional, prorrogou o mandato dos governadores para seis anos e decidiu que um terço do senadores seriam “biônicos”, como Francelino, indicados pelo presidente militar.

A frase depois ficou famosa com o roqueiro Renato Russo. E é o caso de novamente perguntar diante do descaso de muitos para com a pandemia que volta com força em todo o país e no mundo. Que país é este em que as pessoas não se cuidam e não se preocupam com a saúde do próximo?

Que venham então todas as vacinas cientificamente eficazes que possam chutar para bem longe esse novo coronavírus. E que não volte mais.

Já no mundo dos gramados mineiros, é o caso então de se perguntar: que futebol é esse que vimos no final de semana?

Luto no futebol e emboscada inaceitável

Muito triste e trágico o acidente aéreo que vitimou atletas do Palmas de Tocantins e o seu próprio presidente. Já ouvi dizer que o raio não estoura no mesmo lugar. Os atletas se livraram da covid19 e morreram no acidente. Aqui nos resta lamentar e desejar forças para aqueles que aqui se encontram.

Foi inaceitável a emboscada contra o ônibus do São Paulo realizada por seus próprios torcedores. Se a moda pega, é de se lamentar mais ainda. Nem é bom imaginar algo parecido.

Tomara que desta vez os culpados, ou marginais, sejam realmente punidos. Não se pode mais aceitar os desmandos e a não penalização por essas e tantas outras barbáries que estamos sempre acompanhando. Punição forte é o que se espera. Ganhar e perder faz parte do jogo, fora isso, tudo inaceitável.

Galo apático vê o Vasco vencer e perde mais uma chance de voltar a brigar pelo título

Aumenta pressão no Atlético e Sampaoli já não é unanimidade pela queda de rendimento do único representante mineiro nesta temporada na série A (Foto: Bruno Cantini/Divulgação). No destaque, charge de Maurício Rocha)

Mas voltando aos gramados, o fim de semana foi um show de horrores dos mineiros. O Atlético mais uma vez esteve na cara do gol, mas perdeu sucessivas chances de balança as redes e sair para o abraço.

Nos bastidores do Galo vejo como a política de Itabira: quem está dentro tenta algo, quem está fora torce contra. Parece que o fracasso de um gera o prazer do outro.

Em campo o que se viu foi o time mineiro ser envolvido pelo Vasco da Gama, que luta para não cair para a série B. Foi o fim da picada, perdendo-se mais uma outra grande chance de voltar forte para brigar pelo título.

Faltou a raça que sempre prevaleceu nos times atleticanos, um time com sangue nas veias, guerreiro e se jogando por completo. Mas não foi o que se viu nesse sábado (23).

Que o treinador ganhe mil ou milhões, que então faça por merecer, fazendo o time jogar com os talentos que tem. É preciso ser cobrado por resultados e conquistas.

Justificativas e lamentos não bastam, já se esgotaram. Foi mais uma chance perdida, para frustração da massa atleticana.

Só mecenas que vestem a camisa azul podem salvar o Cruzeiro na próxima temporada 

Felipão já não é mais técnico do Cruzeiro e time celeste tem crise sem fim (Foto: Pedro Aleixo/Divulgação)

No Cruzeiro o balaio de gatos é cada vez maior. Transmiti ontem a partida de Cruzeiro e Náutico, no Independência. Não é fácil suportar 90 minutos do que se apresenta o time mineiro.

Fim de linha e muito a mudar. Do jeito que foi nesta temporada de 2020 não pode mais acontecer. E ainda há que se agradecer ao Felipão por manter o time na segunda divisão e que nesta segunda-feira (25) se despede do time.

É preciso buscar algo diferente na próxima temporada. Com o que está jogando, o Cruzeiro não tem condições atualmente de brigar nem mesmo pelo campeonato Mineiro: não tem nada de satisfatório para oferecer ao próximo treinador que chegar.

E o pior é que o time celeste não tem hoje condições de contratar atletas de qualidade. Não tem dinheiro nem mesmo para fazer o mais simples para não continuar fazendo feio como tem sucessivamente ocorrido.

O Cruzeiro de hoje espera por um milagre. Que milionários cruzeirenses possam se solidarizar com a situação e abrir os cofres em busca de algo totalmente diferente. Mas está difícil encontrar essas mecenas camisa azul.

A situação do centenário clube é falimentar. O mais prático é recomeçar do zero, dentro de tudo que já está exposto. Falta tudo em campo e sobram ações na justiça. Trata-se de uma cratera gigante aberta à espera de pavimentação que ninguém sabe quando ocorrerá.

Depois de classificado, América relaxou, desbotou, perdeu a cor e o bom futebol que vinha jogando

Lisca analisa queda de rendimento do América e pede reforços para a próxima temporada na série A do Brasileiro (Foto: Fernando Almeida/Divulgação)

Após a classificação antecipada para a série A, o América brilhante ficou no passado. Garantiu o acesso e acabou o futebol.

O time está a quatro jogos sem vencer e convencer. Deixa assim escapar a chance de ser campeão brasileiro mais uma vez.

Nas adversidades se tem uma análise mais profunda e justa. O time perdeu o repertório. Como na próxima temporada estará na elite do futebol brasileiro, precisa de muito mais.

Quando se poderia ter um final ainda mais feliz, no encerramento da temporada de 2020 o Coelho vai patinando e abrindo feridas. Na última partida vimos a lamentável briga entre os seus jogadores. Lamentável.

Ao que se sabe não se abriu uma crise e ainda nada é preocupante. Mas o América merece mais atenção e pulso forte do técnico e de seus dirigentes.

*Luiz Linhares é diretor de Esportes da rádio Itabira-AM

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