“O alteamento de uma barragem não a torna insegura”, garante Rodrigo Chaves, gerente da Vale

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A população de Itabira, principalmente os moradores dos bairros que ficam abaixo da barragem do Itabiruçu, ou de qualquer outra barragem da Vale, não precisa perder sono por temer o seu rompimento. Quem assegura é o gerente-executivo da Vale, Rodrigo Chaves.

Ele participou nesta quarta-feira (25), pela manhã, de uma reunião com os vereadores para esclarecer dúvidas sobre os sucessivos alteamentos de Itabiruçu, assim como apresentou o Plano de Atendimento de Emergência de Barragem de Mineração (PAEBM).

Barragem do Itabiruçu terá mais um alteamento, saltando da cota 836 para 850 (Fotos: Carlos Cruz)

Outro assunto na pauta da reunião foram as alternativas para resolver em definitivo o problema de drenagem entre a barragem do Pontal e os bairros Bela Vista e Nova Vista, com impactos socioambientais que se avolumam há mais de 25 anos.

Segundo o gerente da Vale, o fato de a barragem sofrer sucessivos alteamentos não acarreta risco maior de acidentes. “O risco é o mesmo desde o início de sua construção na década de 80 e é controlado. Não aumenta com o alteamento”, assegura.

Esses alteamentos vêm ocorrendo desde o início desta década, quando atingiu a cota 836. Itabiruçu vai ter ainda uma última elevação para a cota 850. “As nossas barragens foram projetadas e estruturadas já sabendo o nível máximo que podem atingir,  diferentemente da barragem que rompeu em Mariana”, afirmou Rodrigo Chaves.

O rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, que não se pode esquecer de lembrar, da Samarco (uma joint venture da Vale e BHP Billinton), dizimou o distrito de Bento Rodrigues, matando 19 pessoas. A lama com rejeito atingiu 40 cidades em Minas Gerais e no Espírito Santo, contaminando a bacia hidrográfica do Rio Doce.

Técnicas seguras

Vista geral da barragem do Itabiruçu pelo Google

“Agora, às 10h30, estou com dois filhos e a minha esposa em casa, abaixo da barragem de Conceição. Sabem qual é a minha preocupação? Nenhuma”, tranquilizou Rodrigo Chaves.

Essa confiança, segundo ele, advém da certeza de que a construção da barragem observou desde o início as melhores técnicas de engenharia. Isso além de seguir todos os procedimentos e as normas de segurança necessários para garantir a sua estabilidade. E é submetida, como todas as outras, semestralmente a auditorias externas.

Conforme explicou o engenheiro Quintiliano Guerra, responsável técnico da Vale pelas barragens, o alteamento de Itabiruçu para a cota 850 será feito à jusante do maciço. “Terá aterros controlados atrás e na frente. O maciço da barragem vai ficar mais robusto para suportar um volume maior de rejeito de forma segura e controlada”, garantiu.

Desemprego

Sem o alteamento da barragem do Itabiruçu até 2021, que saltará da cota 836 para 850, metade da produção de cerca de 50 milhões de toneladas anuais de minero em Itabira será paralisada.

Se isso ocorrer, segundo Rodrigo Chaves, provocaria o desemprego de mais 4 mil pessoas, que representam uma folha salarial superior a R$ 500 milhões por ano. Em impostos, União, Estado e Município perderiam R$ 1,6 bilhão anuais.

Reserva legal

Para o alteamento final, será suprimida a Reserva Legal existente em Itabiruçu, mas será mantida a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) na mesma localidade. Para a sua compensação, a reserva será realocada para outra  no município com o mesmo tamanho e equivalência ecológica.

“Essas medidas terão de ocorrer de acordo com o Termo de Compromisso de Compensação Florestal Minerária (TCCFM n° 019/2016), pelo qual a Vale assumiu as obrigações compromissárias, referentes ao alteamento da barragem de Itabiruçu com uma área de 349,60 hectares, segundo o artigo 75 da Lei 20.922/2013, analisado no processo”, informou a Superintendência de Meio Ambiente de Minas Gerais (Supram-MG) a este site.

Plano de Contingência

Em cumprimento ao Plano de Atendimento a Emergência de Barragem de Mineração (PAEBM), a Vale já está instalando equipamentos de alertas sonoro (alto-falantes), conforme previsto pela legislação, em vários pontos da cidade que podem ser impactados por um eventual rompimento de suas barragens.

Em conjunto com a Defesa Civil de Itabira está promovendo o aprimoramento dos planos existentes. “Começamos a discussão desse plano com a comunidade em 2017. Todos que moram na área de influência serão treinados para saber o que fazer, qual é a rota de fuga para o caso de ocorrer um rompimento”, adiantou Rodrigo Chaves. “Estamos trabalhando para esse plano ser implantado até o ano que vem.”

Vereador pede ao Copam que realize Audiência Pública em Itabira

O vereador Neidson Freitas quer mais diálogo com a Vale e já solicitou ao Copam a realização de uma audiência pública

O presidente da Câmara, Neidson Freitas (PP), considerou positiva a reunião com a Vale por restabelecer o diálogo, que ele vê como necessário e que seja permanente.

Segundo ele, a reunião serviu para esclarecer diversos aspectos que preocupam os vereadores e a população itabirana.

“Esperamos que novas reuniões aconteçam para não pairar mais dúvidas sobre as atividades da empresa em nossa cidade”, se comprometeu a promover.

Neidson também solicitou à Supram-MG que realize uma audiência pública em Itabira antes de liberar a Licença de Operação Corretiva (LOC) para o alteamento, já realizado, da cota 833 para 836. O licenciamento deve ser aprovado ainda neste semestre. Para a cota 883, o licenciamento deve sair nesta sexta-feira (27).

A Vale já solicitou a Licença Ambiental Corretiva (LAC1) para elevar a altura da barragem para a cota 850. Esse alteamento, segundo Rodrigo Chaves, precisa estar pronto até 2021, sob pena de paralisar todo o complexo Conceição. Com o alteamento final, será possível dispor rejeito na barragem pelo menos até 2030. É o que a Vale projeta.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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