Por melhores salários e condições de trabalho, Metabase mobiliza categoria para o acordo coletivo

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Em mais uma rodada de negociações com a mineradora Vale S.A, nessa terça-feira (19), em Belo Horizonte, o sindicato Metabase tem reiterado as reivindicações dos trabalhadores de Itabira por melhores salários e condições de trabalho, além de outros ganhos sociais e econômicos.

As negociações tiveram início em 1º de setembro, quando foram apresentadas as reivindicações de manutenção dos benefícios, a reposição salarial, reajuste no cartão alimentação e melhorias na rede assistencial da saúde.

A pauta de reivindicações foi definida pela categoria por meio de pesquisa realizada nas portarias da empresa, durante dois dias. São, portanto, reivindicações embasadas nos principais anseios dos trabalhadores da empresa em Itabira.

Mas não estão sendo fáceis as negociações com a empresa, conta o presidente do Metabase, André Viana. Segundo ele, desde o início a mineradora tem demonstrado, por meio de seus representantes, que não está disposta a fazer concessões econômicas significativas.

E tem apresentando com justificativa os dispêndios econômicos que está tendo para indenizar às famílias dos mortos pelo rompimento da barragem de Brumadinho, como também com as indenizações às comunidades e aos proprietários atingidos pela lama de rejeitos.

“A Vale, que tem tido sucessivos lucros fabulosos, tem alegado não ter dinheiro”, ironiza o sindicalista. Com isso, diz, a empresa tem negado custear aumentos de salários ou qualquer outro tipo de reajuste, seja em plano de saúde ou mesmo no cartão alimentação.

Representantes da empresa têm-se mantidos irredutíveis nas negociações com os dirigentes sindicais, no destaque (Fotos: Divulgação)

Foi o que deixou claro o representante da empresa, Rubens Alves, especialista em relações trabalhistas, na primeira reunião ocorrida na sede do sindicato em Itabira, em 15 de outubro, já antecipando qual seria o posicionamento da mineradora nas negociações.

Foi quando ele disse que os trabalhadores não deveriam esperar por grandes novidades em relação aos salários e demais ganhos econômicos. Isso, segundo o representante da Vale, pelo fato de a empresa não dispor de “lucros suficientes em 2019 para mudanças significativas”.

Para André Viana, essa postura da Vale é vergonhosa e não condiz com a realidade dos balanços contábeis da empresa, não admitindo que essa seja a proposta final para o acordo coletivo. “Proposta final quem define é a categoria em assembleia e não o patrão. A soberba da Vale em querer impor sua pauta mostra que Brumadinho nada ensinou aos seus dirigentes. Quando pensamos que a Vale não conseguiria se rebaixar mais, vem demonstrar o desprezo para com os seus trabalhadores. É uma irresponsabilidade”, classifica.

De acordo com o sindicalista, a proposta apresentada pela empresa está bem abaixo dos anseios da categoria e da pauta dos trabalhadores. “Recusamos durante as negociações várias propostas, pois mesmo tendo um relativo avanço durante as negociações, ainda elas foram consideradas ruins pela direção do Metabase.”

Porém, o sindicalista destaca que até aqui houve uma vitória particular nas negociações. É que está para ser atendida a reivindicação, exclusiva do Metabase de Itabira, e que irá beneficiar filhos de empregados de todo o país necessitados de atenção especial.

É a pauta que trata da extensão da assistência de saúde para cobrir terapias alternativas como Musicoterapia, Equoterapia, Hidroterapia, Análise do Comportamento Aplicada (ABA), que amplia a capacidade de comunicação de pessoas com Transtorno do Espectro Autista, além de acompanhamentos psicopedagógicos. Para isso, a empresa irá custear até 90% dos valores dessas terapias.

Nos próximos dias, dirigentes dos sindicatos Metabase de Itabira e Inconfidentes irão se reunir para discutir e definir os próximos passos. Uma possível consulta aos trabalhadores reunidos em assembleia não está descartada. A expectativa é demonstrar a força da categoria mobilizada e o descontentamento com a proposta patronal.

Diante do impasse nas negociações, o sindicato convoca os trabalhadores a se unirem em torno das reivindicações, reforçando a mobilização da categoria em torno do sindicato.

Estabilidade

A reivindicação de estabilidade no emprego para os trabalhadores de Itabira já está no Ministério Público do Trabalho (MPT), com pedido registrado de mediação – e é grande a expectativa com a intervenção do Judiciário.

Os sindicalistas esperam que o MPT possa intervir na defesa da dignidade dos trabalhadores que trabalham em locais próximos e que podem ser atingidos em caso de ruptura de barragens.

As principais propostas financeiras da empresa

– Reajuste salarial de 3,5% com vigência a partir do mês de assinatura do Acordo Coletivo.

– Aumento do cartão alimentação para R$760,00 e pagamento do 13º crédito do cartão em até 10 dias úteis após assinatura do Acordo.

– Manutenção dos benefícios e reajuste das referências financeiras em 100% da variação do INPC.

– Compromisso de negociar a PLR 2020 em janeiro, depois da celebração do Acordo.

 

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