O futebol como ele é: quem está por cima cai, quem está por baixo avança

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Luiz Linhares*

A palavra equilíbrio é o que melhor define a situação do Campeonato Brasileiro após a realização da quinta rodada do turno. Às vezes, e até de forma incorreta, nos assustamos com alguns resultados.

Atualmente, no futebol brasileiro até encontramos alguns times com melhor condição financeira e mais planejados nesse quesito – e por tal conseguem formar equipes repletas de bons valores, de atletas que se despontam pelo próprio Brasil ou mesmo repatriados de clubes europeus.

Cruzeiro toma goleada do Fluminense com queda de produção no Brasileirão (Foto: André Melo Andrade/AM Press e Images/Folhapress)

Nesse tema sempre os colocamos como fortes concorrentes e postulantes a brigar por títulos. Mas a maioria vive grande crise, sem a grana em espécie e nem mesmo atletas como moeda de troca. Digo atletas que possam ter mercado, possam ser valorizados e cobiçados por outros clubes.

Juntando a tudo isso, temos também os frequentes atrasos de pagamento ou direito de imagem que acabam gerando uma perda de rendimento, tornando o grupo pesado e sem domínio.

A última rodada traduz tudo isto em alguns resultados alcançados dentro do campo de jogo. Os mineiros traduzem bem isso. Quem diria que o Cruzeiro cairia tanto de rendimento nesta fase inicial do campeonato? Um time que vinha sendo uma grande sensação, que há poucos dias mantinha a melhor campanha de todos os clubes da divisão principal do nosso futebol, passou todo o campeonato estadual com quinze rodadas sem perder, que manteve uma campanha limpíssima na fase de grupos da Libertadores só conhecendo derrota na última rodada última da disputa, quem esperava que caísse tanto de rendimento?

Perder por goleada para um adversário em formação, com a maioria de garotos promovidos da base, não tem explicação. Difícil é achar o porquê desse baixo rendimento. Será uma fase passageira ou mesmo resultado de desgastes decorrentes de constantes jogos e competições?

O fato é que nada acontece do nada. Ou será que algo se passa nos bastidores do time cruzeirense que não sabemos, seja no relacionamento de seu treinador Mano Menezes com todo o grupo, ou salários e premiações por conquistas não honrado? O certo é que não é normal esse baixo rendimento.

Vitória justa

Um desenho diferente posso também fazer para a bela vitória alcançada pelo Atlético contra o Flamengo, o todo poderoso mengão, um dos maiores investimentos do país na montagem do grupo. Verdade que o time carioca esteve no campo ofensivo de forma intensa por um bom período do jogo.

Cazares e Chará foram destaques na justa vitória contra o Flamengo (Foto: Juares Rodrigues/EM DA Press)

Volto à questão do equilíbrio como forma de interpretar o momento atual. Individualmente, o Flamengo é disparadamente superior ao Atlético. Mas acontece que na prática, com a bola rolando o que se viu foram onze caras se doando para superação, unida em técnica apurada em lances decisivos e que assim traduziram para aplicação.

Como resultado a vitória foi justa, por marcar bem, destruir a produção adversária. O famoso aforismo de quem não faz leva se comprovou. E assim o Atlético se mostrou como sempre foi, valente, guerreiro e unido.

Óbvio que ainda se passou pouco da disputa, que é longa. Como em pesquisa de mercado, cada uma faz sua autocrítica e análise, buscando reforços ou situações que possam modificar a história que vem sendo contada.

Simplificando tudo isso: no futebol aqui de Minas estamos vivendo um momento onde o sempre favorito Cruzeiro decepciona e preocupa, enquanto o Atlético, que vinha tendo a desconfiança geral de radialistas e jornalistas, vem surpreendendo seu torcedor, fazendo da superação o seu caminho, com lucros sendo alcançados com louvor.

Não posso deixar de citar o América. Acompanhei o jogo contra o Sport de Recife no Independência e fiquei decepcionado com a equipe de forma geral. O time foi muito improdutivo na criação, com um ataque bastante fragilizado e a defesa que errou quando não podia.

Às duras penas ia conseguindo uma vitória, mas falhou duas vezes. No tempo de acréscimo, levou dois gols e perdeu o jogo. Vai ter que lutar muito, se reinventar para tentar lá no final de novembro sonhar com a volta a divisão primeira.

*Luiz Linhares é diretor de Esportes da rádio Itabira-AM

 

 

 

 

 

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