Parentes e amigos protestam na Câmara pela morte de jovem no bairro Pedreira do Instituto

WhatsApp Pinterest LinkedIn +

A reunião de ontem (6/6) da Câmara Municipal tinha tudo para ser uma sessão de homenagem às polícias civil e militar de Itabira, com a aprovação de lei que institui o dia 21 de abril (data do enforcamento de Tiradentes, patrono da Polícia Militar) como oportunidade para celebrar a importância dos agentes policiais para a paz social.

Mas acabou virando uma manifestação de protesto contra a violência e a impunidade, com participação de familiares e amigos do jovem Carlos Mota, 22 anos, assassinado na madrugada de domingo (4/6), no bairro Pedreira do Instituto.

Manifestantes ocuparam a Câmara Municipal pedindo paz e punição para os assassinos do jovem Carlos Mota (Fotos: Carlos Cruz)

Nem mesmo as presenças do delegado regional Paulo Tavares Neto, de oficiais da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e de agentes penitenciários intimidaram os manifestantes. Com faixas e palavras de ordem contra a violência, os manifestantes cobraram providências imediatas para a identificação e prisão dos assassinos, assim como medidas concretas para coibir a onda de violência na cidade.

Exaltados, os manifestantes interromperam a apresentação de um balanço patrimonial da Fundação Comunitária de Ensino Superior de Itabira (Funcesi), previamente agendada para explicar a relação entre a instituição de ensino superior e o Colégio Auge.

Rômulo Rosa, presidente da Funcesi, apresentou dados e a justificativa para a locação e construção pelo colégio de imóvel em terreno da instituição e que foi incorporado ao seu patrimônio. E nada mais foi perguntado pelos vereadores, pressionados pelos manifestantes para que passassem a abordar imediatamente a questão da violência.

Itabira pela paz

“Temos índices de violência aqui em Itabira maior que a do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte”, exagerou o vereador Weverton “Vetão” Leandro Santos Andrade (PSB), citando reportagem de um jornal local.

Só este ano foram cometidos 16 assassinatos na cidade, sendo seis no bairro Pedreira. O vereador leu uma carta aberta do recém-criado grupo Itabira pela Paz, que fará a primeira manifestação pública contra a violência no próximo sábado (10/6), às 9h30, na praça Acrísio de Alvarenga.

Projeção apresentada na Câmara com fotos do jovem Carlos Mota, assassinado no bairro Pedreira do Instituto

“Que o assassinato de Carlos Mota não seja mais um crime impune, e que sejam implementadas políticas públicas para coibir a violência”, disse ele, pedindo medidas socioeducativas e de reinserção social de pessoas em conflito com a lei. “Muitos desses assassinatos são cometidos por condenados em regime semiaberto”, denunciou.

Um dos manifestantes, o jovem Herycson Ferreira dos Santos, amigo da vítima Carlos Mota, reclamou da falta de policiamento ostensivo no bairro Pedreira do Instituto. Ele conta que no ano passado passou quatro dias no bairro panfletando na campanha eleitoral. “Não vi sequer um policial por lá”, gritou da plateia.

Além da ausência de policiamento ostensivo, a impunidade também foi apontada como causa do aumento da violência. “Cadê o judiciário que solta bandido para cometer mais crimes”, questionou o vereador André Viana Madeira (PTN). “Moradores do bairro Pedreira também são vítimas da violência e morrem de medo de serem atingidos por balas perdidas.”

Já o vereador Jovelindo de Oliveira Gomes (PTC) disse que não basta ampliar o aparato repressivo nos bairros, lembrando que a ausência do Estado com suas políticas públicas de inserção social é também causa do aumento da violência. “É preciso abrir escolas técnicas nos bairros e aumentar a presença de grupos voluntários e da ação social.”

O vereador contou que ele também já foi vítima de assalto na cidade. “Estive com um revólver apontado no peito. Felizmente mantive a calma. O assaltante foi embora levando meu celular.”

Policiamento

O tenente Fabrício Salazar, assessor de imprensa do 26º Batalhão da Polícia Militar, disse que foi intensificado o policiamento ostensivo nos bairros com maior incidência de violência na cidade. Além do bairro Pedreira do Instituto, ele aponta também o centro da cidade com grande número de assaltos e de outras formas de agressões contra o cidadão.

Mas ele também acha que só o policiamento não basta para conter a violência. “Além da presença ostensiva da Polícia Militar, são importantes também as investigações da polícia civil na prevenção e identificação de quem está em conflito com a lei, além de ações sociais que amenizem os efeitos do desemprego, que é grande na cidade”, salientou.

Para o policiamento ostensivo e preventivo em Itabira, o 26º batalhão conta com cerca de 200 policiais. “É um contingente suficiente, desde que as ações repressivas e preventivas sejam desencadeadas em conjunto com ações assistenciais e educativas”, insistiu o policial.

Ele informou que a polícia já identificou e prendeu um dos assassinos do jovem morto no bairro Pedreira e que também foram detidas as principais lideranças dos dois grupos violentos que atuam por lá. “Não podemos falar em grupos organizados, mas em bandos que agem com violência, inclusive com participação de menores.”

O tenente discordou da pesquisa que aponta Itabira como uma das cidades brasileiras com os maiores índices de violência no país. “Tivemos realmente uma maior incidência com o fim das grandes obras na cidade e com o consequente aumento da população flutuante. Mas nos últimos meses, nossos registros sinalizam queda das ocorrências.”

Com ele concordou o delegado regional Paulo Tavares, para quem a violência em Itabira não foge da anormalidade existente no país. “Se não houver uma mudança na legislação penal, e no caos social que beira a guerra civil, essa situação vai prevalecer. Itabira não é mais violenta que outras cidades de seu porte”, assegurou.

Compartilhe.

Sobre o Autor

3 Comentários

  1. cristina silveira on

    saúdo o grupo, Itabira pela Paz! louvo a manifestação. a saída é esta, ocupar a câmara. a periferia de itabira deve ocupar os espaços públicos, mostrar a sua cara. que tenham coragem! que resistem sempre!
    abraço, cristina

  2. Aguilay Silveira on

    Parece que vivo na Síria.
    Aí que saudade da liberdade de poder andar a noite na rua, sem ficar preocupada.
    As ruas estão desertas

  3. Pingback: Audiência Pública debate segurança com saudade do regime militar

Deixe um comentário