Ódio, traição, falsidade e negócio sujo destroem grandes florestas tropicais

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Veladimir Romano*

Duas ações pela proteção ambiental decorreram separadas por dias: a primeira ocorreu no aparente paraíso de Monte Carlo, quando foram discutidas questões ligadas à preservação dos oceanos, organizada pela IPCC [Intergovernmental Panel on Climate Change=Painel Intergovernamental da Mudança Climática]. E um outro momento importante para o meio ambiente ocorreu durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, refletindo sobre florestas.

A Europa e o continente americano estão preocupados com terreno perdido, com as oportunidades empatadas sobre a realidade climática e os perigos que espreitam o futuro carregado de muitas incertezas.

Já tínhamos desconfiado de que isso poderia ocorrer, devida à linguagem embrutecida e a teimosia negativa, perplexidade, vulgarização, tendência ao genocídio social, ecológico, diplomático, até financeiro que se tem observado alhures.

Trata-se de um completo desastre não só no comportamento como por meio de estratégias administrativas daqueles que servem a interesses contrários à humanidade. São golpes sujos contra a natureza, enquanto se consome a riqueza natural que deveria ser patrimônio universal.

Natureza pré-histórica

Ìndios pedem proteção: “salvem nossas florestas e deixem-nos viver.” (Fotos: AFSP e Google)

Quando descrevemos palavras acima, debatemos o impactante alarido mundial que se mantem aceso em torno dos mais recentes acontecimentos na grande floresta tropical da imensa América Latina. Respeitável pedaço da natureza pré-histórica, a floresta Amazônica deveria merecer mais respeito daqueles que ocupam o Poder.

Mas não é o que se observa: após assumirem o poder, logo se transformam em monstros manipulados pelo outro poder financeiro, que comanda a humanidade ao longo das gerações, destruindo tudo quanto se atravesse no caminho egoísta, manipulador, tanto quanto especulador.

A obsessiva mania de acumulação de bens financeiros gerou no capitalismo veneno que um dia lhe será fatal.

Quem mora fora do imenso território das florestas assisti estupefato e com agonia à violenta destruição passo-a-passo dos valores planetários sem piedade, tudo nas mãos de quantos marginais que são os donos da vida, enquanto o mundo reage, ainda atônito, em defesa do planeta. E se preocupa naturalmente com tamanha casta ignorante sem justiça ou defesa capaz, eficaz e certeira.

Imagens da insensibilidade

Mais se acrescenta no terror das imagens tamanha insensibilidade daqueles que sendo responsáveis pelos destinos da humanidade, que são os governantes, manifestem idêntico nível da ignorância, leviandade sobre assuntos tão sérios quanto os desafios que a Natureza nos vem colocando.

“Tigrina/Beleza Felina, elástica, plástica/Imagem selvagem/Da vida inserida/No Verso-Universo/Da mata!” (Carlos Drummond de Andrade)

Na distância é impossível não distinguir os níveis da indignidade, revolta, reflexos pró-justiça no imediato; porém, a Humanidade somente despertou por ser no símbolo máximo da floresta amazônica e, desta ocasião, atravessando aos países vizinhos onde a floresta desmarca fronteiras: a causa afinal é uma só.

Enquanto fogos consomem a preciosidade selvagem, outras paragens perdem igualmente milhares de acres no continente africano, asiático e europeu. Para refletir seriamente todo um mundo em alvoroço incansavelmente avisado pela classe cientifica, se disfarçam os mais ambiciosos terroristas ambientais.

“Muriqui, muriqui, tu estavas aqui/Bem antes do europeu, bem antes do progesso/Teu alegre saltar entre ramos e ventos/Vai ficando tão longe. Onde estás muriqui?/És apenas lembrança/De um tempo que eu não vi.” (Carlos Drummond de Andrade)

Não nos têm faltado alertas de como a força capitalista induzida no complexo panorama neoliberal [sempre]sem piedade coloca o dinheiro como valor supremo. Nega assim a pessoa humana, a vida e os seus valores. O importante mesmo para o sistema é acumular riqueza a qualquer custo nem que para tanto se vá destruindo o planeta.

Autêntica obsessão materialista incontrolável, estupidamente alimentada por quantos negrumes consumidores existenciais quando eleitos por gente absurda, avarenta, elegendo sem avaliar as consequências, como se observa em grande parte do mundo, inclusive, e precisamente no Brasil.

É aqui que o processo democrático peca, se emperra com eleitores gananciosos derrotando uns, alimentando esperanças malignas de outros tão ignorantes quanto aqueles eleitores ao elegerem a pior escumalha de dirigentes.

Negócios escusos 

Mas é assim que também se abrem portas dos negócios ainda mais sujos dos grupos políticos que souberam, com mentiras, conquistar a confiança do jumento que se julga rei da cocada, a tal maioria imbecil ou manipulada na mentira bem construída, vistosa, elegante, mas consumida embora disfarçada em esterco.

O fogo destrói a floresta e a sobrevivência nas florestas

Desde a Indonésia, pelo Laos, Malásia, até aos Camarões, Gana, Angola, Brasil, ou mesmo nas várias latitudes europeias; o fogo se instala, devora, avança, se mantém como real perigo instantâneo com o qual vamos vivendo.

O acontecimento da má gestão se junta ao oportunismo das forças do mal alimentando churros falsos, altamente prejudiciais ao pensamento social, à ética e aos valores profundamente humanos. Alimentando vão também o desespero, a melancolia dos povos indígenas, arquitetos sobreviventes da grande epopeia desta selva tropical.

O luxo de alguns será certamente a miséria e a indigência de muitos. Já sabíamos e a cada dia ficado ainda mais claro que o atual sistema político, comercial, até judicial é incapaz de promover respostas sérias, adequadas, claras, totalmente esclarecidas aos problemas ambientais.

É assim que manifestam absoluta imprevidência, fragilidades, completa impunidade aos protagonistas do processo econômico lucrativo. Vão se assim alimentando como abutres, contribuindo para a destruição do que resta das florestas tropicais.

“Que rumor é esse na mata?/Por que se alarma a natureza?/ Ai… É a moto-serra que mata/Cortante, oxigênio e beleza.” (Carlos Drummond de Andrade

Dois terços das florestas localizadas na Malásia, Indonésia, Birmânia, Papua Nova Guiné são consumidas pelo Japão e países europeus. Cada floresta tropical continua alimentando o enorme eixo comercial de madeira, com fins agrícolas, da pecuária e mineração.

Assistimos frustrados a tudo isso. Acompanhamos imagens revoltantes e que inquietam, construindo símbolos imprudentes de tanta destruição promovida direta ou indiretamente por políticos, governantes, bancos, firmas, rancheiros ricos, agências internacionais de investimento, especuladores.

Enfim, qual jogo de forças com tremendo poder destrutivo, determinam o fim de cada floresta, em nome de uma agenda bem lucrativa para eles, não para a humanidade.

Muito ainda teremos de escrever sem evitar complexas discussões, aprofundando cada explicação… Entretanto, já sabemos onde mora a mensagem diabólica.

Enquanto não voltamos ao assunto, ampliando a discussão, e cruzarmos os braços, vão se ampliando as destruições e o negócio sujo, capas de maiores  atrocidades suicidas sobre a riqueza natural das florestas tropicais.

*Veladimir Romano é jornalista e escritor luso-caboverdiano

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