Portadora de lúpus diz que faltam remédios para tratamento da doença em Itabira

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Portadora de lúpus, a paciente Kátia Fonseca esteve nessa terça-feira (8) na Câmara Municipal pedindo apoio aos vereadores para que cobrem da Prefeitura o cumprimento da exigência do Ministério Público em uma ação civil para que não faltem medicamentos na farmácia municipal, assim como médicos e demais profissionais especializados nos postos de saúde. Em consequência, essa situação tem dificultado ainda mais o tratamento e o controle de doenças autoimunes.

Lúpus é uma das mais de 100 doenças autoimunes relacionadas entre si e que atacam diferentes órgãos, como os aparelhos digestivos e respiratórios, o sistema nervoso, os rins, o coração, os pulmões, a pele, as articulações. É também uma doença inflamatória e crônica, que faz com que o sistema imunológico do paciente ataque e destrua tecidos saudáveis do organismo.

Pode provocar também queda dos cabelos e, não raro, depressão. Mas nem todos os pacientes com lúpus têm os mesmos sintomas. “Um dos sintomas comuns é a fadiga, mas não é um cansaço comum. É uma profunda exaustão e que compromete toda a concentração”, testemunhou Kátia Fonseca.

“Somos também sensíveis ao sol. Não podemos vacinar contra a febre amarela. Pedimos à Prefeitura que nos forneça repelente, mas não fomos atendidos. O repelente só é fornecido para gestantes”, disse.

A doença não tem cura, mas é possível manter o controle e a qualidade de vida dos pacientes com tratamentos adequados. No mundo, são cerca de 5 milhões de pacientes com lúpus. “Em Itabira, não se tem esse número exato, mas sabemos que somos muitos”, conta Kátia Fonseca.

Discriminação

Kátia Fonseca, queixa-se da falta de medicamentos em Itabira (Fotos: Carlos Cruz)

Por receio de serem discriminados, nem todos pacientes assumem publicamente que estão com a doença. “Eu mesma, no princípio da doença, quando tive erupções na pele, sofri discriminações. As pessoas saiam de perto de mim, com medo de a doença ser contagiosa. O lúpus não é contagioso. E é uma doença controlável com medicações adequadas a cada sintoma.”

Segundo ela, os medicamentos que estão em falta no município são imprescindíveis para o controle da doença, para que retorne o funcionamento normal do sistema imunológico.

“Os profissionais de saúde também precisam ser mais treinados e preparados para entender os sintomas e atender melhor os pacientes com essas doenças.”

Para isso, defendeu Kátia Fonseca, é preciso que a Prefeitura cumpra uma lei municipal de 2016, que instituiu no município a campanha nacional Maio Roxo, para esclarecimento e informação dos profissionais de saúde sobre como a doença deve ser tratada – e os cuidados especiais que devem ter com os pacientes. “De que adianta ter uma legislação se ela não é cumprida”, lamentou.

Maioria dos medicamentos para o lúpus é de responsabilidade do Estado, diz secretária de Saúde

Rosana Linhares, secretária municipal de Saúde, informa que a maioria dos medicamentos para o tratamento de pacientes com lúpus é fornecida pela Secretaria de Estado de Saúde, por meio da Gerência Regional de Saúde (GRS), onde o paciente deve estar cadastrado. “Só um corticoide, que nem todos pacientes tomam, consta do Remuni (Relação Municipal de Medicamentos) e que é encontrado na Farmácia Municipal.”

Rosana Linhares sugere que paciente procure a ouvidoria da Secretaria Municipal de Saúde

Quanto à queixa de que faltam muitos medicamentos na Farmácia Municipal, a secretária assegura que 80% dos medicamentos constantes do Remuni estão disponíveis para a população.

De acordo com ela, a ação civil impetrada pelo Ministério Público é para que se tenha 100% dos medicamentos da lista. Mas diz que isso é impossível pela burocracia nas aquisições, como também por atraso na entrega pelos laboratórios e por recursos que emperram muitos processos licitatórios para a aquisição.

No caso específico da paciente Kátia Fonseca, Rosana Linhares recomenda que ela procure a ouvidoria da Secretaria Municipal da Saúde – e apresente as suas demandas específicas, para que possam ser solucionadas.

Falta de médicos

A secretária também informa que a Prefeitura dispõe hoje de 37 médicos para atender em 31 PSFs. Entretanto, como há sempre profissionais em licença simultaneamente, pode ocorrer em algum momento de faltar médico em um ou outro PSF.

Ela diz que o ideal é a Prefeitura dispor de pelo menos 40 médicos para que nenhum posto fique sem atendimento. “Fizemos uma seleção pública simplificada para contratação de mais quatro médicos, mas não conseguimos preencher a metade das vagas pelo fato de os pretendentes não passarem na seleção, por não obterem a pontuação mínima exigida”, lamentou.

Quanto a campanha Maio Roxo, de esclarecimento e conscientização sobre a doença, Rosana Linhares diz que estão sendo programadas palestras voltadas para os profissionais de saúde, que devem ocorrer ainda neste mês.

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