Nova Canção do Exílio

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Carlos Drummond de Andrade

Um sabiá

na palmeira, longe.

Estas aves cantam

um outro canto.

O céu cintila

sobre flores úmidas.

Vozes na mata,

e o maior amor.

Só, na noite,

seria feliz,

um sabiá

na palmeira, longe.

Onde tudo é belo

e fantástico,

só, na noite

seria feliz.

(Um sabiá

na palmeira, longe.)

Ainda um grito de vida e

voltar

para onde é tudo belo

e fantástico,

a palmeira, o sabiá,

o longe.

Rio – 1943

Drummond: Revista de Cultura Brasileña, Espanha, 1981.

Canção do Exílio

Gonçalves Dias

Minha terra tem palmeiras.

Onde canta o sabiá;

As aves, que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,

Nossas várzeas têm mais flores,

Nossos bosques têm mais vida,

Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras.

Onde canta o sabiá.

Minha terra tem primores,

Que tais não encontro eu cá;

Em cismar – sozinho, à noite

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras.

Onde canta o sabiá.

Não permita Deus que eu morra

Sem que eu volte para lá;

Sem que desfrute os primores

Que não encontro por cá;

Sem qu’inda aviste as palmeiras

Onde canta o sabiá.

Coimbra – 1843

Gonçalves Dias

Carlos Drummond de Andrade (Itabira do Mato Dentro, 31 de outubro de 1902 – Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987)

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