O neoliberalismo, que começa a ser derrotado, e o seu vocabulário

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Rafael Jasovich*

Uma clara reconfiguração vocabular está em curso na sociedade brasileira desde 2014 para escravizar você de um modo infalível, inatacável: por você mesmo.

O método é simples, o novo léxico chega diariamente pela tevê, jornais, revistas e se espalha depois em forma de ódio pela internet. Mas você, incauto leitor, cheio de preconceitos contra toda forma de humanidade, não consegue enxergar que:

Ensinaram você a chamar o seu sofrimento de “superação de limites”.

Ensinaram você a chamar o esvaziamento das suas garantias sociais de “controle do déficit público”.

Ensinaram você a chamar exploração da carga individual de trabalho de “propósito”.

Ensinaram você a chamar os cortes e o fim dos investimentos públicos de “reforma” ou “descontinuação”.

Ensinaram a você a chamar sua aposentadoria de “seguridade privada”.

Ensinaram você a chamar perda de direitos trabalhistas de “empreendedorismo”.

Ensinaram você a chamar injustiça social e individualismo egoísta de “meritocracia”.

Ensinaram você a chamar a defesa do patrimônio público e dos recursos naturais brasileiros de “aparelhamento do estado”.

Ensinaram você a chamar qualquer manifestação artística ou cultural de “mamata”.

Ensinaram você a chamar qualquer forma de debate ou defesa do contraditório de “mimimi”.

Ensinaram você a chamar a defesa da Constituição e das instituições brasileiras de “comunismo”.

E quando você estiver esgotado, subtraído, crucificado e sozinho com esse glossário de palavras novas que lhe ensinaram, talvez entenda tudo o que fizeram com você.

Por enquanto, não. Por enquanto, você está remediado demais com as importantes conquistas dos trabalhadores do passado, que lutaram por você.

Por enquanto, você ainda é incapaz de reconhecer que não passa de gado neoliberal.

America Latina começa a ficar de pé novamente

Alberto Fernández, presidente eleito da Argentina: Lula Livre (Reprodução)

Evo Morales na Bolívia. Um milhão de pessoas contra o projeto econômico no Chile. Equador tem levante da população. Uruguai clama ditadura nunca mais.

Macri foi derrotado nas urnas na Argentina. Alberto Fernández, presidente eleito, pede Lula Livre.

Daqui a alguns meses, no entanto, você também estará incendiando os trens que hoje o levam para o pelourinho. A gente se encontra lá.

*Rafael Jasovich é jornalista e advogado, membro da Anistia Internacional

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