Prefeitura de Itabira abandona projeto de ciclofaixas, piloto de ciclovias, e instala modestas ciclorrotas com recursos do Fega

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Era para ser um projeto-piloto de mobilidade urbana ousado e moderno, que seria implantado inicialmente na avenida Mauro Ribeiro, se estendendo para outras avenidas, por meio de cliclofaixas.

Objetivo: dar segurança ao ciclista e incentivar o transporte por essa modalidade, que faz bem à saúde e ao meio ambiente.

O plano foi apresentado pelo superintendente da Transita, Willame Aguiar de Almeida, aos conselheiros do Conselho Municipal de Meio Ambinete, em reunião na primeira quinta-feira de agosto do ano passado. “Será um piloto de outras intervenções projetadas para melhorar o trânsito na cidade”, anunciou.

Segundo ele, com a aceitação e ampliação dessa modalidade de transporte urbano, mesmo com tantas subidas íngremes e avenidas estreitas, o projeto evoluiria para as ciclovias, com faixas exclusivas para os ciclistas, como se observa nas modernas cidades.

O plano tem fundamento no Código Nacional de Trânisto, como também no Plano Municipal de Mobilidade Urbana, fez questão de frisar o superintendente da Transita na reunião do Codema.

Não bastasse tudo isso a favor, a sua implantação estava financeiramente assegurada depois que foi aprovado o o projeto do prefeito Ronaldo Magalhães (PTB), há um ano, pela Câmara Municipal, como também pelos conselheiros do Codema e do Fundo Especial de Gestão Ambiental (Fega), de onde sairiam os recursos.

Com a aprovação pela Câmara Municipal, o prefeito foi autorizado a investir R$ 200 mil na implantação das ciclofaixas e ciclovias. O projeto só teve o voto contrário do vereador Reginaldo das Mercês Santos (PTB), que se posicionou contra destinar recursos do Fega para esse fim.

“Não sou contra os ciclistas, mas não concordei com a destinação de recursos do Fega, depois que o prefeito deu o calote nos fazendeiros e sitiantes participantes do programa Preservar para não secar, dizendo que não havia recursos”, justificou o vereador na ocasião. Leia mais aqui.

Já os conselheiros do Codema foram mais generosos com o projeto. No mês seguinte à aprovação pela Câmara referendaram, por unanimidade, o aporte de R$ 400 mil no projeto, com recursos do mesmo Fega.

Desbotou, perdeu a cor

Mas o que era para ser um projeto alternativo de mobilidade urbana, que das ciclofaixas evoluiria para as ciclovias, virou simples ciclorrotas, sem a ousadia da ideia inicial propagandeada.

Segundo informa a assessoria de imprensa da Prefeitura, na implantação de ciclorrotas serão investidos R$ 28 mil, dos R$ 200 mil autorizados pela Câmara, subtraídos do Fega. E não diz o motivo de a Prefeitura ter abandonado o projeto inicial, conforme havia sido aprovado e anunciado.

As ciclorrotas consistem simplesmente na sinalização horizontal característica, indicando os espaços recomendados para o trânsito de bicicletas, com aviso de redução de velocidade aos motoristas. Nada mais que isso.

Informa ainda a assessoria de imprensa que a última fase de demarcação inclui a avenida Integração (Machado de Assis) e Espigão, os novos “cartões-postais” do prefeito para alavancar a sua pré-candidatura à reeleição, que estão para ser inaugurados. “Outras vias já foram contempladas na região central, nos bairros Amazonas e Praia.”

Prefeitura já é acusada de fazer propaganda enganosa

Imagem ilustrativa de uma ciclofaixa, apresentada pela Transita na reunião do Codema, “semelhante a que será implantada na avenida Mauro-Ribeiro.” (Fotos: Divulgação e Carlos Cruz)

Na mesma reunião do Codema, o superintendente da Transita adiantou que a implantação das ciclofaixas tinha previsão de ocorrer também nas avenidas Duque de Caxias e Ipiranga, no bairro Amazonas.

“O plano diretor contempla as ciclofaixas e também ciclovias para diversas localidades, interligando diferentes pontos da cidade”, anunciou na mesma reunião do Codema a secretária municipal de Meio Ambiente, Priscila Braga. “Nossas principais avenidas serão interligadas por esse meio alternativo e ecológico de mobilidade urbana”, anunciou.

Custo e praticidade

 A opção inicial pela implantação das ciclofaixas, e não das ciclovias, de acordo com o que foi apresentado no Codema, seria em razão da praticidade e também de o custo ser menor.

Daí que o projeto teria início com as ciclofaixas, e não pelas ciclovias, que demandam a abertura de faixa exclusiva para trânsito de ciclos.

Já com a ciclofaixa, explicou o superintendente da Transita, parte da pista de rolamento passa a ser destinada exclusivamente para os ciclos, mas sem separação física, apenas delimitada por faixas,

“A ciclofaixa a ser implantada na avenida Mauro Ribeiro será unidirecional, junto ao canteiro central, nos dois sentidos. Para que isso ocorra, as pistas de rolamento deixarão de ser duas, para ser somente uma, com largura de 5,5 metros”, detalhou.

Disse ainda o superintendente que seria mantido o estacionamento de 2,2 metros. E que a velocidade para a localidade não seria alterada, permanecendo os atuais 40 quilômetros por hora. Saiba mais aqui. 

Ciclorrotas

“Outra opção é a ciclorrota”, acrescentou Willame de Almeida. E é justamente essa alternativa, nada ousada, que está sendo implantada pela Prefeitura, com as meras pinturas da bicicletinha no asfalto, um íconezinho indicando a circulação das bikes na mesma faixa em que transitam os sempre apressados motoristas e motociclistas.

“Para a ciclorrota não se destina uma faixa específica para as bicicletas. Mas conta com sinalização horizontal com advertência aos usuários de que se trata de uma via mista, compartilhada entre veículos motorizados e bicicletas.”

Até a reunião do Codema, a opção de ciclorrotas havia sido anunciada, mas para se instalar apenas no entorno da rotatória da travessa Duque de Caxias e a avenida Mauro Ribeiro.

Mas o que era para ser restrito acabou sendo a alternativa definitiva para a avenida Mauro Ribeiro, que teria as primeiras ciclofaixas de um projeto alternativo de mobilidade urbana. Apequenou-se.

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4 Comentários

  1. Dinheiro retirado de 94 proprietários rurais que fizeram de tudo para preservar as nascentes. Tirado do projeto “Preservar para não Secar”. Secretaria do meio Ambiente, junto com a Prefeitura fazem está pouca vergonha. Realmente está na hora de mudarmos. Juntos somos fortes.

  2. Dinheiro retirado de 94 proprietários rurais que fizeram de tudo para preservar as nascentes. Tirado do projeto “Preservar para não Secar”. Secretaria do meio Ambiente, junto com a Prefeitura fazem está pouca vergonha. Realmente está na hora de mudarmos. Juntos somos fortes.

  3. Antônio Carlos on

    Sou um dos produtores lesados pelo governo ,acredito sim que esse dinheiro que tanta falta faz pra muitos,pode sim ter um destino mais consciente e melhor alocado em projeto que seja pelo menos bem formulado e efetivamente aprovado no contexto que essa verba deveria servir…quanta incompetência!😔😔

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