Polarização da campanha chega a Itabira com manifestantes pró e contrários à candidatura de Bolsonaro

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“Tortura nunca mais, defendem os anti-Bolsonaro. Já os seus partidários pregam que só ele salva a família.

A polarizada campanha eleitoral para a presidência da República, já no primeiro turno, chega a Itabira com duas manifestações neste sábado (29). De um lado estão os que abominam a candidatura do capitão Jair Messias Bolsonaro (PSL-RJ).

De um lado estão os que condenam a tortura e temem a volta da censura e a perda de direitos conquistados…

Eles se reúnem a partir de 10h na Feira dos Produtores (rua Salvino Pascoal, Esplanada da Estação), quando participam de uma manifestação nacional contra o xenofobismo, a homofobia e o racismo.

Também pela manhã, a partir de 8h, grupos evangélicos partidários do capitão Bolsonaro se reúnem na avenida João Pinheiro, de onde seguem em passeata até a estação rodoviária com a Caminhada pela família e pela vida.

Ambos movimentos já comunicaram a realização da passeata à Polícia Militar – e seus organizadores estão empenhados para que os partidários das duas manifestações não se encontrem, o que poderia desencadear um confronto indesejável pelos dois lados.

Esse risco existe e deve ser evitado. Os militantes contrários à candidatura de Jair Bolsonaro saem em passeata da rua Salvino Pascoal do Patrocínio e seguem para a avenida João Pinheiro. Já os partidários de Bolsonaro também devem sair em passeata na mesma avenida, seguindo até a estação rodoviária.

Os manifestantes anti-Bolsonaro prosseguem em passeata pelas ruas Água Santa, Dr. Alexandre Drummond, encerrando a manifestação no paredão da rua Tiradentes.

Antagonismos

A mobilização em apoio à candidatura de Bolsonaro fará campanha também para deputados da bancada evangélica que têm votos na cidade.

Está sendo preparada pelo mesmo grupo de pastores que organizou a Marcha da Inocência, em novembro do ano passado, quando protestaram contra “o erotismo juvenil e a pedofilia chamada de arte”.

Do outro lado estão os que defendem a família contra a ameaça esquerdista

A manifestação foi desencadeada após ter sido censurada a exposição Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira. Isso pouco depois de ter sido aberta ao público em agosto do ano passado, no salão de exposição do Santander Cultural, em Porto Alegre (RS).

“Menina é menina, menino é menino”, é uma das palavras de ordem que ecoou por toda a marcha. Conforme definiu o pastor Luiz Henrique da Silva, da igreja Assembleia de Deus, “a marcha foi organizada para dar um basta ao erotismo juvenil e à pedofilia chamada de arte”.

O pastor é também um dos organizadores da manifestação pró-Bolsonaro. Ele lidera o mesmo grupo de igrejas evangélicas – e promete uma grande manifestação em favor da candidatura do capitão reformado candidato à presidência da República.

“Somos contra a pedofilia e a ideologia de gênero. Nos opomos a tudo que está destruindo a nossa família e corroendo as bases cristãs de nossa sociedade. Bolsonaro é o candidato que nos representa”, afirma o pastor.

Do lado contrário, o grupo anti-Bolsonaro considera que uma eventual eleição do ex-capitão representa um retrocesso na luta pelos direitos sociais, individuais e trabalhistas duramente conquistados após a democratização do país.

Acusam o candidato de fazer apologia à tortura e de ter lamentado o fato de a ditadura militar ter matado poucos opositores, além de pregar a violência de gênero, incentivar a cultura do estupro e todas as formas de discriminação social e racial.

Já os evangélicos pró-Bolsonaro acreditam piamente que o país corre risco de virar uma Venezuela, sinônimo da anarquia e do avanço do comunismo na América Latina.

Consideram que a família e as crianças estão “ameaçadas pela libertinagem que toma conta do país – e que corrompe a boa formação cristã e o direito de os pais educarem os seus filhos conforme os seus valores morais”.

São, portanto, dois grupos antagônicos. E o melhor que pode ocorrer, para a paz e tranquilidade geral, é não se encontrem.

Que cada grupo possa manifestar livremente as suas crenças, convicções e ideologias. E que a democracia prevaleça antes e após as eleições presidenciais.

 

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