Muitos desarmes pela força bruta e pouca arte, os males do futebol brasileiro são

WhatsApp Pinterest LinkedIn +

Luiz Linhares*

Foi um final de semana marcado por decisões estaduais na maioria das federações. Como tenho me tornado um torcedor um tanto quanto exigente, acho que é quase uma totalidade o pedido de perdão de atletas para a bola.

É impressionante como ela tem sido maltratada, mal dominada, mal jogada. Considero que estamos vivendo o pior momento do futebol brasileiro. Não estamos conseguindo formar bons atletas, não temos tido sucesso em seleções de base. E estamos indefinidos em uma seleção que possa ser favorita à conquista de uma copa América. Estamos, sim, em baixa estima, baixa qualidade, com um pobre futebol cada dia mais caro e de menos brilhantismo.

Não sei se o leitor comunga com esse meu pensamento. Sei que em Minas Gerais, em São Paulo, no Rio de Janeiro e no sul do país o que se viu foi força excessiva, muito empenho na destruição e quase nada de técnica, talento. O que se fez valer foi um futebol força para o horror de quem já um dia chegou a ver e acompanhar o futebol arte de algumas décadas atrás.

No campeonato paulista, São Paulo e Corinthians chegaram à decisão com os dois piores ataques do ano entre todas as equipes que participam da serie principal de nosso futebol. O Corinthians sagrou-se campeão com dois gols no jogo após ficar quatro partidas sem sequer alterar o placar.

Se você, caro leitor, acha isto pouco, por que não analisar o titulo mineiro conquistado pelo Cruzeiro? O time celeste ao longo de todo o jogo finalizou três bolas de meia distância – e só. E o gol do empate só saiu em uma penalidade máxima anotada pelo árbitro de vídeo.

Tudo isso precisa ser revisto enquanto ainda há tempo. Apesar da baixa qualidade, o futebol ainda é uma paixão nacional, com estádios cheios em todas as decisões, isso não se pode negar. O que comprova que o futebol é uma grande paixão nacional.

Cruzeiro é campeão sem mostrar bom futebol na final. Mas é favorito no Brasileirão

O Atlético não conquistou o título, mas afirmo que surpreendeu positivamente nos dois jogos decisivos do campeonato Mineiro. Foi para mim muito mais do que esperava.

Sabedor que em clássicos as forças se equivalem por vários motivos, previa que o Cruzeiro não encontraria facilidade. Só não esperava que o Galo se superasse como acabou acontecendo.

Escrevo sobre o segundo jogo, decisivo no estádio Independência. Com casa cheia e incentivo da torcida, o Galo partiu para cima do Cruzeiro. Fez o gol e retomou a vantagem, neutralizando o time azul principalmente no quesito criação.

Cruzeiro é campeão mineiro com empate no Independência (foto: Dudu Macedo/Foto Arena/Estadão). No destaque, ilustração de José Augusto da Silva, reprodução do livro Futebol: arte dos pés à cabeça, de Renata Sant’Ana.

Foi eficiente e só não fez mais por não ter um grupo à altura, sem peças de reposição para manter o ritmo decisivo nos noventa minutos. E também pelo Var que mudou o rumo da partida, com justiça, registre.

O Cruzeiro levou o título sem convencer em nenhum dos jogos. Teve ligeira superioridade no primeiro e ganhou. Mas foi neutralizado e totalmente apático no jogo final. Empatou e levou o título, mas sem merecer.

O Atlético mostrou mais força de decisão, mas faltou-lhe o que sobrou ao adversário: peças de reposição. Perder nunca é bom, o que está feito não esta mais para acontecer.

O Atlético reclamou muito da arbitragem ao longo do jogo final e na atuação do Var, o arbitro de vídeo.

Acho que é correto em contestar o uso excessivo de dúvidas em lances rotineiros. A partida foi paralisada muitas vezes, por falta de confiança tanto do árbitro em campo como o de vídeo.

Concordo com as críticas à demora e à quantidade de chamadas, mas jogar para os árbitros toda a carga da perda do título, eu considero exagero. O lance capital, o pênalti anotado, e que deu a vantagem ao Cruzeiro, fez prevalecer a justiça – e isso é sempre o que buscamos.

Ambos agora vivem a sequência da Libertadores com o Cruzeiro em berço esplêndido e o Atlético ligado por aparelhos. Cruzeiro joga para ser o melhor da fase de grupos e o Galo para tentar um milagre.

No final de semana começa o Brasileirão, com novas esperanças e novos sonhos. O Atlético espera pelo Rogério Ceni e reforços para equilibrar o time. Já o Cruzeiro entra como favorito, com certeza.

Muitos dirigentes do futebol brasileiro desprezam os Campeonatos Estaduais. Alegam que nada valem. E aqui em Minas já até o apelidaram de campeonato rural. Mas o fato é que os estaduais provocam efeitos colaterais, como no Vasco da Gama, que demitiu o técnico Alberto Valentim, enquanto o Ceará demite Lisca Doido e o Goiás rompe contrato com Barbieri.

*Luiz Linhares é diretor de Esportes da rádio Itabira-AM

 

Compartilhe.

Sobre o Autor

1 comentário

  1. Apesar de não ter visto o último jogo entre Atlético x Cruzeiro, e mesmo sendo torcedor do Galo, o Cruzeiro apresentou um melhor futebol neste princípio de temporada, mas creio ainda que o Galo há de superar suas dificuldades. Quanto ao Fred, jogador do Cruzeiro, considero um mercenário, deveria aposentar-se logo após o fim da temporada, enquanto está em alta. O VAR ao invés de ser um facilitador, só piora a arbitragem, aumentando a polêmica. No primeiro jogo houve o pênalti não marcado, mas lance assim sempre vai acontecer, e que serão anotada a penalidade na maioria das vezes. Então sempre haverá o contraditório. Retire o VAR já! Não acrescenta nada para a prática de um bom futebol. Por fim concordo com o Linhares, o futebol arte não existe mais!

Deixe um comentário