Priscila Braga, secretária de Meio Ambiente, faz desabafo no Codema e critica mídia sensacionalista

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Carlos Cruz

Em reunião extraordinária, realizada nesta quinta-feira (11), do Conselho Municipal de Meio Ambiente (Codema), a presidente do órgão ambiental e secretária municipal de Meio Ambiente, Priscila Braga Martins da Costa, leu um manifesto criticando a atuação de grupos sociais que, segundo ela, fazem da reunião trampolim político ao criticar a atuação dos conselheiros e da própria presidente. Em seu desabafo, sobrou também crítica ao que ela chamou de “mídia sensacionalista”.

A reunião extraordinária foi convocada “apenas” para tratar de licenças ambientais, que foram retiradas de pauta na reunião de quinta-feira passada (4) por falta de documentos (leia mais aqui).

Foi solicitado para que nenhum outro assunto fosse tratado na reunião extraordinária, mesmo tendo a secretária aberto a sessão com a manifestação de repúdio às críticas que vem sofrendo por parte de grupos sociais – e também da imprensa sensacionalista. As críticas, se é que assim os questionamentos podem ser chamados, partiram de ativistas do Comitê Popular dos Atingidos pela Mineração em Itabira.

Sem sucesso, esses ativistas solicitaram apoio do órgão ambiental para que encaminhasse pedido de informações à Vale sobre aspectos relativos à segurança de suas 15 barragens na cidade, assim como a divulgação por meio digital (on line) dos respectivos Planos de Ação de Emergência de Barragens de Mineração (PABMs).

Como se sabe, Itabira possui as maiores barragens de rejeitos de minério do país. A empresa assegura que elas são seguras, tendo sido construídas com alteamento do barramento a jusante – e que são diferentes das barragens que romperam em Mariana e Brumadinho, causando centenas de mortes e deixando rastro de destruição ambiental nas respectivas bacias hidrográficas e comunidades vizinhas.

A secretária de Meio Ambiente, na reunião da quinta-feira passada exerceu, inclusive, o “voto minerva”, recusando-se a atender à solicitação do ativista Leonardo Fontes, do mesmo comitê popular, para que o órgão ambiental solicitasse à mineradora informações de como ela teria cumprido a condicionante 12, da Licença de Operação Corretiva (LOC) do Distrito Ferrífero de Itabira. É essa condicionante que trata de assegurar o abastecimento de água no presente e futuro da cidade.

Segundo a secretária, não é atribuição do Codema intermediar esse pedido de explicações dos moradores junto à Vale. Ela também defendeu que não se pode divulgar por meio digital (on line) o conteúdo completo dos PABMs das 15 barragens existentes na cidade.

Conforme salientou a secretária e presidente do Codema, existe uma lei que proíbe a divulgação por meio eletrônico, ficando à disposição cópia impressa apenas para consulta na Defesa Civil do município, instalada junto à Secretaria de Meio Ambiente, no Parque Natural Municipal do Intelecto.

Porém, Priscila Braga não soube informar qual é essa lei restritiva ao direito de informação sobre um plano, que teria sido elaborado com o objetivo de salvar vidas, em caso de rompimento de alguma barragem da mineradora no município.

Conforme registrou este site na reportagem da reunião ordinária do Codema, esse cerceamento não é condizente com um conselho de controle social, que, pela sua essência, deve ser democrático e representativo da sociedade.

“É no mínimo estranho, para não dizer que se trata de conivência e omissão, ignorar os grandes temas ambientais e de segurança, na presente conjuntura de medo com todo o noticiário sobre os riscos de rompimento de barragens, principalmente depois dos trágicos acontecimentos em Mariana e Brumadinho”, registrou esse site, para dissabor dos áulicos conselheiros que aprovam tudo o que a secretária solicita, com raríssimas exceções.

Abaixo, a íntegra do “discurso-desabafo” da secretária de Meio Ambiente e presidente do Codema, Priscila Braga Martins da Costa.

“Manifestações agressivas são inaceitáveis e não recuarei frente às ameaças”, diz secretária

Conselheiros do Codema ouviram atentamente o manifesto-desabafo da secretária de Meio Ambiente, Priscila Martins da Costa, na foto em destaque (Fotos: Carlos Cruz)

“Aqui (a plenária do Codema) é o nosso local de trabalho. E eu, pessoa física, Priscila Braga Martins da Costa, nunca me inspirei no mal e nem prego o mal. Quem trabalhou e convive comigo pode atestar o que estou dizendo – e aqui temos várias pessoas que podem atestar isso.”

“Todos aqui (conselheiros) são pessoas interessadas e com valores morais. E aqui viemos prestar um serviço valoroso ao nosso município. E é tão valoroso que o nosso serviço está na lei que rege a criação do conselho – e na lei que rege a criação da Secretaria (de Meio Ambiente).”

“Manifestações agressivas, mídias sensacionalistas, e com escárnio e desconfiança, a politicagem com a intenção de fazer desse conselho um tripé político, nós não aceitaremos. Interromperemos a reunião com pedido educado para que o manifestante se retire, ou encerraremos a reunião, pois isso está impossibilitando o rito formal de nosso trabalho.”

“Conforme a lei de instituição deste conselho, nosso trabalho é considerado um serviço de relevante valor social. E, como secretária municipal de Meio Ambiente, engenheira civil com 42 anos de profissão, não me recuarei frente às ameaças.”

“A vida sempre me pediu e sempre espera de mim coragem. E eu a terei para preservar e considerar o nosso serviço. Aqui é um lugar de debate, de trabalho com respeito, educação e valores morais.”

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3 Comentários

  1. Cristina Silveira, Sem Esperanza em

    Triste Itabira! Em que os puros sangue e, de ouvir dizer são 20 mil itabiranos, se aboletam na estrutura de poder contra a cidade. Triste Itabira.

    Triste Itabira decaída, prostrada, calada sob o domínio venal da Vale da Morte.
    O manifesto da engenheira com 42 anos de profissão e alguns anos de atuação duvidosa quanto aos interesses da cidade.
    “Quem trabalhou e convive comigo e pode atestar”, ora pois pois, é tão inconsistente que um tribunal do juri não levaria a sério…
    “Manifestações agressivas”: o que é agressão para a puro sangue secretaria?
    “Pedido educado para que o manifestante se retirasse”: o que é educação? ou ela quer dizer etiqueta de ”’gente fina””? A saber… O certo é o justo, o justo é o certo, portanto ao pedir que o outro saia da reunião, não é atitude educada, é fato autoritário de AUTOCRATA.
    “Valores morais”: porra meu, neste caso não vem ao caso, porque não se trata de MORAL, trata-se de Ética – ÉTICA senhora secretária.
    Triste Itabira, que seus mais velhos descendentes se movimentam, se esforçam para destruir o que restou da cidade que teve o solo e subsolo expropriados.
    Da Enfermaria do Mylton Severiano da saudosa Caros Amigos: “Tostines do Alex: Quanto mais poder tem o coroné mais miserável seu POVO ou quanto mais miserável seu POVO mais Poder tem o coroné?

  2. Cristina Silveira, Sem Esperanza em

    Caro sr. editor da Vila de nossa utopia diária, acho que a Dona do Codema chamou de imprensa sensacionalista o nosso site. Na posição dela eu não diria sensacionalista, diria um outro adjetivo (aliás os adjetivos são perigosíssimos em jornal) que não escrever aqui, o que significa que até a AUTOCRACIA necessita de assessoria de imprensa.
    Sou da Vila de Utopia, aliás a única mulher, e digo afirmo e posso comprovar que o Carlos Cruz é um defensor da cidade e isso é notório, basta consultar os arquivos do Fórum da cidade, o desembargador Drumond e as páginas do velho jornal O Cometa Itabirano.
    Tenho dito e sou boca maldita, não devo nada a nenhum Poder e menos aos Donos do Poder.
    Sou apenas um velha e pobre senhora dos caminhos velhos da estrada real de ipoema das itabiras e como dói!, porque sou agora de corpo e alma carioca e se houver guerra entre MG e RJ, estarei nas trincheiras da frente pra defender meu velho Rio de Janeiro.

  3. Gustavo Gazzinelli em

    Na falta de secretários ou secretárias com dignidade suficiente para exercer sua obrigação resta-lhes encaminhar os mesmos pedidos de informaçao à Semad e à ANM, que têm a ibrigaçao de saber e informar o que voces perguntam.

    Sugiro tambem enviarem o mesmo pedido de informaçoes, por meio protocolar também, à Vale.

    Peçam ainda o mesmo ao MPMG, ao MPF e à Defesa Civil. Todo cidadao tem o direito de se defender contra ameaças à vida e os que sonegam informações a este respeito são cúmplices do crime que vier a ser cometido na forma de tragédia, desastre e assassinato – culposo ou doloso.

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