Nova variante P-1 pode ser explicação para as UTIs cheias em Itabira e tem sido mais letal entre jovens no país

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A médica pediátrica paulista Ana Maria Escobar, em postagem na rede social, alerta para os riscos da nova cepa que está se espalhando pelo mundo – e que muito provavelmente já se encontra com transmissão comunitária em Itabira, a variante desenvolvida em Manaus (AM), a P-1.

A nova cepa, resultado das mutações do novo coronavírus (SARS-CoV-2), ao que tudo indica é mais transmissível e possui mais resistência aos anticorpos, assim como as mutações N501Y e E484K podem estar presente nela, como ocorre também na variante sul-africana. E pode também causar reinfecção.

Pesquisas em laboratórios já identificam essa cepa como sendo mais letal pela maior resistência aos anticorpos –e é o que tem levado à ocupação das UTIs em todo o país. É o que se observa neste mês de março, com o colapso simultâneo do sistema de saúde em todo o país – e Itabira não é exceção.

A médica Ana Escobar chama a atenção para o novo vírus que tem levado jovens sem comorbidades às UTIs em todo o país (Fotos: Reprodução e Carlos Cruz)

A consequência é o aumento do número de óbitos por falta de tratamento intensivo, que, mesmo tendo índice de não recuperação elevado, ainda salva vidas. De acordo com o boletim epidemiológico de sábado (7), Itabira já registra 9.513 pessoas infectadas pelo novo coronavírus, com muitos possivelmente por essa nova variante de Manaus.

Já não há mais vagas nas UTIs do Carlos Chagas, que atende 100% pacientes SUS, e também no Nossa Senhora das Dores, inclusive para pacientes particulares e de convênios. Nas enfermarias, que não têm as mesmas condições de atendimento de casos mais graves, a taxa de ocupação está em 69,1% – isso se não se não aumentou de ontem para hoje.

“A situação em todo o país é muito grave. E é fácil de entender como essa variante P-1 se espalhou rapidamente pelo território nacional, principalmente pela mobilidade de jovens, que têm sido as maiores vítimas dessa nova cepa.”

Mas há outro facilitador dessa disseminação geral da P-1, como explica didaticamente a médica Ana Escobar. “Esta variante é capaz de entrar mais facilmente nas células das pessoas. É como se vírus tivesse uma chavinha mais afiada, que facilita a entrada nas células.”

Daí que mais gente tem sido contaminada em todo o país. “Com a maior facilidade de o vírus entrar nas células, o grau de infecção é maior. As consequências são os quadros mais intensos e graves da doença, aumentando a pressão por atendimento nas UTIs.”

A médica chama a atenção para um fato novo nesses tempos de pandemia. “Essa variante P-1 está infectando mais os jovens, que saem mais às ruas. As UTIs já estão recebendo um maior número de pessoas na faixa etária de 18 a 59 anos, principalmente entre 35 e 50 anos”, enfatiza.

Outro fato que chama a atenção, segundo a médica, é que as internações são de jovens sem comorbidades, até então considerados fora dos grupos de risco. Por isso, a médica faz um apelo aos jovens: “Não venham com essa conversa que está cansado da pandemia, que não aguenta mais, que vai para a balada, para a praia. Não é hora para isso.”

Ela pede aos pais que conversem mais com os filhos, que os convençam a sair menos e ficar em casa. “Este é o momento de todos ficarem alerta, em estado de atenção permanente com as medidas de proteção que são seguras: o uso de máscara principalmente, higienização das mãos, distanciamento e sempre que possível ficar em ambientes ventilados.”

De acordo com Ana Escobar, esse estado de alerta deve permanecer até que todos tenham sido vacinados. “Mas isso vai demorar muito a acontecer, no passo em que estamos andando. Por isso é preciso ter todo o cuidado. É o apelo que faço a todos, principalmente aos jovens: cuidem-se e cuidem das pessoas que estão em sua volta”, insiste a médica, preocupada com a despreocupação dos jovens, como se não existisse pandemia.

 

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