Os normais anormais tomam conta do país e levam a colônia ao caos jurídico e econômico

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Mauro Andrade Moura

Os brasileiros sempre foram um caso a ser bem estudado, nunca finda a problemática existencial dos mesmos.

O sentido de nação iniciou-se em 1808 com a chegada da Coroa e a transferência da Metrópole ao Brasil, primeiramente em Salvador e depois transferida para o Rio de Janeiro.

Povo multicultural com a formação quase que totalmente por emigrados nos decorrer dos seus quinhentos anos, tendo sido a formação da economia por exploração máxima de suas riquezas naturais, o que perdura até os tempos atuais.

As transformações econômicas mundiais nestes quinhentos anos, a mudança do meio econômico do mercantilismo à industrialização, a presença marcante do capitalismo no atual sistema econômico brasileiro e a força que tudo isso faz no modus vivendis do cidadão em si.

Entre o apego à exploração das riquezas naturais e do trabalhador pelo modo de produção capitalista e os meios da distribuição da riqueza em tentativa simples pelo modo socialista, presenciamos hoje uma convulsão social no Brasil.

O subalterno Deltan Dallagnol conversa com o chefe, o ex-juiz e ministro da Justiça Sérgio Moro (Fotos: Agência Folha)

O país teve um governo de cunho socialdemocrata em poder pleno por doze anos, que seriam quatorze mas os dois últimos foram de total ingovernabilidade pela própria base parlamentar do governo juntamente com a oposição.

Apesar de todos os programas governamentais de distribuição de riqueza dentre os brasileiros, os mesmos podem ser considerados como somente um princípio de tudo o mais que poderia ter sido feito, principalmente na distribuição de terras devolutas de nosso território nacional.

Fica, entretanto, preservado o programa “Bolsa Família”, o qual governante nenhum tem coragem de extinguir.

Após a derrubada do governo de cunho socialdemocrata com base centrista em 2016 e no meio do turbilhão das ações promovidas pela tal operação “Lava Jato, tendo como base os preceitos da lei “Delação Premiada”, que nada mais é que o retorno da Santa Inquisição ao Brasil, presenciamos fatos escabrosos em nossa sociedade.

Em 2018 tivemos uma campanha presidencial conturbada por um mero juiz federal e a liberação de gravações proibidas pela própria justiça.

Agora, em princípios de junho de 2019, novamente esse mero juiz federal travestido de ministro da Justiça passou a ser capa de jornais e revista após liberação de arquivos e gravações espúrias do mesmo em conluio com um promotor de justiça.

Estes dois servidores da Justiça, que deveriam demonstrar mínimo denodo com o nosso Código Penal, o tratam como uma lei qualquer e, em conjunto, promovem o achincalhamento de um cidadão e sua prisão.

Ilustração: Aroeira

Se os mesmos ditos super juiz e super promotor da Justiça são tão capazes para as suas atividades laborais, os mesmos deveriam demonstrar melhor desempenho funcional e agirem de acordo e apreço com o que reza nas leis vigentes do Brasil, principalmente a nossa Constituição Federal e o nosso Código Penal.

Para os normais anormais, os ditos “super” fizeram o que fizeram porque era preciso. Não digo que não era preciso acabar com as quadrilhas que açambarcam nossas riquezas, mas que o façam dentro da legalidade, pois se fizeram com um à margem da lei – e deu certo –, terão o ímpeto de fazer com todos que julgarem ser necessário e forçarem as barras da lei.

Chicana processual feita por juiz só tinha visto ser feito por um, agora já são dois juízes chicaneiros e este segundo auxiliado por um promotor de justiça.

Prevaricação sempre ocorreu no Brasil, infelizmente, mas essa e aquela levam ao sentido da fraude processual.

A política republicana brasileira, desde o golpe de sua instalação em 1889, praticamente nunca pode ser levada a sério, mas para a justiça e seus meios de promoção, a seriedade deve vir em primeiro lugar.

Aos normais anormais, essencialmente a classe média brasileira de má formação social, Maquiavel é supremo, pois, realmente, não interessa os meios e sim os fins…

 

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3 Comentários

  1. Cristina Silveira, Sem Esperanza em

    Mauro querido, quero lembrar que temos dois símbolos de Nação neste país esquizofrênico: o Jardim Botânico e a Biblioteca Nacional, no Rio. Você viu o Savonarola no Senado? Que horror, o chefe da Milícia, o Moro, ficou à vontade, os senadores não foram capazes de lhe contrapor, senti a ausência do senador Requião e da deputada Jandira Fegahli. Acho que a ditadura miliciana está se aproximando. Miserabilidade!!!!!!

  2. Mauro Andrade Moura em

    Prezada amiga Cristina, fico mesmo somente com os nossos símbolos nacionais, o Jardim Botânico e a Biblioteca Nacional legados de D. João VI.
    Infelizmente, o resto é resto e o fascismo já se apresenta ao forçar a emissoras de televisão e grandes jornais a proibirem seus jornalistas e cronistas em se expressarem em pleno uso da palavra.

  3. Veladimir Romano em

    Bastante oportuno e texto elucidativo sobre tal situação bizarra que o Brasil ficou atravessando quando uns quantos do rebanho retardado e de alma reacionária, colocaram por vingança contra as idiotices de alguns membros do PT, infelizes oportunistas, fizeram subir ao Palácio maior, algumas vespas envenenadas.

    Melhor talvez seja entregar ao Sérgio M. a seguinte: “ab absurdo ad huc sub judice his esta de vitam eternam…?” ou bem entendido na filosofia metafórica do momento vivido… “será o juiz o absurdo da vida entretido e convencido do eterno da vida…?”

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