Nacionalistas e liberais são consumidos pelo efeito conservador em todo mundo

2
Compartilhe.

Veladimir Romano*

Repentinamente, o mundo político a nível planetário acumulou nacionalismos doentios entre liberalismo desenfreado consumindo quanto bom senso resista a tanta pressão e juramento diabólico.  Repentinamente, o processo democrático do jeito que se conhece, se encheu de mercenários contra o próprio sistema favorecendo seus caprichos, ultrapassando limites, descontrolando opiniões dos mais entendidos.

Quem se ferrou, verdadeiramente e com certa complacência, são todos aqueles que, acreditando no sistema, votaram em mudanças enganosas, hipócritas, proditória e até perigosas. Parece que os povos não aprendem ou conseguem refletir junto da História, quando chegaram ao poder gente como Adolfo Hitler, Benito Mussolini, Ferdinand Marcos, Oliveira Salazar, Bokassa, Álvaro Molina.

São personagens históricas não muito distantes do perfil de Jair Bolsonaro ou Donald Trump, que vendem processos ilusórios arfando patriotismo balofo, seguidamente, para manter o espírito conservador. Servem assim às elites menores dedicadas ao plano mais liberalista que o capitalismo algum dia sonhou comprar, enquanto uma maioria silenciosa ficou engaiolada quase sem saber como sair dessa situação esdrúxula.

Ainda há quem se lembre do general Charles De Gaulle, Richard Nixon, Jomo Kenyatta, Abdel Nasser, Gamal Ataturk, Muhammad Ali Jinnah. Mesmo com tantos sinais desses tempos conturbados, ainda há muitos que têm dificuldades em compreender certos significados contendo valores, causas,  caminhos por onde povos procuram modernizar a sua existência.

Mesmo com esses exemplos históricos, sempre no meio desse caminho reaparecem incertezas, fronteiras e limitações. Em outras ocasiões, aqui registramos em textos anteriores como se dá essa visão oportunista nessa relação permanente e sensível do homem+política+social+economia. E assim deixam de procurar seu norte mais perfeito mas nem sempre correto.

A segurança não será aquela feita pela lei das armas: mas, nunca! É preciso entregar às gerações seguintes o bastão referente a quantos equilíbrios futuros certos pendores progressistas. Até lá, infelizmente, a razão novamente se perdeu.

Fazendo gato sapato dos eleitores, o patriotismo se alicerça pelos votos do lado cinzento, associado-se nas orientações nacionalistas confundindo e compondo maiorias escassas, enquanto elevadas abstenções se recolhem evitando a frustração dos efeitos do desastre político.

Desse modo, insuficiente fica o processo democrático contemporâneo. Sem respostas para dar, acaba ficando refém do ambiente conservador, criando-se prisão aos restantes de livre pensamento progressista.

E assim, acabam sendo vítimas de um certo egoísmo pessoal daqueles votantes, que julgam salvar a pátria e regenerar a sociedade mantendo numa outra banda de escravos do sufrágio universal.

O flagrante exemplo de Margaret Thatcher nos anos de 1980, tal como agora Donald Trump ou Jair Bolsonaro [entre mais alguns], sendo protagonistas desfigurantes da própria democracia, que acaba por conceder oportunidades a quem monopoliza poderes, desprezando e manipulando cada poder instituído.

O nacionalismo exacerbado e retrógrado encontra respaldo nesse grupo de líderes dos dias atuais, – e assim acaba virando ultranacionalista. Ou ainda, se espelha no neoliberalista disfarçado de liberal e o conservador querendo convencer todo o mundo que ele é o próximo criador estruturalista da nação.

Desta forma, consolidam-se fragilidades próprias ou se afastam da da hierarquia natural, quando no mesmo funcionamento e processo, tomam sentido definições da nova nomenclatura de uma pseudopolítica, pavimentando caminhos reacionários perante a hipótese da concepção do Estado sendo dominado por ocupantes atípicos.

Nessa conjuntura não sobressai qualquer doutrina agregada no processo criativo como instrumento humano que valoiriza o pensamento político mais progressista. Dessa forma,  ainda que alguns não entendam, o Estado Democrático de Direito fica suspenso [exatamente aquilo que oportunistas dos novos regimes estão fazendo], Deixa assim de cumprir as suas funções, perde dignidade. E fica à deriva ou pelo menos em forma extrema numa contra posição artificial.

Vários líderes da recente geração pseudopolítica pensam apenas numa posição financeira que possam favorecer seus grupos e membros mais chegados dentro da elite. A mais recente divulgação da imprensa norte-americana certifica de como o Pentágono assegurou mais de US$ 700 bilhões no próximo orçamento para a Defesa dos EUA, satisfazendo assim o presidente norte-americano as ambições dos empresários da indústria armamentista.

É o que mais se prova que o pânico, ansiedade materialista, baixa moral, abuso de poder acabam por penetrar a divisa belicista. E assim habita espaços obscuros da inteligência, como aglutinando o espírito empresarial em perfeito desespero de causas. E assim envenenam ainda mais o ambiente tóxico, criado por esses novos (ir)responsáveis.

Misturam ainda influências neocapitalistas e regressando ao seu misticismo radical dos tempos da “Guerra Fria”. Já não basta toda ficção política, contudo, será a melhor equânime definição desta aliança contemporânea do alimento transgressor subordinando a Democracia enquanto compromete o futuro humano e social.

E dessa forma seguem ocupando lugares sensíveis disfarçados de nacionalistas, tirando partido do liberalismo e aplicando o pensamento mais conservador como nunca vivido.

A sociedade vai ter de recuperar seu espaço democrático criando novas leis capazes de manter na distância esses políticos oportunistas em busca das vantagens do sistema. E assim buscam ocupa-lo com qualquer tipologia por onde se estabeleçam novos conceitos das próximas ditaduras.

Que assim não seja, é o que se espera. Isso mesmo que a luz no fim do túnel seja muito tênue frente a profusão desses novos títeres que seguem assumindo as rédeas da política pelo mundo.

*Veladimir Romano é jornalista e escritor luso-caboverdiano

 

Sobre o Autor

2 Comentários

  1. História, quando chegaram ao poder gente como Adolfo Hitler, Benito Mussolini, Ferdinand Marcos, Oliveira Salazar, Bokassa, Álvaro Molina.Faltou colocar aqui, Chaves, Maduro, Lula, Morales e outros tantos. Que fuderam às nações que governaram é sempre acha alguém que os defenda.

  2. Mauro Andrade Moura em

    Engraçado que os milicos brasileiros, quando governantes, levaram o Brasil à bancarrota e nos afundaram no FMI.
    Levamos mais de vinte anos para nos livrar desse problema monetário internacional…

Deixe um comentário