O que se pensa que é? A santa permanece no poço não tão santo

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Deu nesta Vila da Utopia uma notícia de caráter duvidoso, ofensivo; pessoas, às escondidas (aí fica devendo na lei, malandragem; pisa ligeiro…), botaram no degradado Poço da Água Santa o fragrante do Crime de Ignorância e Desrespeito ao sagrado.

Abandonaram, entre catinga pós sexo e defecação e lixo pós droga, a imagem de uma Nossa Senhora. Sacrilégio! Ofensa aos católicos, dado que uma imagem deve, antes à veneração, ser consagrada em rituais celebrados pela santa madre igreja. Estas pessoas anônimas desconhecem o elementar das liturgias católicas.

O papa Francisco ficaria pasmo, se lesse o artigo do Moreno das Itabira. Já eu, fiquei foi besta, indignada com a atitude autoritária de um micro poder que não reconhece o Público, como um bem comum do povo. Percebi, no ato de abandono da imagem na podridão local, a vulgaridade de pensamento.

Vi no ato, a tensão de quem esconde a delinquência inconsequente, como se fosse coisa de moleque e não é molecagem.Por pura imaginação minha,vi um bando de evangélicos dinheiristas enfurecidos de ódio a fragmentar a imagem da cabeça aos pés. Problemão! Nossa Senhora Aparecida sabe do que se trata…

Pensar é um exercício dificílimo, mas há quem pensa, formula, elabora, constrói, mas também há os que pensam que pensa, aí é que a vaca se atola no delírio sem fim do nada para o nada.

Don Carlos e equipe estiveram no poço. Fotografaram a santa, ouviram a vigilante da Itaurb e ficaram sabendo quem colocou a imagem. E ficou por isso mesmo (Foto: Carlos Cruz)

Água é um bem de todos para todo mundo, por ser vital na Terra. As nossas águas estão minguando ou cobiçadas pelo capital internacional, como é o caso do negócio sujo que faz o presidente Usurpador Temeroso, com a venda do Velho Chico.

O poço da Água Santa não merece o destino de má sorte da lendária serra do Caué. Por desejar um Poço da Cidade para o Povo, um Poço Laico, é que apresento um artigo do prof. Freire. Leitura pra refletir sobre o caso, por quem pensa e fala sério.

Itabira merece ter de volta o seu Poço, com gameleira, cipós, tudo como era. Itabira merece, pela irreparável e continua degradação ambiental; pela usurpação da cultura de seu povo; pela decomposição do tempo, da memória, Itabira merece um alento. Itabira merece que sua gente se apodere do território, da Cidade, merece o Poço para cura e divertimento da molecada.

(Cristina Silveira)

Aproveitamento das águas de Itabira

Prof. J. Marinz Freire(Do Instituto Histórico e Geográfico)

– Publicado em O Diário, BH, 10.10.1948

Ao ensejo da publicação de algumas notas colhidas na secular cidade de Itabira, quando lá estive a serviço do governo do Estado, por volta de 1942, envio daqui as minhas cordialíssimas felicitações a todos ao itabiranos, estejam onde estiverem, pela feliz efeméride que, com tão justo orgulho festejam pessoal ou espiritualmente.

Deixando a parte histórica a cargo dos meus ilustres colegas do Instituto Histórico e Geográfico, darei aqui uma rápida notícia de algumas riquezas pouco conhecidas naquela terra fartamente obsequiada pela natureza.

Tratarei, principalmente, do estudo de suas águas termais e radioativas ainda não exploradas: –  a Água Santa, no coração da cidade e a do Giráo.

Sobre a primeira, que nasce sob uma frondosa gameleira, entre blocos de canga, à temperatura de 23º e ligeiramente magnesiana, o grande naturalista Augusto Saint-Hilaire escreveu o seguinte: “Fui recebido em Itabira pelo capitão Manoel Pires, para quem o coronel Antonio Tomaz me deu uma carta de recomendação. O capitão me acolheu com aquela polidez amável que eu havia então observado entre todos os mineiros. Era ele um homem instruído e espirituoso que sabia latim e francês: lera muito Delius e possuía sobre a metalurgia conhecimento mais vasto do que o geral dos mineradores brasileiros. O capitão Pires me falou acerca de uma fonte à qual dão nome de Água Santa devido à propriedade que lhe atribuem de curar reumatismo. Fui visita-la com o meu hospedeiro. Após ter passado ao lado do morro oposto à vila de Itabira, chegamos a uma gruta que se estende obliquamente à terra. A entrada é quase tapada por cipós fetos e outros criptógamos que cruzam em redor dela. É do fundo da gruta que sai a fonte d’Agua Santa, que cai sobre rochas formando uma pequena cascata. Perto desta cascata uma segunda que se mistura nas águas da primeira. Não encontrei nenhum paladar nem numa e nem noutra e não me parecem diferir das demais águas senão por sua elevação de temperatura que aliás é a mesma nas duas fontes, pois a fonte d’Agua Santa é mais quente do que a cascata que reúne a ela. ”

A segunda fonte é a do Giráo – a 15 quilômetros da cidade e situada no pé da Serra D’Agua Quente numa altitude de 800 metros, aproximadamente, em terreno de idade arqueano, fazendo-se a emergência pelas fraturas de gneiss. Em 1928, o dr. José Andrade, após minucioso exame apresentou um relatório que veio provar, com sua capacidade,de mestre, a riqueza que se está perdendo sem um motivo até então justificado.

Ele encontrou duas nascentes com a temperatura 35º5 e 32º8 centigrados, respectivamente, sendo de 13º a temperatura ambiente, na ocasião. Essa água, que possui radioatividade, revelou, na fonte de temperatura mais elevada, o seguinte teor de emanação de rádio, por litro de água na emergência:

Em unidade marcha – 35 32.

Em milimicrocuries – 14.128.

Em gramas segundo – 0.00677.

Na outra fonte com a temperatura mais baixa, os valores obtidos para radioatividade foram os seguintes:

Em unidade marcha – 4083.

Em milimicrocuries – 16.333.

Em gramas segundo – 0.00783.

Contém ainda, o relatório acima citado as análises químicas chegando a conclusão de que a água é perfeitamente potável, isto é, pode ser considerada boa para a alimentação.

Entretanto, o que mais me chamou a atenção foi o seguinte tópico: “Nas fontes do Giráo encontramos teor bastante e evado de emanação de rádio em solução nas águas. Aliando esta propriedade á temperatura, permitindo utilizá-lo sem aquecimento ao menos para banho normal, devemos colocar essas fontes nos grupos das termais radioativas.

Elas apresentam vazão aproximada de 15.000 litros a mais quente e 76.000 a outra, em 24 horas prestando-se, pois, a exploração industrial.

Deve-se observar, além disso que, com a capacitação conveniente, é possível aumentar a vazão e, provavelmente a temperatura e radioatividade”, termina assim o de. Andrade. Posso pois adiantar que poucas pessoas sabem que na proximidade desta capital, se encontram riquezas dessa natureza, mergulhadas no esquecimento, aguardando melhores dias.

Ao regressar de Itabira, tive oportunidade de fazer uma das minhas costumeiras visitas ao meu bom amigo prof. Lourenço Baeta Neves, de respeitável e saudosa memória, obsequiando-lhe, nessa ocasião, com uma fotografia da planta cadastral daquela cidade por mim levantada e desenhada.

Ele havia feito idêntico trabalho em 1912 e executando ainda os estudos e serviços de abastecimento dágua, trabalho que, apesar de mal conservado e já deficiente vem funcionando admiravelmente bem durante esse longo período de 30 anos, como tive oportunidade de ressaltar em meu relatório aprovado pela secretaria de Viação, em 9 de outubro de 1942.

O prof. Lourenço Baeta Neves, com aquele sorriso e aquela amabilidade que o caracterizam, me disse: “Itabira está fadada a um futuro; eu acompanhei, de perto o caso da Itabira Iron, lá estive por várias vezes em contato com aquela gente boa e posso asseverar que é chegado o momento de se aproveitar criteriosa e vantajosamente a sua enorme riqueza”. As suas palavras foram proféticas e tudo se vem realizando, para felicidade desse pedaço de Minas Gerais, pois a Companhia Vale do Rio Doce, como é sabido transformou aquela cidade em um grande centro industrial, aumentando consideravelmente o seu comércio e, principalmente o número de habitações.

Resta-nos, agora a esperança de que sejam essas águas aproveitadas, não com suntuosos balneários, porém com a simplicidade que os coloque em situação de prestarem aos que de fato necessitam, os benefícios de suas ótimas qualidades termais e radioativas.

 

 

 

 

 

 

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Sobre o Autor

8 Comentários

  1. Mauro Andrade Moura on

    É muito triste presenciar uma bizarrice dessa em transformação de uma lugar de uma “ÁGUA SANTA” para adoção de um poço da “SANTA DA ÁGUA”.
    Tomei muito banho ali com meu tio Góes quando era menino e não me lembro de santa-do-pau-ôco nenhuma por lá exibe no meio do poço como hoje está essa daí.

  2. Cristina Silveira, Eleitora de Lula Lá on

    Se Don Carlos, for padre, aí a situação fica propícia ao vandalismo. Se o padre não se importa os vândalos podem ficar à vontade. Pode-se atacar, destruir e limpar a área. O que não seria vandalismo seria justiça com as próprias mãos, é ruim heim?
    E você querido camarada Mauro Aníbal, tem na memória a delícia do banho e em companhia do galanteador Gózinho, de boas lembranças….

    • Meu pai tomou banho no dia do seu casamento no poço da água santa. Difícil ver q. poderia até atrair turistas se fosse cuidado e tirado o esgoto do lado ,cadê prefeito q. não faz nada para evoluir nossa querida Itabira? Na prefeitura tem tanta gente à toa. Só conheço poucas q. realmente trabalham. Tristeza

      • Cristina Silveira on

        Eugênia, que lindo o seu pai ter tido a ideia de banho no Poço antes do casamento. É delicadeza com a cidade, com ele e finalmente com a noiva. Quem sabe um dia você poderá ir no Poço, tomar um banho pensando, sugiro, o quanto atitudes singelas pode engrandecer as pessoas. Obrigada por esta informação poética, me fez bem… beijoca prôce e pro seu pai.

  3. marconi Serafim de Assis Ferreira. on

    O sujeito que teve a ideia de colocar aquela imagem naquele bosteiro. Caso ocupe um cargo de confiança, deveria ser exonerado imediatamente, e preso.
    O desgraçado não deveria ocupar cargo algum. Naquele local jamais apareceu nada sobrenatural. Pena que aos dirigentes da Igreja católica de Itabira não manifestaram. A vigilância sanitária está em silêncio. Enquanto isso, pessoas estão ingerindo aquela agua contaminada.

    • Cristina Silveira on

      marconi, o brasil virou uma suruba em que os insignificantes e ignorantes estão a todo vapor. O problema é que por estudos da Ipos o brasileiro é o povo mais ignorante do mundo, isto quer dizer que ele não tem percepção da realidade. Tamo ferrados.

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