Primeiras vacinas chegam a Itabira na quarta-feira. Idosos e profissionais de saúde da linha de frente no combate à Covid-19 são prioritários

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A Gerência Regional de Saúde (GRS), que assiste 24 municípios da microrregião de Itabira recebe, nesta quarta-feira (20), as primeiras doses do imunizante CoronaVac, desenvolvida por meio de parceria entre Instituto Butantan e a farmacêutica Sinovac Life Science, do grupo chinês Sinovac Biotech – e que é uma das mais promissoras do mundo.

Mas a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) ainda não sabe quantas doses chegarão a Itabira nesta primeira remessa, o que só deve ser informado pela GRS nesta terça-feira. Segundo informa a Prefeitura, a SMS já dispõe de 20 mil seringas agulhas para dar início à imunização no município.

“Estrutura e logística para acondicionar e transportar as vacinas tão logo sejam liberadas pela GRS estão em ajustes finais. Também já foi feito o levantamento do grupo prioritário”, adianta a secretária municipal de Saúde, Eliana Horta, que diz seguir o que já foi definido pelo Ministério da Saúde.

Profissionais de saúde que estão na linha de frente no combate ao novo coronavírus serão os primeiros imunizados, assim como as equipes de vacinação, juntamente com os idosos do Lar de Ozanam. Entre esses  profissionais, estão incluídos os servidores que trabalham no atendimento de casos suspeitos e confirmados de Covid-19.

Já no grupo prioritário de pessoas idosas no município, os cálculos da SMS é que essa população chegue a 20 mil pessoas. A secretária Eliana Horta diz que já trabalha para que a campanha ocorra de forma eficiente, atingindo rapidamente os grupos prioritários de acordo com os imunizantes disponibilizados.

Dependência

O ex-ministro Luiz Henrique Mandetta chama a atenção para o risco de a imunização no país, ainda que em um primeiro momento, se restringir à CoronaVac, pelo risco de ser interrompido o seu fornecimento, mesmo que temporariamente, devida à baixa oferta e à forte demanda.

De acordo com Mandetta, a situação brasileira é delicada pelo fato de o Instituto Butantan ainda não produzir o imunizante, sendo responsável apenas pelo envasamento, além de ser dependente da chegada do princípio ativo, que vem da China.

Essa dependência ao insumo chinês também acontece com o imunizante da AstraZeneca/Oxford, que até então, antes da aprovação da CoronaVac pela Anvisa, era praticamente a única aposta do governo Bolsonaro.

Daí que é importante a Prefeitura de Itabira buscar outras alternativas imunizantes, mesmo antes da aprovação pela Anvisa, para não ficar dependente da distribuição de vacinas pelo governo. Se for viável a aquisição, o apoio da mineradora da Vale pode ser muito bem-vindo para agilizar e dar suporte financeiro.

Barreiras sanitárias

É certo que somente as medidas de restrições ao comércio e a conscientização da população não têm sido suficientes para conter o avanço da pandemia no município, conforme demonstra o grande número de pessoas testadas positivas nos últimos dias, fora as subnotificações, que são em número maior do que apontam os indicadores oficiais.

Até mesmo as barreiras sanitárias ainda são insuficientes. Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura, nessa segunda-feira (18) apenas uma barreira foi montada na entrada da cidade, em frente à Funcesi.

Essas barreiras precisam ser permanentes e simultâneas, devendo ser instaladas em todas as entradas da cidade, pelo bairro João XXIII, Gabiroba, Praia. E com elas impedir o acesso à cidade,  de quem esteja com sintomas da doença, com aferição de temperatura e de outros indicadores.

Se não for possível impedir o acesso, que sejam reforçadas as medidas profiláticas e o rastreamento de quem esteja com os sintomas.

As orientações sobre as medidas preventivas devem ser reforçadas em toda a cidade, como a obrigatoriedade do uso de máscara, higienização frequente das mãos e o imprescindível distanciamento social. É preciso também reforçar a fiscalização e vigilância no comércio e nas ruas da cidade, orientando e coibindo as pessoas que transitam sem uso de máscara.

“A vacina vai demorar meses para fazer efeito. É hora de reimplementar as medidas restritivas”, recomenda o neurocientista Miguel Nicolelis

O caso das contaminações no Lar de Ozanam, mesmo com toda a profilaxia e assepsia empregadas, serve de alerta para o descaso com a doença que muitos estão tendo em Itabira.

É como se a pandemia já tivesse acabado, sentimento que generaliza perigosamente ainda mais agora com o início, ainda de forma lenta e gradual quando precisa ser célere, da vacinação no país.

É hora de o prefeito Marco Antônio Lage (PSB) impor medidas mais restritivas e proibitivas para manter o distanciamento e o isolamento social. Só o apelo à consciência para que cada um se cuidar e proteger a todos não parece surtir efeito, mesmo porque ainda não foi lançada a anunciada campanha educativa.

Enquanto isso as festinhas particulares continuam sem qualquer fiscalização e muitos bares e estabelecimentos seguem sem cumprir os protocolos necessários.

Os hotéis continuam cheios de gente sem máscara transitando em áreas comuns. O rodizio de CPF não vai mais acontecer, por decisão da Justiça. E o povo segue nas ruas, grande parte sem máscara, como se não houvesse pandemia no país e no mundo.

Lockdown nacional

As autoridades de saúde já alertaram que os próximos meses vão ser muito difíceis para o país – e, claro, para Itabira também.

O fato de o município estar na onda amarela não diminui o risco e as medidas até então adotadas não parecem ser suficientes para conter a forte proliferação do vírus com as suas novas variantes.  Daí que são necessárias mais medidas de firme enfrentamento à pandemia.

O neurocientista Miguel Nicolelis defende que o país deveria adotar, já agora após o início da vacinação, um lockdown nacional, de duas ou três semanas, para frear a onda de novas infecções e ganhar tempo para a imunização gradual.

Nicolelis cita o drama vivido pelo Reino Unido – onde a vacinação começou em dezembro, mas o número de contágio ainda não desacelerou de maneira significativa.

“O impacto desse avanço sincronizado do vírus pelo Brasil tende a ser pior que o da primeira onda. A vacina vai demorar meses para fazer efeito por aqui e neste momento, temos um percentual mínimo de doses. É hora de reimplementar as medidas restritivas. Não podemos abandonar o barco enquanto a vacina está longe de contemplar a maioria da população.”

No destaque, início da vacinação no hospital das Clínicas, em São Paulo (Foto: Marcelo Justo/UOL)

 

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