Petróleo: declínio na produção ou quando sobra na incerteza

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Veladimir Romano*

Se comentava nos idos finais 60, opiniões que quase decretavam na distância do nosso tempo, terceiro conflito mundial, sendo a causa dominada pela pressão produtiva dos campos produtores que deram volta no juízo do sistema capitalista inundando praças financeiras como primeiro bem [do crude/óleo]dado a princípios especulativos.

A grande guerra mantida no Biafra [1967-1970, com mais de um milhão de mortos] querendo a separação da Nigéria, foi um dos primeiros golpes indiretos preparados nos bastidores políticos pelo anterior colonizador britânico e da sua multinacional BP [British Petroleum], famosa, rica, dominante Petróleos Britânicos levados a sair da Nigéria depois da independência. O terrível conflito não conseguiu separação, mas nem demorou por outras estratégias a volta dominante dos barões mercadores do petróleo.

Tanta incerteza despertou engenho mental pelo menos no Senegal quando Abdoulaye Wade [2000-2012, professor, advogado e economista] dirigiu o país, mediante saldo negativo, convidou todo o mundo, em particular petrolíferas servindo o continente, ao pagamento duma contribuição extraordinária. O apelo seria criação de fundo financeiro de apoio garantindo balanço nas economias fragilizadas em África. Nações produtoras deveriam contribuir combatendo assim qualquer escalada sobre a dependência. O próprio presidente norte-americano da época: George W. Bush, deu chamada de atenção sobre este problema [conhecimento teve ele, antes da política e respetiva presidência quando trabalhou com empresas do ramo petroleiro no Texas]nas ondas colaterais igualmente dos países ricos. Por causa do petróleo, Washington nunca dorme nem a fome dos seus consumidores sempre ávidos de combustível.

Destruição de poço de petróleo no Iraque (Fotos: AFP)

Se bem lembrado, nos confins asiáticos da fronteira australiana, o pequeno Estado Timor-Leste, saído do colonialismo português, sofreu tremenda sangria numa guerra preparada também nos bastidores dos sanguinários governantes indonésios a mando do secretário-geral norte americano Henry Kissinger [secretário de Richard Nixon], abrindo famosa caixa de Pandora, liquidando mortalmente centenas de milhares de timorenses indefesos, apanhados em fogo cruzado das tropas do grande ditador de Jacarta e suas forças opressoras olhando ao fundo do cofre vazio [Indonésia é dos países mais corruptos do planeta, daqueles que mais ofende Direitos Humanos: o Partido Comunista da Indonésia é a maior vítima com centenas de assassinatos quando a família do general Suharto: 1967-1998 assumiu o país depois do golpe traiçoeiro contra o primeiro presidente Sukarno: 1945-1967. Depois da Grande Guerra, holandeses deixaram esta colônia] sem meios capazes; o dólar continua sendo a enorme força cambial de venda/compra do mineral e Timor-Leste, a joia apetecida dos indonésios querendo o petróleo do Lorosae.

Desde a descoberta do crude no século dezanove, alguns milionários construíram impérios dominando hoje economia planetária a seu belo prazer. O nome Rockeffeler [John Davidson 1839-1937], fundador da Standard Oil Company; crescendo, foi igualmente provocadora do rebentamento financeiro dos anos 30 e, já no final da vida quando conheceu outro bilionário dos automóveis: Henry Ford [1863 -1947], ao cumprimentá-lo, afirmou ser tarde demais no tempo, aquele momento estarem conhecendo suas pessoas, ao que continuando, Rockeffeler adiantou que então seria no “paraíso” onde se iriam “conhecer melhor”; ao que Ford retorquiu, não acreditando muito que realmente pudesse esse reencontro ser no “paraíso”, porque ele acreditava ser bastante difícil essa entrada para ambos em tal lugar. Na consciência do homem dos carros norte-americano, havia espaço para tamanha desconfiança depois duma vida de trabalho, investimento, visão, esforço sim; mas todavia, ele sabia do que estava falando. Por outro lado, o dono dos poços mais ricos de petróleo, acreditava ausente da sua consciência, que sendo bilionário, teria lugar reservado em qualquer lugar sagrado.

Depois da Segunda Guerra Mundial, líderes norte-americanos aprenderam o quanto dominar a produção petrolífera mundial seria programa garantido na sua agenda política criando financiamentos absurdos sem discussão, alimentando serviço secreto, criando bases interventivas dentro das embaixadas em todos os cantos do planeta, estratégia determinante influenciando países, dominando mercados pelas marcas hoje bem conhecidas como as de países do ciclo especulativo dentro das economias liberais.

O foco ficou centrado nas maiores nações produtoras, falhando unicamente a velha Pérsia do imperador Reza Pahlavi [1941-1979], corrido do poder em 1979 quando o povo encheu a paciência com perseguições abusivas dum lado ao outro com crescente pobreza enterrando parte da população no nada. Depois, religiosos chegaram dominando tudo e todos, incluindo liberdade [apenas religiosa]como hoje estão provocando idêntico número de problemas impossíveis de suportar; porém, com norte-americanos fora do caminho, uma das razões pela qual se estabeleceu inimizade entre Irã versus EUA, que vários presidentes nunca conseguiram ultrapassar na contenda diplomática, reside na produção e controle dos ricos poços do petróleo iraniano, bem como acontece na Venezuela onde estão as maiores reservas mundiais ultrapassando mesmo Irão e Arábia Saudita.

Igual problema se acumulou numa América Latina onde os norte-americanos tempo demais mandaram dominando líderes e governos carregados de sangue, corrupção, antipatriotismo, sempre favorecendo quantos caprichos o vizinho poderoso do norte pediu. Por isso agora vai sofrendo a Venezuela, o Equador, Bolívia e todos aqueles seguindo novos ou caminhos desagradados com políticas entendidas na Casa Branca que Washington não aceite por não ser favorecida nos seus intentos. O mundo entre 2017 até 2018, segundo a US Energy Information colocou mais de 90 milhões de barris diariamente no mercado, fornecendo os primeiros dez países mais produtores 68% desse crude, com mais 82% da produção fornecida ainda por mais catorze/quatorze produtores apenas do continente africano, latino-americano e Oriente Médio [faltando aqui juntar produções asiáticas, europeias e norte-americanas]. Leva a ideia clarificadora dizendo que, petróleo, há; bastante produção vinda de vários lugares, mas com muita pressão duns quantos membros desse ciclo viciado no comando a qualquer preço querendo dominar pela estratégia imunda e sem caráter.

Dólares, muitas notinhas verdes circulando por bancos, até duvidosos, guardando nelas fortunas fugindo das taxas fiscais e obrigações, retidas em oásis… É isso que o sistema gosta, idolatra, defende a quanto custo; se acaso necessário for, complicando a vida de milhões nos países procurando seguir outros trilhos mais saudáveis aplicando filosofias financeiras de cariz social favorecendo maioria e seus valores. Infelizmente, não tem sido assim, golpes traiçoeiros tomaram conta do mundo enquanto o petróleo foi jorrando na ordem dos trilhões de barris, toneladas do famoso crude de perder a conta mas criando boa ordem universal de marajás desfrutando de suas colossais fortunas, combinando gerir produções anuais apenas favorecendo suas economias  dando jeito aos mercados dominantes. China, Rússia, Índia e até a União Europeia, já conhecem esta tentação árabe, não gostam do perigoso jogo de bastidores aplicado junto com medidas restritivas apoiadas pelo governo da Casa Branca.

Entretanto, sinais andam nos laboratórios dos especialistas controladores da produção dizendo da baixa relacionada com extrações mais recentes de petróleo, avisados ficaram, denunciando uma diminuição na produção de vários países árabes dos quais se destaca o território saudita; coisa que os chefões em Riade não gostaram de ouvir, especialmente agora que sustentam guerra [já neste governo de Donald Trump, Arábia Saudita comprou armamento no valor de 60 bilhões de dólares] contra o vizinho Iémen [totalmente destruído]… sinais de um tempo complicado demais alimentando malabarismos de sustentação financeira e sobrevivência humana.

Recente, no solo ugandês, petróleo foi descoberto, tal como em Moçambique, Timor-Leste, ilhas de São Tomé e na Guiné Equatorial; numa abordagem inicial não parece que falte crude, antes numa época onde já aparecem alternativas como biocombustíveis, etanol, gás, eletricidade em autos, entre outros produtos [bom recordar que o Brasil tem sido inovador com produtos celulósicos], quando economias de mercado deveriam ser repartidas, garantindo melhor escalão regional levando apoio absoluto contra pobreza, criando aumentos “per capita”.

Não teríamos a vergonha que vai passando na Venezuela nem a pressão demente que se anda ajustando no Equador ou tentativas desestabilizadoras na Bolívia. A história bem conhecida já nem novidade consegue ser, antes uma perfeita recondução ao zero das economias de quem deseja promover seu desenvolvimento sem interferências de grupos anti-democratização de programas sociais reformistas. Donald Trump detesta imigração em massa assaltando suas fronteiras, países árabes muito mais; então deixem de fragilizar a concorrência dos países fora da organização dominante para que nenhuma maré dos infernos incertos, se meta na condução produtiva do chamado “ouro negro”.

Riade, ao provocar conflito no vizinho Iémen, anda procurando com essa estratégia destrutiva marcar pontos na produção do seu petróleo [não estão indo sozinhos] mas com indícios suplementares de que seus campos também já não estão dando o tanto de outras noites das arábias [inicialmente a extração era feita na superfície; hoje em dia, cada vez mais a perfuração tem de baixar mais na profundidade ou sinais muito maus a quem se habituo demais no petróleo].

Por isso, a ideia é puxar novamente preços altos, visto que preços baixos por bastante tempo não aniquilaram de fome outras paragens produtoras, resistiram e agora quem não anda aguentando é a elite do Golfo.

*Veladimir Romano é jornalista e escritor luso-caboverdiano, colaborador deste site Vila de Utopia

 

 

 

 

 

 

 

 

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