Prefeitura lança campanha de preservação de nascentes urbanas, que afloram dos aquíferos prometidos como legados da mineração

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Depois de lançar com sucesso o projeto Mãe d’Água, que reabilitou várias áreas degradadas com nascentes na bacia do córrego da Pureza, responsável pelo abastecimento da ETA homônima, e o Preservar para não secar, que mobilizou 94 produtores rurais para a proteção e reabilitação de nascentes na bacia do rio Tanque, ambos já extintos, a Prefeitura de Itabira lança agora campanha para incentivar o plantio de mudas no entorno de mananciais existentes no perímetro urbano.

Para a cidade, que carece de parques, praças, jardins e hortos florestais, o plantio de espécies nativas deveria ser permanente – e não só para proteger nascentes. É imprescindível e urgente também para tornar o ar mais respirável, com as árvores realizando o sequestro de carbono, além de propiciar sombras e a contenção de poeira. Afinal, a cidade, que já foi do Mato Dentro, é uma das menos arborizadas do país.

Ribeirão da Pureza abastece mais da metade da população de Itabira e praticamente seca na estiagem. No destaque, lagoa existente no Distrito Industrial Maria Casemira de Andrade Lage, onde está o campus da Unifei (Fotos: Carlos Cruz)

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), entre os 5.570 municípios brasileiros, a cidade de Carlos Drummond de Andrade, e da Vale, maior exportadora de minério de ferro do mundo, tristemente figura no ranking das que dispõem de menos árvores no perímetro urbano – apenas 581 têm menos “verde” que a cidade onde está localizada a maior mina a céu aberto do mundo dentro do perímetro urbano.

Em Minas Gerais, com 853 municípios, apenas 101 cidades são menos arborizadas que a terra de Drummond. Confira aqui https://cidades.ibge.gov.br/brasil/mg/itabira/panorama.

Água em profusão

Portanto, a campanha de preservação de nascentes na área urbana é, assim como foram os projetos anteriores de proteção de “olhos d’água”, de grande importância ambiental. Com o levantamento dessas áreas, várias nascentes devem ser descobertas para que possam ser reabilitadas e protegidas.

Afinal, Itabira está situada sobre um terreno poroso, de canga. Por debaixo da cidade, em seu subsolo, além de minério de ferro se encontram dois aquíferos, o Cauê e o Piracicaba.

Esses aquíferos foram rebaixados pela mineradora Vale com a promessa de que se tornariam, após a exaustão de suas minas (o que já ocorreu no caso da mina Cauê e até 2028 deve completar o processo com a exaustão da mina Conceição), os “maiores legados da mineração” para alavancar o desenvolvimento sustentável do município.

Promessa que anda esquecida pela mineradora – e que as autoridades municipais também têm-se esquecido de lembrar de cobrar.

Caixas d´água

Água do aquífero Piracicaba aflora nas Minas do Meio e pode ser soterrada por rejeitos de minério, mesmo tendo sido prometida como grande legado da mineração para Itabira

Segundo o ex-hidrogeólogo da Vale Agostinho Sobreiro, no início deste século, quando teve início o rebaixamento do aquífero Piracicaba para a Vale extrair minério das Minas do Meio, havia 338,8 milhões de metros cúbicos de água no subsolo itabirano. Leia também aqui e também aqui.

São desses aquíferos que afloram os “olhos d´água” espalhados por toda a cidade, sendo que muitos foram soterrados pela expansão urbana desordenada – e sem os necessários cuidados ambientais.

Aquíferos são reservatórios naturais, cujo acesso às suas águas só se tornou possível com o aprofundamento da mineração, conforme explicou o ex-hidrogeólogo da Vale por ocasião dos rebaixamentos.

Foi quando a empresa prometeu que esses aquíferos se tornariam fontes de suprimento para futuras novas atividades econômicas e para o próprio abastecimento urbano com água de classe especial.

“Até 2016, data prevista para exaustão das Minas do Meio, serão bombeados 37,2 milhões de metros cúbicos de água, correspondentes a 11% das reservas iniciais existentes nos reservatórios subterrâneos do distrito ferrífero”, contabilizou o hidrogeólogo em entrevista ao jornal Vale Notícias, edição de abril de 2002.

Segundo ele, como a água é um recurso natural renovável, após a paralisação do bombeamento nas cavas, assim que as minas exaurirem, com o tempo os reservatórios subterrâneos voltariam a dispor do mesmo volume de água existente antes do rebaixamento.

Proteção

Nascentes urbanas precisam ser protegidas por matas ciliares: prefeitura lança campanha de preservação

Enquanto esses imensos reservatórios não são devolvidos à Itabira para alavancar o seu potencial econômico, que precisa ser diversificado, é importante preservar, daqui para frente, as nascentes que afloram por toda a cidade com a água desses aquíferos.

“Os motivos desta campanha (de proteção de nascentes urbanas) estão ligados a uma maior disponibilidade hídrica, aumento na taxa de infiltração, melhoria na qualidade do ar e auxílio no controle de temperatura”, salienta a secretária municipal de Meio Ambiente, Priscila Braga Martins da Costa.

Serviço

Para participar do projeto de reabilitação de nascentes urbanas, os proprietários de terrenos devem se cadastrar pelo portal da Secretaria Municipal de Meio Ambiente www.meioambiente.itabira.mg.gov.br. Ou pelo telefone 31 38392715.

O cadastro pode ser feito também diretamente na sede da secretaria (rua Gerson Guerra, 162, Santo Antônio, na sede do Parque Natural Municipal do Intelecto).

Após a manifestação de interesse, será realizada uma avaliação técnica do local para futuro plantio e proteção de nascentes.

 

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1 comentário

  1. Isso se o próximo prefeito não fizer como o atual (Ronaldo), que simplesmente deixou 94 proprietários rurais, que participaram do projeto “Preservar para Não Secar” , simplesmente sem compensação. Viva a Secretária do Meio Ambiente, que apesar de ter recursos, deixou os 94 proprietários rurais chupando o Dedo.

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