Por uma feliz coincidência, a Una irá se instalar ao lado de onde funcionou o histórico Gynásio Sul-Americano

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Carlos Cruz

Abandonado desde o início da última década do século passado, depois que o empresário Dilton Coelho (já falecido), da Itacon Engenharia, viu frustrado o sonho de Itabira finalmente ter um shopping, o mausoléu da rua Sizenando de Barros com a avenida Daniel de Grisolia finalmente terá uma nobre destinação.

Antigo Gynásio Sul-Americano, ao lado de onde se encontra o mausoléu que abrigará o campus da Una (Fotos: acervo do Cometa, Carlos Cruz e Divulgação)

No local, bem ao lado de onde no início do século passado funcionou o histórico Gynásio Sul-Americano, será instalado o campus do Centro Universitário Una, do grupo Anima Educação, um dos maiores do país.

A história, como se sabe, dá muitas voltas – e também se escreve certo por linhas tortas.

Se o antigo projeto de Dilton Coelho ainda não se realizou (Itabira, frustração das frustrações, ainda não tem um shopping, um desejo de consumo ainda não realizado), um outro sonho começa a ser concretizado com a instalação do campus da Una nesse edifício inacabado.

Legado histórico

Professores do Gynásio Sul-Americano: em pé, da esquerda para direita estão Altivo Drummond de Andrade, Alfredo Sampaio e Carlos Drummond de Andrade. Trajano Procópio é o primeiro sentado, à esquerda. E José de Grisolia está sentado entre as duas mulheres. (Acervo: Lúcio Sampaio)

Assim como o visionário farmacêutico Trajano Procópio de Alvarenga Monteiro, o médico José de Grisolia e o professor Alfredo Sampaio fundaram o Sul-Americano, e fizeram história em Itabira, pode-se dizer que, indiretamente, foi por iniciativa de um outro empresário santa-mariense, Antônio Lisboa Guerra Neto, o Tuniquinho (também já falecido), que a instalação do campus da Una em Itabira começa a virar realidade.

Ao abandonar a empresa de construção e decidir que investiria na educação, Tuniquinho levou junto para o novo ramo a filha Débora Brettas Andrade Guerra, hoje vice-presidente da Una e também vice-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (AMES). Foi ela a principal articuladora da vinda da universidade para a cidade do poeta Carlos Drummond de Andrade.

“É um legado que queremos deixar em Itabira, um sonho de meu pai”, enfatizou Débora Guerra, no lançamento oficial da faculdade em Itabira, na quarta-feira (22), no teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade. 

Pois assim, por uma feliz coincidência, o final nobre para o mausoléu que ainda enfeia a cidade, uma imagem até então fantasmagórica simbolizando um futuro que ninguém deseja, une em um só empreendimento gente de Itabira e de Santa Maria, utópicos sonhadores que apostaram – e ainda apostam – na educação como saída para o crescimento intelectual do itabirano e desenvolvimento do município.

Diversificação necessária

Com esse mesmo propósito, a Una contribui também com a política de diversificação da economia local, transformando a cidade em um centro universitário importante, juntamente com a Funcesi, a Unifei e outras faculdades que aqui têm-se instalado nos últimos anos.

À direita, Débora Guerra com diretores da Una. E à esquerda, Juliana França, representante do antigos proprietários do mausoléu

“Itabira tem um potencial enorme para o ensino superior”, considera a vice-presidente da Una, com base em uma pesquisa de mercado realizada antes da vinda da universidade – e que fundamentou a decisão de aqui se instalar.

Outra personagem importante para o sucesso dessa transação comercial foi a advogada Juliana Ribeiro França. Foi ela quem, como representante dos proprietários, negociou a transferência do prédio para a instalação do campus da Una.

“Em uma memorável noite, foram anunciadas as novas instalações da faculdade Una Itabira no referido prédio, onde várias pessoas depositaram seus sonhos. E que problema há em transportá-los para a concretização de outros sonhos?”, perguntou, já celebrando o final feliz para o mausoléu.

A ocupação desse imóvel pela Una é, sem dúvida, uma ótima saída que injeta ânimo nas incertezas itabiranas. A universidade chega em um momento de insegurança quanto ao futuro do município, com o anunciado fim próximo de suas reservas de minério de ferro.

Pode ser também prenúncio de que nem tudo está perdido. Que o espectro da inexorável exaustão mineral seja exorcizado, juntamente com o receio de que Itabira vire uma cidade fantasma.

Espera-se, diferentemente do que ocorreu no passado recente, que as novas gerações deixem de cruzar os braços para que a vida não mais siga devagar na Cidadezinha Qualquer. Que venham novos empreendimentos que possam dar vida nova à pachorrenta economia itabirana.

Mudanças na legislação foram necessárias para viabilizar a transferência

Para viabilizar a instalação da Una no mausoléu abandonado foi preciso promover mudanças na legislação municipal, ocorridas com aprovação da Câmara Municipal e sancionadas pelo prefeito Ronaldo Magalhães (PTB).

Ronaldo Magalhães, com aprovação da Câmara, sancionou as mudanças necessárias na legislação

É que, sem a flexibilização do Código Municipal de Obras, com a “lei do puxadinho”, não haveria como conceder alvará para o futuro funcionamento da faculdade no local (leia mais aqui).

As negociações foram também facilitadas com a aprovação do programa de Recuperação Fiscal (Refis).

Trata-se de uma renúncia fiscal que é legal – e vantajosa para o município que passa a receber tributos que já estavam na dívida ativa – e que se acumulam há mais de 25 anos.

O Refis facilita o pagamento da dívida com desconto de até 80% das multas e juros de mora. Para facilitar ainda mais a quitação, o contribuinte devedor pode parcelar em até 18 meses o pagamento das dívidas com o Imposto Territorial Urbano (IPTU), Imposto sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISSQN), taxas e multas diversas, desde que vencidas antes de dezembro de 2017.

Saiba mais sobre a Una

Com várias faculdades instaladas no país, a Una integra o grupo Anima Educação. Já emprega 30 profissionais em Itabira, entre professores e pessoal administrativo. Segundo o diretor do campus local, Cleiton Miranda, cerca de 90% desses profissionais são de Itabira.

Cleiton Miranda, diretor do campus da Una em Itabira

A Una já se encontra instalada na cidade desde fevereiro, com aulas ministradas em salas da Fundação Itabirana Difusora de Ensino (Fide). O seu corpo discente já conta com cerca de 460 alunos, matriculados em 13 cursos.

São eles: administração, agronomia, arquitetura e urbanismo, biomedicina, ciências contábeis, engenharias civil, elétrica e mecânica, educação física, farmácia, fisioterapia, medicina veterinária e pedagogia. Para o próximo ano, está previsto implantar os cursos de direito, odontologia e psicologia.

O ingresso na faculdade ocorre por vestibulares, que podem ser feitos por meio de provas previamente agendadas. E a cada semestre é realizado um processo seletivo maior. Outra forma de admissão é pelo Enem, que ocorre em novembro.

“Esperamos formar uma mão de obra especializada que permaneça em Itabira, contribuindo para diversificar a sua economia”, enfatiza o diretor Cleiton Miranda.

 

 

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1 comentário

  1. Sem o Estado e sem a participação do Estado (ainda que também na forma de incentivos) a iniciativa privada pode até sonhar, mas fica inerte.

    Por isso é bem-vinda a chegada de mais um curso de ensino superior a Itabira. E possibilitado pela vontade de uma empresa de educação consolidada e com a participação do Estado. No caso (o Estado) o Município.

    Basta saber que o Estado não é nem pode ser mínimo. Tem que criar políticas desenvolvimentistas para a economia, para a saúde, educação, para a cultura.
    E muitas vezes investir recursos próprios na evolução, gestão e desenvolvimento.
    Não falo apenas do óbvio: educação, saúde, cultura.

    Tem que colocar a máquina para funcionar. Colocar, dinheiro, ideias e incentivar o privado a realizar coisas públicas: que sejam para o público. Mesmo que no meio da história esteja a palavra lucro;

    Onde há lucro, há impostos. Gera renda para o município fazer da coisa pública benefícios gerais para o público.

    Se não não haveria nem computador nem celular. Estas duas máquinas foram desenvolvidas com dinheiro público na então União Soviética e nos Estados Unidos. Muito dinheiro, porque era estratégia para os dois lados, em Universidades públicas (e outras não) e Exército.

    Depois é que o governo entregou de mão beijada para a tal iniciativa privada lucrar e expandir para o público.

    Mas lá no norte da América e nesse país sem nome, os Estados Unidos, o privado é que faz papel de público, daí porque tantas vezes é cruel. .

    Mas Estado mínimo é crime contra a humanidade, crime de lesa-pátria. Países como Inglaterra, Itália, França, Alemanha têm, proporcionalmente às suas populações, Estados muito maiores que o brasileiro.

    Sem Estado não se organiza o desenvolvimento. Nem o futuro.

    — Ah, para terminar, dizem as línguas e a certidão de nascimento que o nome todo e completo de Trajano Procopio é Trajano Procopio de Alvarenga Monteiro.

    E eles e seus companheiros eram públicos, não só porque foram políticos em Itabira, mas também porque criaram escola e etecetera privadas, cujo o fim, mais que financeiro era alcançar e levantar o público.

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