Não deve faltar água em Itabira neste ano, mas moradores reclamam da qualidade. Saae diz que é das melhores de Minas Gerais

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Neste ano dificilmente irá faltar água em Itabira – e não é por ter sido aumentada a capacidade de captação, adução, tratamento e distribuição das quatro Estações de Tratamento de Água da Pureza (ETAs) Gatos, Rio de Peixe e Três Fontes.

Esse acréscimo ocorreu em abril de 2016, quando foi inaugurada a ETA Rio de Peixe. E deve ocorrer no próximo ano com a expansão da ETA Gatos.

Mas a água não deve faltar neste ano simplesmente porque São Pedro resolveu ajudar. “A água está vertendo normalmente em nossos mananciais, graças às chuvas de agosto. Há muitos anos não vejo isso acontecer”, observa o engenheiro Jorge Borges, diretor-técnico do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae).

Manancial da Pureza abastece cerca de 60% da população itabirana e está bom bom nível de água (Fotos: Carlos Cruz)

Neste ano choveu um volume maior que nos anos anteriores. O período chuvoso foi também mais estendido.

As chuvas que geralmente fecham o verão em março só deixaram de cair em maio, abastecendo ainda mais os aquíferos.

E o fim da estiagem neste ano veio mais cedo. Em agosto já estava chovendo em Itabira.

Entretanto, de acordo com o diretor-técnico do Saae, o período crítico ainda não passou, mas ao que tudo indica não será severo. “É no ‘verão seco’, que começa depois de 15 de agosto e prolonga até setembro, que a água fica escassa”

Por isso, o risco de racionamento no fornecimento de água, mesmo que remoto, ainda existe. O temor é que a antecipação do período chuvoso possa ser seguida de uma estiagem tardia. “Se neste ano o ‘verão seco’ começar em outubro, aí pode complicar”, adverte.

Tanques de decantação na ETA da Pureza

Para o caso disso ocorrer, além de a população ter de enfrentar o racionamento, e fazer uso racional da água (o que deve ocorrer em qualquer período do ano), o Saae já está preparado para buscar reforços próximos de seus mananciais.

“Estamos com grupos de geradores preparados para fazer captações emergenciais no caso de vir esse período crítico”, assegura.

Esse momento crítico ocorre quando a disponibilidade hídrica em Itabira, que normalmente é 400 litros por segundo (l/S), cai para menos de 300 l/s.

Ocorrendo esse déficit, os bairros mais afetados são os localizados em regiões altas. “Temos como fazer manobras para diminuir o impacto, caso mais adiante ocorra uma estiagem.”

Ampliação da oferta

Água já clarificada, quase pronta para consumo

Segundo Jorge Borges, se adotada a medida emergencial, será pela última vez. Isso porque, no próximo ano a Prefeitura promete concluir a ampliação da ETA Gatos, assim como a interligação de todas as ETAs por meio de um anel hidráulico.

Essa ampliação reforça o sistema em 100 l/S. Com isso, Itabira disporá de 500 l/s de água tratada – e em condições de ser distribuída por toda a cidade.

Pelo cálculo apresentado pelo presidente do Saae, Leonardo Ferreira Lopes, em recente reunião do grupo Água, um litro de água por segundo é suficiente para suprir a demanda de 380 moradores.

Sendo assim, concluída a ampliação da ETA Gatos, Itabira terá água suficiente para abastecer uma população de até 190 mil moradores. De acordo com o IBGE, em 2018 a população de Itabira está estimada em 119 mil habitantes.

Resíduo encontrado em filtro compacto assusta morador do bairro Esplanada da Estação

Se não vai faltar água na cidade, sobram dúvidas e reclamações de moradores, que põem em dúvida a sua qualidade.

Filtro com material gelatinoso: oxidação

Recentemente, um morador do bairro Esplanada da Estação se assustou com o que encontrou, após seis meses de uso, em um filtro compacto utilizado para reter resíduos antes de a água chegar na caixa.

“Havia sobre o filtro um material oleoso, com aspecto de pasta lubrificante e cheiro semelhante a derivado de hidrocarboneto (petróleo) ”, contou o morador a este site.

Ele manifestou o receio de a água que consome em casa estar contaminada com óleo e graxa vindos da barragem Rio de Peixe.

Jorge Borges, diretor do Saae

O diretor do Saae descarta essa possibilidade. “A água distribuída na Esplanada da Estação vem da ETA Pureza.”

Além disso, ele assegura que não há contaminação da água da barragem por derivados de hidrocarboneto.

Diz ainda que, em decorrência de manobras que a Vale tem feito na barragem para aumentar a sua segurança, o reforço para a ETA Rio de Peixe está sendo captado de poços profundos na mina Conceição.

Análise

Material retirado do filtro compacto

O material retido no filtro compacto foi analisado pelo Saae. “É resultado da ação do cloro com micropartículas vegetais, minerais e biológicas. Fica parecido com um gel. É o mesmo material que aparece retido numa vela comum, após muito tempo de uso”, afirma Jorge Borges.

Conforme ele explica, o cloro adicionado na água tem a função bactericida e oxida a matéria orgânica nela contida. “O efeito não afeta a qualidade da água.”

Ao contrário, diz, é o que garante a sua potabilidade. “A água de Itabira é uma das melhores de Minas Gerais, estado que tem fama de ter água de boa qualidade.”

Cor amarelada

Já a cor amarelada da água que vez ou outra é servida nos bairros Pará, Penha e Centro, proveniente dos poços profundos de Três Fontes, Jorge Borges diz ser consequência da ação do cloro com o ferro e magnésio que nela são contidos.

“É na queima desse material pelo cloro que a água adquire essa cor”, explica, reconhecendo que isso é desagradável e a população fica preocupada. “Mas não causa dano à saúde.”

Para amenizar o problema, o Saae identificou os poços que se apresentam com maior volume de resíduos de ferro e magnésio.”Só estamos captando dos poços onde a incidência é menor.”

Segundo Borges, a qualidade da água captada dos poços profundos é a mesma encontrada no santuário do Caraça ou em alguns ribeirões da Serra dos Alves e de Itambé. “É uma água de classe especial. Tem cor de coca-cola”, compara. “No tratamento simplificado, é clarificada.”

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2 Comentários

  1. E em Itabira? E o Museu do Braz? E o Memorial Drummond? Estes lugares estão a mercê dos Secretários e superintendes, presidentes e sei lá mais que cargos, estão paralisados no pó em suspensão no AR. Nada se faz. Nada se produz. Mas pensando agora, como estas casas de cultura de Itabira são da elite pra elite, talvez tanto faz. E outro fato que a mim causa estranheza: a vulgaridade no Poço da Água Santa, imposta por um grupo de criminosos (se fez escondido é porque é crime) e ninguém (não se espera nada de justo do judiciário) e ninguém que quero dizer são as pessoas da cidade, os advogados da cidade tão lustradinhos e bundinhas. No caso do Poço da Água Santa eu acreditei que a cidadania itabirana fosse reagir, mas que nada, ninguém reagiu porque é tudo submisso a MÃE VALE e a famigerada Prefeitura e o prefeito derrotado, inútil, decorativo e enricado Vergonhaço. Vergonhaço.

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