Para onde caminha Itabira após a exaustão mineral, indaga o empresário e jornalista Marco Antônio Lage

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Itabira vive um momento crucial em sua história, com a iminente exaustão de suas minas – Cauê exauriu no início deste século e as Minas do Meio já estão praticamente exauridas, enquanto Conceição segue firme e célere pelo mesmo caminho, garimpando industrialmente o pouco que ainda resta de itabiritos.

A exaustão final deve ocorrer a partir de 2028, conforme a própria mineradora Vale tem reiterado por meio dos relatórios anuais Formulário 20F (Form20), o último publicado em 19 de abril do ano passado, apresentado à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos. Leia mais aqui.

Diante desse quadro de quase fim de festa, o empresário itabirano e jornalista Marco Antônio Lage, diretor de Comunicação e Sustentabilidade da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), teme que a sociedade itabirana se divida em grupos antagônicos na campanha para as eleições de 4 de outubro.

Segundo ele, se isso ocorrer, a divisão pode dificultar, ou atrasar, a definição de uma estratégia para pavimentar caminhos alternativos que levem à diversificação e à sustentabilidade da economia local.

Organização

Marco Antônio Lage propõe a união da sociedade civil em torno de um programa de desenvolvimento para Itabira (Fotos: Carlos Cruz)

Para evitar que isso ocorra, e para que seja estabelecido um programa de desenvolvimento, o jornalista propõe a realização de um fórum permanente de debates sobre o presente e o futuro do município.

Esse fórum, segundo ele, deve ser liderado por meio de uma organização suprapartidária, com participação de entidades da sociedade civil (Acita, sindicatos, Interassociação, clubes de serviço, Comitê Popular dos Atingidos pela Mineração, Prefeitura, Câmara).

“Itabira precisa pensar na convergência das lideranças em torno de um projeto mínimo de sustentabilidade e que sejam estabelecidos objetivos e metas para que as ações possam ser colocadas em prática no curto, médio e longo prazo.”

O empresário fez essa proposta em entrevista, em 16 de dezembro, após participar do lançamento do Programa de Eficiência Energética, da Cemig, pelo qual a estatal investiu cerca de R$ 600 mil na substituição de aparelhos de esterilização (autoclaves) e lâmpadas do Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD). Leia mais também aqui.

De acordo com o empresário, no caso de Itabira se dividir irremediavelmente em uma eleição que tende a ser polarizada, como ocorreu na eleição presidencial, mesmo com o lançamento de várias candidaturas majoritárias, corre-se o risco de perder um tempo precioso na busca das condições necessárias para assegurar a sustentabilidade futura da economia local. Isso caso não encontre um ponto de convergência.

“Não falo em consenso político-partidário, mas de unir em torno de algumas ideias, de um projeto de desenvolvimento”, explica o jornalista empresário, que ocupa cargo de confiança na estatal mineira, nomeado pelo governador Romeu Zema (Novo).

Candidatura 

Marco Antônio Lage é filiado à Rede Sustentabilidade, diretório de Belo Horizonte, mas ele assegura que não sairá candidato a prefeito de Itabira, embora o seu nome tenha tido sido lembrado para disputar a cadeira de primeiro mandatário da cidade pelo ex-vereador Bernardo Mucida (PSB), em entrevista a este site. Leia aqui.

Na entrevista, Mucida disse preferir assumir uma cadeira no legislativo mineiro, já que é o primeiro suplente de sua coligação partidária. Entretanto, pelas últimas movimentações do segundo colocado nas eleições de 2016, a sua declaração pode ter sido um “factoide” político para testar a reação do público em relação à sua possível candidatura, que é praticamente certa de ocorrer nas eleições deste ano.

Estratégia

“A proposta é aglutinar as organizações sociais e promover o consenso possível em torno de um projeto de desenvolvimento, com participação efetivas de lideranças das organizações sociais já existentes na cidade”, é o que defende Marco Antônio Lage.

“O debate político partidário é importante para estabelecer as diferenças, mas que esse antagonismo não atrapalhe o encaminhamento do que precisa ser feito de imediato para criar as novas bases econômicas e sociais para o município se desenvolver”, propõe o jornalista empresário, que, como Tutu Caramujo, teme a derrota incomparável caso não se faça algo de imediato.

“Definir desde já os caminhos necessários, assim como os atores sociais que serão fundamentais nesse processo, por meio de um consenso programático, não necessariamente partidário, é fundamental para que Itabira não vire uma cidade fantasma”, defende o empresário de Ipoema.

Marco Antônio se coloca à disposição para ajudar na criação desse fórum permanente de debates sobre o futuro socioeconômico, ambiental e cultural sustentável para Itabira. “Temos que estabelecer metas de curto, médio e longo prazo, assim como os mecanismos necessários para que sejam viabilizadas”, sugere.

Tempo perdido

Segundo ele, não dá mais para perder tempo, como ocorreu até agora ao acreditar que esse projeto de futuro venha da empresa mineradora. “A Vale está em apuros, e embora ela seja uma multinacional riquíssima que retira seu produto do subsolo e vende um bem mineral dos mais rentáveis existentes na Terra, não deve exercer esse protagonismo, que precisa ser das lideranças locais.”

Essa distinção, entretanto, não significa excluir a mineradora do fórum de debates das alternativas sustentáveis.  “Depois das tragédias de Mariana e Brumadinho, ela (a Vale) não pode conviver com mais esse desastre socioeconômico, que certamente ocorrerá em Itabira, caso não sejam viabilizadas as alternativas. Sem isso, se Itabira fracassar nesse propósito, será péssimo para a sua reputação internacional”, avalia.

“Que os dirigentes da Vale sentem-se em torno da mesa de negociações e abram o jogo com a sociedade itabirana, fornecendo todas as informações para que seja estruturada uma nova plataforma de desenvolvimento para o município.”

Novos atores

No encaminhamento das políticas públicas de desenvolvimento, tornar-se imprescindível e indispensável a participação da Prefeitura e da Câmara Municipal. No entanto, o empresário entende que o encaminhamento dessa estratégia não pode ser exclusividade do poder público, como até então tem ocorrido, com negociações fechadas e pouco transparentes com a mineradora Vale.

“As soluções não podem vir de cima para baixo. Devem ser debatidas democraticamente com o conjunto da sociedade”, diz ele, que cita, como primordial, a equação da questão de suprimento de água, insumo imprescindível à diversificação econômica e ao abastecimento da população itabirana.

“Como cidadão itabirano desejo participar desse projeto de construção de uma sociedade sustentável para se viver no futuro. Eu mesmo planejo passar a minha velhice por aqui, em Ipoema. Mas quem vai querer viver em uma cidade sem futuro, degradada?”, indaga.

“Quero contribuir para que isso não aconteça, para que os imóveis da cidade não continuem sendo desvalorizados pelas barragens e pelo futuro ainda incerto de Itabira.”

N.R.: Texto corrigido. Marco Antônio Lage é filiado à Rede Sustentabilidade e não ao Partido Verde como havia sido anteriormente registrado.

 

 

Sobre o Autor

8 Comentários

  1. Mauro Andrade Moura em

    Faço votos sinceros que este Fórum funcione e nos dê uma luz no fim deste túnel que avança a um buraco sem fim e totalmente escuro.

  2. Reinaldo Luiz Vieira - Ipoema em

    Não acredito na exaustão mineral até 2028. Há pouco tempo a Vale investiu R$ 3 bilhões de reais em Itabira. Para sómente 15 anos depois acabar??? Tem coisa aí que não encaixa!!!!

  3. Edirson de Assis Ferreira, em

    A VALE INVESTIU NÃO 3 BILHÕES, MAS SIM 4.5 NO PROJETO ITABIRITO DURO. A EXAUSTÃO EM 2028 É REAL, ISSO PORQUE, O CUSTO OPERACIONAL PARA EXPLORAÇÃO DO MINERAL NÃO SERÁ SUFICIENTE PARA MANTER A MINA EM OPERAÇÃO.

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  4. Pra começo de assunto, o Marco Antonio – filho da adorável Nice -, parece candidato. Não posso avalia-lo ideologicamente, entrementes a sua líder é Marina Silva, flor que não se cheira, ressentida (um veneno pra política), fraca fraca, fraca. Mas de todo modo poderá vir a ser um nome para as próximas eleições, no mínimo é melhor que os ronaldos e joãos (esse foi uma vergonha pros pretos). Eu não teria problema em votar nele, mesmo sendo eu de esquerda revolucionária, por cauda de que é preciso tirar a prefeitura das garras venais. E sugiro, se sair candidato formar um time de candidatos à câmara de vereadores intelectualmente capazes na defesa da Cidade.

  5. José Antônio Lopes em

    Tivemos esse Fórum durante alguns anos na Acita, com participação de várias entidades. Dele surgiu uma proposta que foi entregue à Câmara Municipal. O Poder Executivo também foi convocado, mas não houve o respaldo necessário do Poder Público para que a proposta pudesse ter seu caminhar adequado.
    José Antônio Lopes – Ex-Presidente da Acita.

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