Pitacos da rodada esportiva

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Luiz Linhares*

Brasileiro, profissão esperança

Tem algo estranho acontecendo. Chegamos a semana em que vai ter início mais uma edição da Copa do Mundo. Neste ano, a Rússia é o país sede. Quatro anos se passaram da última copa, quando o Brasil foi sede. Perdemos a disputa, fomos humilhados em Belo Horizonte e, na maioria das situações, o que era para ser herança se tornou pesadelo.

Vários elefantes brancos espalhados por nosso país, uma chuva de denúncias quanto ao uso indevido do dinheiro público, arenas superfaturadas, mais isto, mais aquilo. A Copa do Mundo, mal acabou nos causando um grande mal.

Não sei se é impressão minha, mas sinto que o clima deste ano para a Copa do Mundo não é o mesmo. É raro ver uma rua pintada, um carro com uma bandeira do Brasil na antena ou mesmo uma chuva de álbuns espalhados por toda a cidade.

Não sei precisar o motivo, se por conta do nosso péssimo momento econômico, se por conta da lava jato que tem a cada dia nos revelado um novo escândalo de corrupção. Não sei mesmo se a paralisação dos caminhoneiros tem algo a ver com isso, ou se a sapatada que levamos da Alemanha aqui na última edição ainda respinga no nosso emocional.

Só sei que estamos com a nossa autoestima em baixa. Mas acredito que podemos novamente erguer a taça e nos tornarmos mais uma vez o melhor futebol do mundo. Não confio tanto, mas como brasileiro, acredito.

O brasileiro gosta de uma folguinha. Quem sabe com o transcorrer dos jogos, o Brasil conquista a nossa confiança. Torço para que Neymar e companhia consigam superar os alemães, espanhóis, ingleses e os sempre perigosos hermanos argentinos. Pelo pouco que tenho de conhecimento do futebol, aposto no Brasil se superando. E, com muita luta, podemos chegar mais uma vez a tão almejado título.

Aos trancos e barrancos o Atlético vai se superando

Roger Guedes é ovacionado pela torcia, mas não garante se fica (Foto; Leandro Couri/D.A. Press). Na foto em destaque, os craques da seleção Brasileira (Foto: Leonhard Foeger/Reuters)

Ontem quando voltava de Belo Horizonte com toda a equipe da Rádio Itabira, depois de acompanhar mais um jogo pelo Brasileirão, três jovens que trabalham comigo conversavam sobre o futebol europeu. Falavam dos jogadores de times europeus que poderiam brilhar nesta copa ou mesmo novas formações de equipes para a próxima temporada europeia.

Alegra-me tanto pelo conhecimento do futebol e me decepciona demais por saber que esse não é o mesmo desenho que todos têm do que é nosso, do que é brasileiro, em boa parte menosprezando aquilo que aqui é produzido.

O Atlético, por exemplo, aos trancos e barrancos vai se superando. E ao que parece chegou à parada para a Copa dentro do planejado. Ou seja, entre os primeiros e brigando pela ponta. Ganhou do Fluminense mostrando superação.

É verdade que a oscilação do time é constante. Manter a mesma produção tem sido uma procura de todos jogos. Vencer fazendo cinco gols tem seus méritos, é verdade. Roger Guedes atravessa um momento de pura sorte, além de ter qualidade técnica, o que nunca lhe faltou – e ontem ele foi decisivo.

De execrado para o “fica” pedido pela massa atleticana, foi uma transição rápida, pelos resultados alcançados pelo atleta. Com Roger Guedes ontem foi assim. Torcedor é pura paixão. E tem mais gringo chegando, o que pode compensar a perda de seu atual artilheiro.

Até aqui, o balanço para o Atlético no primeiro terço da disputa foi proveitoso. Manter essa boa performance é o desafio – e é o mais difícil. Mas é o que todos esperam. Dificuldades com certeza virão. Mas o grupo já parece estar vacinado.

Cruzeiro vacila no Brasileirão e tem outras competições após a Copa

Cruzeiro perde para a Chapecoense em Chapecó, Santa Catarina (Foto: Gazeta Esportiva)

O Cruzeiro deu mole nos dois últimos jogos. Verdade que teve uma ascensão de produção, chegou a estar entre os primeiros. Porém, os dois últimos jogos foram difíceis. Empatar com o Vasco em casa e perder para a Chapecoense, em Santa Catarina, não estavam no roteiro. Afinal, são equipes de qualidade inferior, mas também inferior foi o que produziu o time celeste. Acho que não se tem outra explicação a não ser acomodação. Técnico e jogadores acharam que poderia resolver a qualquer momento e já não é mais assim as coisas.

O time vai terminar o primeiro terço do campeonato de forma intermediária. Nada desesperador, mas convenhamos, o Cruzeiro tem time para brigar pelo título e por isso já deveria estar entre os primeiros. É importante não se esquecer que tem duplicidade de competições no segundo semestre, que afunila-se com as copas Libertadores e do Brasil. A meta, o torcedor sabe qual é.

*Luiz Linhares é diretor de Esportes da rádio Itabira-Am

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