O garoto propaganda do corona todo dia acorda feliz

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Por Beatriz Diniz

Todo dia, desde o início da pandemia no Brasil, Jair acorda pronto pra missão: protagonizar suas próprias campanhas mórbidas de achismo e desinformação. O garoto propaganda do corona e da covid todo dia acorda feliz.

EcoDebate – O presidente do país se dedica diariamente a encarnar a comunicação que mobiliza para o que não fazer e para a garantir a livre transmissão do corona. Tem sido um sucesso matador. 

Um ano passou sem controle da pandemia aqui. O resultado: mais de 250 mil pessoas mortas, profissionais de saúde esgotados fisicamente, afetivamente e mentalmente, sistemas público e privado colapsando, famílias afetadas, destroçadas, e os efeitos em diferentes segmentos da população brasileira do que já ocorreu que vão se acumular aos que ainda virão. 

Todo dia Jair levanta o traseiro murcho da cama pra protagonizar suas campanhas contra o enfrentamento da pandemia, a favor do corona e da covid, com negação da Ciência, da gravidade do vírus e da doença, da segurança de vacinas, e de desrespeito às medidas sanitárias pra proteção individual e coletiva. 

Todo dia o presidente repetindo desinformação, deboches, mentindo, enganando gente humilde e agradando as elites mesquinhas cheias de colonialismo nas suas mentes perversas. Todo dia ele receitando “tratamento precoce” que não existe e remédios com efeitos colaterais que não previnem, não tratam nem curam covid, desdenhando de vacina. 

Todo dia Jair se exibindo sem máscara. Todo dia aglomerando. Todo dia desinformando. Todo dia comunicando o oposto do que precisa ser comunicado. Todo dia um show de negacionismo do presidente, o capitão do “governo” federal. Todo dia ele faz tudo sempre igual…

Se joga pro corona, bora ter covid é a mensagem diária do Jair

Depois de dois ministros civis, Jair meteu um militar obediente a ele no comando do ministério da saúde e mantém, sem ser efetivamente incomodado, a descoordenação do enfrentamento à pandemia. O “governo” federal não tá enfrentando a pandemia.

Taí a realidade de livre transmissão do corona e suas variações, de casos confirmados de covid e de mortes de brasileiros. Taí a campanha de não vacinação, não tem vacina pra todos e nem confiança pra achar que vai ter em breve. 

Prefeitos, governadores e políticos de estados e municípios em sintonia com empresários e comerciantes pressionando pela liberação de atividades, não investiram em preparar cidades e pessoas pra situação que requer cooperação pra superação de dificuldades e impedimentos.

E por isso trabalhadores expostos ao corona no transporte coletivo e no caô do “todos os protocolos recomendados”, como medição de temperatura no pulso, inclusive sem condições de comprar máscaras em quantidade suficiente pro uso diário. 

Não investiram em testagem e rastreamento, resistiram a lockdown, não agiram pra haver segurança nas atividades [adequação de escolas públicas, aumento das frotas de transporte coletivo, fiscalização] e liberaram geral. Também se ostentaram sem máscara, aglomerando e imitando o Jair. 

Não investiram na comunicação do que importa de forma abrangente e constante. Quem sabe o que é uma pandemia? Quem sabe o que é um vírus? Porque comunicação na pandemia começa por explicar tudinho pra que haja compreensão e, assim, engajamento nas medidas de proteção individual e coletiva.

Ainda têm a covardia sem vergonha de culpar as pessoas generalizadamente. Isolamento, distanciamento, uso de máscara e álcool em gel, recusa de “tratamento precoce” inexistente, ficou tudo nas costas da sociedade, como se fosse escolha individual [não é!]. Exatamente como Jair tem mobilizado o país com sua comunicação diária. Sem máscara, aglomerando, desinformando. Promovendo o se joga pro corona, bora ter covid.

E toque de recolher agora, depois de meses imitando o Jair, não vai mudar por milagre o que as pessoas receberam de desinformação e exemplos contrários ao que se deve fazer. Quanto mais gente contaminada, mais gente morrendo, é uma lógica simples. Quanto menos gente contaminada, menos gente morrendo.

A aposta do Jair contrariando o mundo inteiro foi dobrada por políticos em estados e municípios, tá sendo cobrada em vidas. Sistemas de saúde público e privado tão colapsando ou à beira do colapso em todas as regiões do país.

 Jair é a comunicação encarnada do “governo” federal

 Talvez o presidente consiga erradicar os piolhos no Brasil. E isso, além de não ter graça, tá custando caro demais pra qualquer pessoa ainda sã. Aliás, custaria caríssimo pra qualquer sociedade que não deseja viver em barbárie. São vidas perdidas, histórias, afetos, perdas, traumas e sequelas. Esse custo altíssimo o Brasil tá obrigando a gente a enfiar goela abaixo por causa da tolerância das elites a Jair. 

E já que faz questão de gritar que é ele que manda no boteco, que ministros têm que seguir os achismos e negacionismos dele, obedientes, não tem como dissociar a conduta que o Jair ostenta do que faz ou não faz o “governo”. É dele a responsabilidade pelo fracasso estampado em casos e perdas definitivas de vidas.

Pandemia é a disseminação de uma doença no mundo todo. Não se supera sem cooperação. E sem comunicação não tem cooperação da sociedade. Era pra comunicação dos governos federal, estaduais e municipais estar planejada conforme projeções e evolução, o comportamento e a resposta da sociedade em relação às medidas de proteção individual de impacto coletivo. 

A comunicação governamental pra enfrentar a pandemia teria que suprir necessidades de informação, engajamento e inspiração dos segmentos da sociedade. Teria de ser de massa, em todos os meios, no máximo de canais, todo dia o dia todo. Aí vem o Jair sem máscara, aglomerando, desinformando. 

Uma pandemia só termina quando as pessoas são reunidas, convencidas, mobilizadas pelo propósito de cooperar com o coletivo. A função da comunicação é informar, engajar, inspirar nesse sentido. E quem informa o que, quem engaja em que, quem inspira o que? Jair sem máscara, aglomerando, desinformando, a comunicação encarnada do “governo” federal.  

Jair comete infrações de medidas sanitárias sem vergonha nem receio. Não é punido, ao contrário, é normalizado como maluco, irresponsável. Só que Jair não rasga dinheiro, é responsável pelo que diz, faz e não faz, manda fazer ou não fazer como presidente. 

Governadores e prefeitos, que decidiram desconsiderando recomendações e análises de especialistas, seguindo o negacionismo primitivo do presidente, também são responsáveis como o Jair. E não aprendem, porque enquanto concordam com Jair ganham abraços héteros, mas, viram vilões quando discordam do Jair em favor da população. Não são gestores, são contadores de cálculo eleitoral fazendo a conta errada, somando mortos.  

 Em tempo: A Associação Brasileira de Saúde Coletiva [Abrasco] alerta aqui para a urgente necessidade de o Brasil superar a negligência e a desorganização impostas pelo “governo” federal ao enfrentamento da pandemia. Entre as medidas prioritárias: Campanhas massivas de comunicação sobre o cenário atual da epidemia no país, formas de prevenção e a importância da vacinação.

Beatriz Diniz é jornalista especializada em Gestão Ambiental, marketêra de conteúdo relevante e social media marketing de meio ambiente e sustentabilidade desde 2009. Empreende a eiiamoreco comunicação de propósito.

Imagem: Arte urbana no Centro do Rio. Foto de Beatriz Diniz

 

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