Na representação de um puro golpe

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 Veladimir Romano*

Só o simbolismo de um golpe provocado pelos instintos nefastos de gente frenética ou aloucada contra processos democráticos, revela diferenças humanas. Quebram a esperança do benefício social produzido pelas dinâmicas deste processo, qual, ou por onde anda a divisão sentimental das emoções, respeito, ideias, tolerância e partilha civilizada das situações como vive cada sociedade quando o espírito bizarro ocupa lugar.

Quando a experiência nos ensina como a brutalidade pode comandar a vida de milhões e, sendo esses comandantes embrutecidos no seu convencimento das operações, de como eles forjando verdades, se consideram “salvadores patriotas”; então, desconfiar, é obrigação de toda uma sociedade inteligente, pensadora, corajosa, criativa, preparada para proteger sua identidade libertária.

No cenário político europeu e até na imprensa, não escapou a presunção ideológica do governo brasileiro através dos aconselhamentos fanatizados do responsável pelo Palácio Alvorada, manifestando suas inclinações perversas,

Como também ao fazer elogios dentro duma infeliz atuação de fraqueza lembrando o golpe militar que levou a nação verde-e-amarela para dolorosa ditadura ainda hoje marcante na psicose coletiva das populações que sofreram esse rombo nas suas vidas, suportando o seguinte caminho dorido, carregando entre 1964 até 1985, certas mágoas, frustrações, até desconfianças presentes.

Recordando comandos militares insurretos, embora quase de maneira discreta ou não querendo dar muita atenção aos interesses pessoais do presidente brasileiro e da sua elite do momento, não deixou porém de causar arrepios e bate-boca nos corredores parlamentares e redações jornalísticas, a estranha sensação nostálgica de Jair Bolsonaro, varrendo duma ponta até na outra dos governantes europeus, escandalizados pelo comportamento injurioso do capitão sem rumo com sua divisa militarista.

Entretanto, chegou ao mercado livreiro trabalho do investigador brasileiro Roberto Simon, com seu oportuno livro… “O Brasil Contra a Democracia: A Ditadura ou o Golpe no Chile e a Guerra Fria na América do Sul”, baseado igualmente nos documentos recém liberados das instituições secretas dos Estados Unidos.

Do Arquivo da Segurança Nacional [Agency of National Security], depois de 48 anos, se descobre finalmente como o Brasil dos militares golpistas dos anos 60, ajudaram a CIA, o governo de Richard Nixon, Henry Kissinger e o general Augusto Pinochet, preparando tal golpe fatal, chocante e covarde contra o presidente Salvador Allende, eleito democraticamente, três anos depois de assumir e conduzir o poder de 1970 a 73. Talvez inspirando-se aqui, Jair Bolsonaro, ocasiona 57 anos do seu golpe, como real proeza.

Vocacionados ao egoísmo social, manifestando infeliz vaidade junto ao passado tenebroso, ignorante, traumático e sangrento, assim, a Democracia, carregada na changa presidencial, chufa no seu próprio derrotismo relembrando outro general: Emílio G. Médici [governou entre 1969/74], mais um dos mandatários golpistas, na época, fazendo viagem em completo segredo, a Washington, para garantir que o Brasil estaria no golpe chileno, ao quanto já o embaixador brasileiro no Chile: Raúl Rettig, revelaria relatórios acompanhados por outros da espionagem feita pelos agentes deslocados a Santiago, disfarçados de turistas mas criando mapas e calculando qual a dimensão dessa insurgência.

Na representação de um puro golpe, o povo e a História não esquecem… coisa ruim, não serve para comemorar.

*Veladimir Romano é jornalista e escritor luso-cabo-verdiano

Foto: acervo JB

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Sobre o Autor

1 comentário

  1. Mauro Andrade Moura on

    É muito estarrecedor esse momento, pois há pouco tempo saímos de uma ditadura brutal e agora estamos com essa eminência de um golpe da extrema direita a açambarcar mais uma vez a governança do Brasil e subtraindo de todos o direito ao voto popular.

    Recordando ainda que o Brasil bancou a “Operação Condor” e que a partir dela foi que Pinochet tomou o poder no Chile, comandando mais uma ditadura militar atroz por anos naquele país vizinho.

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