O Rio que resiste. Duas classes e um único propósito

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Cristina Silveira, do Rio

Dia 2 de outubro, a cidade amanheceu quente, calor abafado. Também um dia esperançoso no exercício da cidadania. A esquerda vermelha e a social democracia se encontram em pontos de resistência da cidade, em defesa da soberania nacional.

Depois de Brasília e Belo Horizonte, chegou a vez do Rio; o Clube de Engenharia abriu o seu auditório para o lançamento da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Soberania Nacional –, presidida pelo senador Roberto Requião (PMDB-PR) e pelo deputado Patrus Ananias (PT-MG).

O senador Roberto Requião (PMDB-PR) acha o Brasil grande demais para ficar atrelado à geopolítica de outros países (Fotos: Cristina Silveira)

Requião, abriu a sua fala ironizando a presença maciça de cabelos brancos na audiência. Depois, falou sério: “A organização dessa Frente Parlamentar é um capítulo de um processo antigo, e ela é de todos nós. O Brasil é grande demais para não ter projeto próprio e ficar atrelado ao projeto geopolítico de outros países”.

Patrus Ananias iniciou a sua fala citando a frase, “País soberano é o país que cuida de sua gente”, frase de um quilombola maranhense que ele não citou o nome. E completou: “Querem passar a ideia de que o país se desenvolve abrindo tudo para o capital estrangeiro. Não é verdade. O Brasil se desenvolve a partir de suas potencialidades locais e regionais, valorizando seus recursos, formando empreendedores, estimulando o cooperativismo e a economia solidária. Queremos um país que cresça a partir de nossas potencialidades. ”

Mas a estrela brilhante do Ato foi o chancelar Celso Amorim. Aplaudidíssimo e de pé,foi ovacionado a ser candidato ao governo do Rio, pelo PT. Celso Amorim é uma esperança norteada por Lula. Que Yemanjá nos conceda a graça!

Chanceler Celso Amorim foi ovacionado como futuro candidato a governador do Rio

Também presentes, o economista Carlos Lessa, o ex-prefeito Saturnino Braga, Maria Prestes, viúva do revolucionário Carlos Prestes, o ator Benvindo Siqueira, o cineasta Luis Carlos Barreto e também estava lá o site Vila de Utopia. Pouquíssimas pessoas pretas, nenhum analfabeto, muita cordialidade e todos irmanados em um único propósito: livrar o Brasil dos predadores, dos adoidados no poder.

Do Clube de Engenharia ao Terreirão do Samba

Água e Energia com Soberania, Distribuição da Riqueza e Controle Popular foram as temáticas do oitavo encontro do MAB – Movimento dos Atingidos (as) por Barragens no Brasil. De primeiro ao dia 5 de outubro, quatro mil pessoas, incluídos representantes de África, América Latina e Europa estiveram no Terreirão do Samba na Praça XI para tratar a questão da soberania nacional e resistir ao desmantelamento do país pelo governo golpista.

No palco do grande Terreirão, a banda tocava e um boneco gigante representando o revolucionário russo, Wladimir Lenin com traços de Padim Padre Cícero, circulava entre mulheres e homens de foice nas mãos. Maioria de pessoas pretas, de baixo letramento, baixa renda, maioria jovem, bela, alegre, colorida e muito muito inteligente, mais capazes e preparados para o futuro do que os branquinhos de shopincenter da classe média. Uma esperança de Brasil Brasileiro.

Movimento dos Atingidos por Barragens no Brasil: mobilização permanente

Dia 3 de outubro, aniversário de 60 anos da Petrobras, com Lula e o povo presente em frente ao prédio da Petrobras, do Banco do Brasil e BNDES, popularmente chamado Triangulo das Bermudas.

A juventude do MAB/Vale do Aço alegrou o Ato com seus tambores e tamborins.

E Lula subiu ao palco, todo de preto, boné branco do MAB na cabeça, e, saiu de jaleco laranja da FUP, com boné vermelho do MST. Entre afagos da militância, o nordestino forte rasgou o verbo e ganhou saudações e louvações com as palavras finais no aniversário da Petrobras:

“Podem me atacar, eu sou apenas um ser humano. Já tenho 71 anos, vou completar 72. O que eles têm de saber é que o Lula não é o Lula, o Lula é uma ideia assumida por milhões de pessoas, e eles não sabem que o Lula já renasceu em milhões de mulheres e homens deste país. Se preparem, se preparem, porque o povo trabalhador vai voltar a governar este país. ”

 

 

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1 comentário

  1. Mauro Andrade Moura on

    Uma luz no fim do túnel.
    Pelo menos uma frente parlamentar em favor de nossa soberania e patrimônio nacional, contra a liquidação barata a toque de caixa.

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