O sonho do bicampeonato mundial acabou para o Flamengo. E Jesus, o Mister, não é Deus. Deu o Liverpool em Doha

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Luiz Linhares*

O sonho acabou. Toda a força da paixão flamenguista se calou no último sábado (21), quando o time foi batido pelo campeão da Europa, o Liverpoll, com gol do brasileiro Roberto Firmino na prorrogação. E, assim, o sonho de repetir o feito de 1981 não se realizou.

Como brasileiro torci e acreditei que o Flamengo seria uma pedra dura a ser batida, como de fato acabou sendo. O rubro-negro foi um adversário à altura dos ingleses que criaram mais e conseguiram ser eficientes quando necessário.

Vi uma partida equilibrada, falando em posse de bola até que foi mostrado um jogo franco. Mas as chances reais foram mais do Liverpool. E quando se tem um jogo com este desenho, um simples erro pode significar o fim, como acabou acontecendo.

No Brasil de hoje toda a idolatria aos treinadores que veem de fora. No meu modo de ver, o Jorge Jesus, o Mister como tem sido chamado, teve sua prova de fogo nessa partida.

No Brasileirão passeou folgadamente. Na Libertadores passou aperto e teve momentos de super sorte. Já no Catar, em Doha, na decisão do mundial considero que roubou o bicho.

Simplesmente matou a criação do Flamengo quando tirou do jogo Arrascaeta e Everton Ribeiro. Tirou a criação, tirou o termômetro do time e abriu espaço para o crescimento adversário. Ai se fosse um Mano, um Vanderlei, um Renato Gaúcho ou mesmo um Tite, seriam todos crucificados em praça pública.

Na minha maneira de ver, está de parabéns o Flamengo pelo ano e conquistas. Pelo mundial não mereceu toda a festa que lhe foi feita. Jorge Jesus não é tudo isso que se vende.

O que fizeram com o Cruzeiro, meu Deus, é resultado da incompetência e má gestão

Com sucessivos erros administrativos, a torcida cruzeirense agora vive um amargo pesadelo com o time na série B. Mas tudo isso passa (Foto: Marcelo Alvarenga/FolhaPress)

Meu Deus, meu Deus, o que fizeram com o Cruzeiro. Uma semana inteira de negociações, do disse me disse e quase uma condenação direta aos dirigentes que levaram o Cruzeiro a viver o pior momento de sua história.

O Cruzeiro é hoje um clube em estado falimentar. Sem receita, sem comando e sem rumo. Deve a Deus e a todos, desde o funcionário mais simples, aquele de salário mínimo, até aos consagrados atletas de milhões.

A que ponto chegou. Não restava outra saída a não ser a renúncia geral e coletiva de todos, demorada até. Foi a prova da incompetência, da má gestão e outras coisas mais.

Espero que culpados sejam punidos. O que não pode é o torcedor passar por tudo isso. Que o Conselho de notáveis, ricos empresários, paguem por tudo o que o Cruzeiro e o seu torcedor estão passando. Salvar este clube centenário é o aqui e agora.

Ter que passar pela série B, e com poucos recursos, é o de menos pelo desastre que se formou. Tomara que possamos todos relembrar em breve de tudo isto apenas como uma prova de incapacidade.

Várias frentes se formam e arregaçam as mangas. A primeira missão é pagar contas e os salários. E formar um time para evitar algo ainda pior. Um ano de estabilidade e retomada é o desenho ideal para o que vem.

Ainda sem treinador, Atlético precisa de reforços para voltar a ser forte e vencedor

Ainda sem técnico, Atlético precisa de reforços para voltar a ser vencedor, como foi em 2013 (Foto: Bruno Cantini/Divulgação)

Já o Atlético não atravessa o caos do rival, mas também não tem o mar tão calmo como deveria. O torcedor vive a expectativa de um treinador. Falaram de Luxemburgo, sonharam com Sampaoli e nada até agora.

O nome da vez agora é o do treinador da Seleção Venezuelana, Rafael Dudamel, ex goleiro de seu país, que vem fazendo um bom trabalho por lá. Na onda de treinadores de fora, pode ser este mais um importado.

Para o torcedor nada de novo, ou pior: perdeu Luan, um queridinho que se foi e nada muito diferente. Fala-se ainda na saída de Chará, Cazares é sempre um nome badalado. Mas contratações, gente boa que chega para qualificar o time até agora nada.

Que o Dudamel venha com muita vontade e força. Se ele conseguiu fazer a seleção da Venezuela merecer atenção e mostrar qualidade, porque não ajudar o Galo voltar a ser forte e vingador? É o que a torcida merece e espera para o próximo ano.

Boas festas

No mais, resta-nos rememorar, ainda que com tristeza, o ano que se passou sem alegrias para o futebol mineiro. Que em 2020 possam soprar novos ventos trazendo as mudanças necessárias. Desejo a todos um Feliz Natal e um Ano Novo melhor, com saúde, trabalho, harmonia e a paz que todos nós merecemos. Tim-tim.

*Luiz Linhares é diretor de Esportes da rádio Itabira-AM

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