Pandemia chega com força aos países pobres e sem estrutura para enfrentar a covid-19

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Se países desenvolvidos, com sistema de saúde moderno e bem equipado, enfrentam a pandemia com grande número de mortos, como será agora que o coronavírus (covid-19) chega com força aos países mais pobres, como o Brasil, com tantas desigualdades sociais, moradias precárias e grandes aglomerados nas favelas?

Por sorte, ou por ciência, prefeitos e governadores, em sua maioria, não seguem a linha irresponsável do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) – e decretaram estado de emergência em saúde.

Com isso, todo comércio considerado não essencial foi fechado por tempo indeterminado. E a recomendação é para que a população fique em casa.

As medidas são tentativas, até aqui bem-sucedidas, para conter a disseminação do vírus em curto espaço de tempo no Brasil, para que o sistema de saúde nos estados e municípios não entre em colapso.

Se todos os leitos e UTIs disponíveis forem rapidamente ocupados, como já está acontecendo na cidade de São Paulo, muitos pacientes com quadro agudo da doença podem ficar sem atendimento, o que fatalmente resultará em um maior número de mortes pela doença.

Não é uma gripezinha. A covid-19 mata e não tem vacina. Só resta ficar em casa

A covid-19 não é uma gripezinha, como achou que fosse, no chute, o presidente Jair Bolsonaro. O seu grau e letalidade é muito maior que a influenza (H1N1), a gripe suína que, entre junho de 2009 e agosto de 2010, matou mais de 18 mil pessoas em todo o mundo, mas que hoje já tem vacina para imunizar as pessoas dos grupos de risco.

O coronavírus, além de ter um grau de letalidade maior, dissemina com muito mais facilidade, contagiando grande número de pessoas ao mesmo tempo.

O quadro se agrava nos países pobres uma vez que boa parte de sua população é do grupo de risco – e vive em condições precárias de moradia e higiene.

Só no Brasil, até às 17h30 de ontem, quarta-feira (15), foram registrados 28.320 casos de pessoas infectadas, com 1.736 óbitos, fora as mortes que não foram notificadas – e que em sua maioria nem será.

Em Itabira, tem-se o registro de 308 casos suspeitos de infestação pela covid-19. Desses, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, 237 já cumpriram o isolamento domiciliar de 14 dias, enquanto 71 pessoas continuam sendo monitoradas.

A cidade já tem registro de um óbito entre as cinco pessoas já testadas positivas com o vírus. Três permanecem em isolamento domiciliar e um paciente já se encontra recuperado, livre da doença.

Nova onda

No mundo, o coronavírus já matou mais de 130 mil pessoas. Atinge 185 países de todos os continentes, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Só até quarta-feira foram notificados 5 mil novos óbitos, com maior incidência nos Estados Unidos, cujo tresloucado presidente também desdenhou do vírus.

O avanço da pandemia tem sido maior também na França, que estendeu a quarentena até 11 de maio. Isso mesmo com o risco de o país amargar a pior recessão de sua história, com queda de 8% do PIB neste ano, anunciou o ministro da Economia, Bruno Le Maire.

Por cautela, os franceses só sairão da quarentena por etapas, conforme adiantou o primeiro ministro Emmanuel Macron. Mesmo assim o governo francês recebe críticas dos professores por querer o retorno das aulas também em 11 de maio.

“Não é hora de voltar às aulas se as crianças não podem nem mesmo abraçar os coleguinhas, já que são vetores e podem provocar mais contaminações”, defende a professora Amélie Delphine Manon, em entrevista ao El País.

O temor é de se ter uma segunda onda da pandemia ainda mais violenta e mortal. Na França, a pandemia já matou mais de 15 mil pessoas e ainda tem feito muitas vítimas.

No destaque, criança em local sem saneamento básico: risco maior com outras comorbidades, mesmo entre jovens (Foto: El País)

 

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