Peregrinos do realismo e organização para combater as crises

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Veladimir Romano*

Em Portugal, muito se avalia por tudo e outro imenso nada, no lado mais derrotista, todas as ações culturais, políticas e sindicais do Partido Comunista Português quando este, responsavelmente assumiu garantir segurança ao exercício do seu direito na realização do Congresso (XXI).

Neste congresso, foram incluídas as comemorações do Centenário, com homenagens a um dos mais destacados lutadores pela causa democrática, liberdade e resistente antifascista: Jaime Serra.

Trata-se de um destacado dirigente nascido no dia 22 de janeiro de 1921, autor do livro Eles Têm o Direito de Saber… O Que Custou a Liberdade, Edições Avante de 1997. No livro, Jaime Serra conta histórias combativas, resiliência, sofrimento, prisão, dor, dignidade, de grande importância nesse momento em que o partido celebra a bonita contagem de cem anos, o mais antigo movimento político antifascista da Península Ibérica.

Com determinação, consciência e muita serenidade, contando afinal apenas com a razão das suas obrigações, o PCP foi passando pela lateral ao enorme churro de críticas caindo sobre a disposição entre a lei mais recente e ações partidárias. O problema da pandemia poderá assustar mas não deve criar clima de pânico em algum momento das celebrações.

Essa foi a resposta da secretaria do PCP. Atuando com muita organização, os comunistas acabaram dando uma boa lição ao abrir as porta por onde o medo foi saindo.

Saudável resposta, garantindo o sucesso em todas as atividades ou eventos como a grande manifestação cultural [Festa do Avante!], a maior de Portugal e de toda a Europa, e que foi algumas vezes realizada por um jornal, órgão informador do Partido Comunista Português, tal como foi a grande festa dos trabalhadores nas comemorações do dia 1º de Maio.

No XXI Congresso primou rigorosa organização merecendo rasgados elogios dos jornalistas estrangeiros residentes em Lisboa.

Mantendo o distanciamento controlado, constante higiene, disciplina, vigilância dos atos, método criativo e ordem por parte dos intervenientes, assistentes, convidados, imprensa e auxiliares, sem o abusivo e prejudicial preconceito social, político contra os comunistas.

Foi assim que Portugal aprendeu, naturalmente a quem quis, uma boa lição, mesmo tendo alguns poucos não desejado, de vários modos, levar em conta, mais uma vez, o realismo pragmático dos peregrinos, o que não deveria ser novidade para ninguém.

Até hoje, lá se vão muitas semanas, não existe nenhum anunciado ou qualquer surto demoníaco das atividades bem conhecidas e divulgadas pelo PCP, para frustração daqueles que devem andar rezando todos os dias pelo fim do partido mais antigo do país.

Bocas da discussão fácil, teóricos irresponsáveis ao submisso do derrotismo nacionalista revelando o lado cinzento-escuro que outrora andou dominando o bem-estar e otimismo dos portugueses, engoliram em seco e, como hábito histórico, o centenário comunista que, unidos e firmes na certeza das suas decisões, comemoram com múltiplas iniciativas variantes de acontecimentos.

Realmente, não seria pela pandemia sanitária a acabar com o nosso mundo, alimentando mais fraquezas sobre nossas incapacidades. Mas há de se ter confiança e positivismo: só assim se acumulam energias prontas a combater o legado de qualquer crise.

Aplicar a inteligência contra o catastrofismo, estabelecendo exemplos valorizados entre a visão responsável dos atos e a prática sobre assuntos gerais por onde a sociedade espera resultados. É assim que o partido ao longo dos anos tem proposto soluções dentro do pensamento progressista, aplicando decisões dentro  das teorias socialistas, o que evidentemente não agradam aos prosélitos das ações capitalistas.

Nasce assim a execução paradoxal não só da linguagem, mas da verdadeira prática pelo sucesso do ato generalizado e não apenas ao individual quando o social é o nascimento do sentido, é a pausa e a pessoa entendida como tal seja. Enfim, é o poder sobre o elemento, encontro da alma com seus desígnios.

Já no capital, é o emergente sinal do consumo contra a pessoa implicando perigosos conceitos ao consolidar analogias em que a coerência materialista se conjuga na traição e conduta anti-humanista. Pelo lado capitalista, são muitos os exemplos, até agora bem latentes, na mente de todos.

O lado obscurecido dessa faceta estão nas pressões levadas ao máximo símbolo da democracia norte-americana [assalto ao Congresso], liderado pelo pensamento repressivo e fanático das pessoas incentivadas pelo elemento derrotista: o candidato que não aceitou perder a reeleição, criando situações obscuras para conturbar o processo eleitoral, inventando história com raiz do mal para destruir o bem.

E dentro destes formatos do medo existente ao patente da transformação pró-socialismo proletário como dimensão simbólica de todo o realismo que resta, se adia, contudo, não esgotado na organização desses elementos.

A elaboração subjetiva às ordens do capital com sua histórica por vir, segue alimentando, criando crises e mais crises que somente em unidade e consciência, também um dia serão vencidas pelas próprias contradições capitalistas.

Disse Antonio Gramsci (1891-1937), filósofo, jornalista, historiador e político: «Para fazer avançar a reflexão e a práxis, é preciso crescer o contato permanente com as massas». Enfim, que haja pelo menos a noção e logo que se aprofunde a disciplina.

*Veladimir Romano é jornalista e escritor luso-cabo-verdiano.

 

 

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