Que as promessas de melhorias nos distritos de Itabira não sejam vãs e não se repitam como farsa ou tragédia

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Eduardo Cruz*

Assim como o povoado Serra dos Alves, no distrito de Senhora do Carmo, merecidamente, e se a promessa for cumprida, demanda por obras de melhorias, inclusive com o restauro da capela de São José, é importante lembrar à administração municipal de não se esquecer de outros povoados e distritos de Itabira, que também estão em condições precárias pelo descaso de muitos anos, de outras administrações municipais, mas também da atual.

Se é que o município tem mesmo a intenção de investir no turismo ecológico e – vá lá, também religioso – a demanda imediata é melhorar o acesso ao Morro Redondo, no distrito de Ipoema, com também da estrada que leva ao Parque Estadual Mata do Limoeiro.

Deve-se aproveitar agora, neste período de estiagem que se inicia, com os cuidados devidos para ninguém se contaminar com o novo coronavírus. Para dar manutenção às estradas basta uma patrola e mais alguns equipamentos, com seus respectivos operadores isolados em suas cabines. São suficientes para melhorar as condições de tráfego nessas estradas.

Passada a epidemia, com certeza estradas bem conservadas (cadê os antigos “conservas”?) atraem turistas que querem ter a certeza de chegar à cachoeira ou a qualquer outro atrativo e retornar com segurança. E essas estradas vicinais não precisam de asfalto, basta calçar os picos de morros e fazer os drenos necessários para a água da chuva descer pela via, deixando de fazendo buracos e carreando solo que vão assorear os cursos d’água.

É só programar com parcimônia, aplicando bem os recursos públicos para melhorar todas as estradas vicinais do município. Mas não é só isso que atrai o movimento de turistas, que já começam a vir de todas as partes do país para conhecerem os atrativos naturais de Itabira ainda do Mato Dentro. É que muitos desses atrativos clamam por investimentos públicos.

Povoado Serra dos Alves: promessa de restauração da capela e “urbanização” das ruas do povoado (Fotos: Eduardo Cruz)

Macuco

No povoado de São José do Macuco, no distrito de Ipoema, próximo da famosa cachoeira Alta, a capela está também precisando passar por uma restauração. Há dez anos, por iniciativa da própria comunidade, a igreja foi pintada, mas só a parte externa. Sem recursos, os moradores não mexeram em sua estrutura, nem tão pouco no telhado.

Igreja de São José do Macuco foi pintada há dez anos pelos moradores, mas precisa de urgente reforma

A igreja está com infiltrações e o madeirame, em grande parte, está podre. Ao lado da capela está o cemitério, também precisando do serviço de um jardineiro. Foi cercado, pelo menos, e com isso animais dos próprios moradores já não pastam entre as sepulturas.

No governo de Damon foi assinada uma ordem de serviço e uma empresa chegou a ser contratada para calçar as ruas do povoado com blocos intertravados.

A Prefeitura prometeu também investir na melhoria da estrada por onde passa o ônibus escolar com o vai e vem de alunos, mas que ficam intransitáveis na época da chuva.

Mas a promessa não se concretizou. Espero que essa história não se repita como farsa no povoado de Serra dos Alves e que todas as obras de melhoria se realizem, conforme estão sendo prometidas.

Sempre há uma desculpa para postergar o benefício quando é para beneficiar o povo 

A estrada de acesso a São José do Macuco necessita de urgente reparo, assim como as ruas do povoado

A desculpa do governo passado para não realizar as obras em São José do Macuco foi a decretação do estado de calamidade financeira, decorrente da crise mundial que fez derreter o preço da tonelada de minério de ferro, comprometendo as finanças da Prefeitura naquela ocasião.

Hoje, com a pandemia do novo coronavírus, que os fundamentalistas religiosos e políticos acham que é só uma gripezinha, foi também decretado estado de calamidade em saúde pública. Que a história não se repita como tragédia humana.

Escola

Escola Municipal Dona Maria Elias: sem espaço para educação física

É fato que alguns topos de morros, como nas estradas de acesso ao Bongue e Linhares, receberam uma camada de asfalto, mas sem o cuidado necessário de se fazer a sub-base e a base como prescreve a técnica. E já está quase todo o serviço se perdendo.

Na época em que o governo decretou estado de calamidade financeira, todas as obras foram paralisada, e outras não foram iniciadas, mesmo as que estava com ordem de serviços.

Nessa mesma época, ainda no governo de Damon, estava prevista a reforma da Escola Municipal Dona Maria Elias. Ficou só na promessa e o prédio desse importante estabelecimento de ensino para a região se encontra em condições bem precárias.

A quadra de esporte da escola não tem cobertura, não há um local adequado para os alunos praticarem a tão necessária educação física e brincarem na hora do recreio. E assim ficam sem o espaço na época de chuvas ou sofrem com o sol escaldante.

Recorrências

Capela do Morro Redondo, em Ipoema: atrativo turístico e religioso também demanda melhoria na estrada de acesso

No povoado de São José do Macuco não raro falta água e a rede elétrica está um caos. A estrada de acesso é bem precária e está sem manutenção. Prometeram, assim como prometem agora para Serra dos Alves, asfaltar os topos dos morros. No caso do Macuco, foi mais uma promessa vã de políticos Pinóquios.

Agora que se aproximam as eleições, os candidatos voltam a aparecer por lá. Prometem muito, mas nada, ou quase nada, fazem.

É o que vemos também na cidade. Itabira está tendo muitas obras. Largas avenidas são abertas para a expansão urbana. Mas que expansão, se a cidade está na iminência de perder, daqui menos de dez anos, a sua principal atividade econômica, que é a mineração?

Portão de entrada do cemitério de São José do Macuco: sabedoria de Fernando Sabino

É só observar os novos loteamentos, e até condomínios de luxo que foram abertos nos últimos anos. Estão com lotes desocupados, não há residências sejam elas de luxo ou casas populares.

A exceção talvez ocorra com os apartamentos e casas populares do Minha Casa, Minha Vida. Mas estarão todos ocupados? Tenho minhas dúvidas.

Outra promessa que vem se arrastando desde o início deste governo é de que irão resolver, em definitivo, o crônico problema da falta de água na cidade.

Para isso, o governo municipal diz que irá buscar água do rio Tanque, por meio de uma parceria público-privada. Trata-se de um eufemismo para camuflar a privatização da água, pelo menos da parte lucrativa, que é a captação e adução.

Já o tratamento e a distribuição, que tem mais de 40% de perda, ficam com o Saae, com o poder público. Não dão lucro e podem acarretar prejuízos, inclusive por haver tarifas sociais e inadimplência.

Torço para que as promessas do prefeito de Itabira sejam realizadas. Mas pela minha experiência, vejo tudo isso com muita desconfiança. E como Tutu Caramujo, com o passar dos anos continuo vendo as sucessivas derrotas incomparáveis nesta nossa Itabira do Mato Dentro.

*Eduardo Cruz é fotógrafo e técnico em edificações

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Sobre o Autor

1 comentário

  1. Eduardo, bom texto.
    Mas peço que dê uma passada em alguns destes locais que você cita em seu texto.
    Pavimentação no morro de Serra dos Alves, pavimentação na comunidade de Serra dos Alves, pavimentação da área urbana da comunidade de Macuco. Os morros a seguir estão em pavimentação: Morro do acesso ao Macuco, Morro do Zé Inácio, entre outros que estão em andamento

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