População sofre com falta de água e tarifa vai aumentar

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Não bastasse o racionamento no fornecimento de água que a população enfrenta nesta estiagem, com manobras que resultam no rodízio de fornecimento nos bairros, as contas de água devem sofrer reajuste médio de 29,10% a partir de novembro. A majoração dos preços consta de uma resolução da Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário (Arsae), que cria também uma nova taxa de esgoto, além de ampliar a faixa de desconto para a população que paga tarifa social.

Com poucos investimentos nos últimos anos, Itabira continua sofrendo com a falta de água (Fotos: Humberto Martins e Carlos Cruz)

Antes, porém, para que o reajuste seja efetivado, no dia 12 de setembro, a Arsae irá realizar uma audiência pública em Itabira para explicar e debater com a sociedade o aumento da tarifa e a instituição da nova taxa de esgoto. A justificativa é para que o Saae tenha condição de investir nas medidas contidas no Plano Municipal de Saneamento Básico (PSMB), aprovado no ano passado, e que prevê investimentos, inclusive, na zona rural.

Os únicos bairros que não passam, pelo menos por enquanto, pelo racionamento com rodízio no fornecimento de água são os abastecidos pelos poços artesianos das Três Fontes (Pará e Centro) . E também os que recebem água da Estação de Tratamento de Água (ETA) do Rio de Peixe (Santa Ruth. Santa Marta, Monsenhor José Lopes, Valença, Fênix, João XXIII, Conceição). Os demais bairros enfrentam rodízio no fornecimento, o que deve prevalecer até o fim da estiagem em outubro (para saber dia e hora que irá faltar água em seu bairro acesse www.saaeitabira.com.br).

Balanço

Para explicar as medidas emergenciais e as ações que estão sendo tomadas para minimizar os incômodos causados pelo racionamento, o presidente do Saae, Leonardo Ferreira Lopes, esteve na reunião da Câmara de terça-feira (29/8), quando foi sabatinado pelos vereadores.

O presidente do Saae, Leonardo Lopes, explica na Câmara as medidas do racionamento

Segundo ele, além da estiagem, o racionamento ocorre também pelo fato de o município ter investido quase nada nos últimos anos em novas captações, tratamento e distribuição de água. Como consequência, o sistema de abastecimento tem hoje um déficit de quase 100 litros por segundo (l/s). Com demanda de 420 l/s, o fornecimento na cidade caiu para 334 l/s.

A ETA Pureza, que fornece água para mais da metade da população urbana, tem capacidade nominal de fornecer 168 l/s, mas opera com apenas 80 l/s. Já a ETA Gatos, a segunda maior com capacidade de produção de 90 l/s, tem suprido a população com apenas 40 l/s. “A redução do fornecimento tem sido recorrente nos últimos anos”, justificou o presidente do Saae. “E só deve terminar com o início do período chuvoso.”

Manobras

Para mitigar no curto prazo a escassez de água, o Saae irá reativar já neste mês o poço artesiano do bairro Areão. Com capacidade para fornecer 26 l/s, esse poço estava desativado por falta de manutenção. Com o reinício da operação, deve representar um reforço de 18 l/s, o que irá aliviar o racionamento na região abastecida pela ETA Pureza.

Com o mesmo objetivo de ampliar a captação de água, por meio de bombas e geradores a diesel, o Saae tem buscado um acréscimo 50 l/s captados no córrego Candidópolis para reforço da ETA Pureza. A mesma manobra tem sido feita no córrego Jirau para captar 30 l/s, reforçando a ETA Gatos.

Além disso, caminhões-pipa têm fornecido água às escolas estaduais e municipais. E também para os postos de saúde, para que o precioso líquido não falte nesses estabelecimentos.

O presidente do Saae acredita que já no próximo ano não deve ocorrer mais racionamento na cidade, uma vez que a ampliação da ETA dos Gatos deve ser concluída em maio, antes do início da estiagem. A nova ETA ampliada terá a sua capacidade de produção e distribuição acrescida em 100 l/s, que é o déficit atual do sistema de abastecimento na cidade.

Enquanto isso, a população deve fazer uso racional da água. “O desperdício precisa acabar. As pessoas precisam parar de lavar calçadas e carros com mangueira, assim como reduzir o consumo de água no banho e tomar outras providências”, pede o presidente do Saae.

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