Mudanças e alternativas no turismo passam pela cultura

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Itabira, cidade mineradora em processo lento, gradual, mas com tempo já sabido de exaustão mineral previsto para 2028, projeta desde pelo menos o início da década de 1990, tornar-se uma cidade turística e cultural.

Atributos para isso não faltam. O maior deles, para o qual nada contribuiu, tendo sido fruto do acaso, mas que lhe deu notoriedade de classe mundial, foi ter aqui nascido o poeta Carlos Drummond de Andrade (1902/1987). Esse é, sem dúvida, o seu maior atrativo. É poético, é histórico, é cultural.

Drummond é do mundo, mas só Itabira é a sua terra natal, assim como Stratford-upon-Avon, no Reino Unido, é a cidade onde nasceu William Shakespeare – e que ganhou notoriedade por esse feito histórico.

Além de ter nascido em Itabira, o poeta deu à Cidadezinha Qualquer o privilégio de se referir a ela em vários poemas e crônicas. São tantas as referências que fez surgir uma das poucas boas ideias que viraram realidade: o museu de território Caminhos Drummondianos.

A ideia inicial desse museu foi do compositor Newton Baiandeira (1952-2012). Foi ele quem propôs, no dia da morte de Drummond (17 de agosto de 1987, uma segunda-feira), que em sua homenagem póstuma fosse feito um périplo pelos locais citados pelo poeta, onde os respectivos poemas e crônicas seriam lidos. E foi o que fizeram

Anos depois, no governo do ex-prefeito Jackson Tavares (1997-2000) foi implantado o museu de território. A sua instalação fez parte de uma estratégia concebida no sentido de instrumentalizar o município com o legado drummondiano para atrair turistas – e ter o que mostrar, no que incluiu também a construção do Memorial Drummond e o bem-sucedido Museu do Tropeiro, em Ipoema.

Depois disso muito pouco se fez. Entretanto, como assegura quem muito já viveu, nunca é tarde para recomeçar. Hoje, a administração municipal volta a falar em incrementar o potencial turístico de Itabira, o que inclui também o turismo ecológico e de aventura nos distritos de Senhora do Carmo e Ipoema.

Nesse propósito, há de se considerar também a maior mina a céu aberto do mundo tão próxima de um núcleo urbano, com seus caminhões, escavadeiras e o trem maior do mundo. São atrativos tão próximos da cidade que só Itabira tem – e que continuará existindo após a sua exaustão, desde que bem encaminhada para esse fim com os equipamentos que aqui ficarão.

Já há muito a cidade reivindica um quiosque bem montado no alto do que restou da serra do Esmeril. Para o local já houve até projeto da própria Vale que, como muitos, deixou de ser executado. Previa um deque que certamente se tornaria mais um ponto turístico de grande atração.

Também nesses muitos casos de descasos com a cultura se confirma o que escreveu o poeta na crônica Vila de Utopia. “A cidade não avança nem recua. A cidade é paralítica (…).A cidade parece encantada. E de fato o é. Acordará algum dia? Os itabiranos afirmam peremptoriamente que sim. Enquanto isso, cruzam os braços e deixam a vida passar. A vida passa devagar em Itabira do Mato Dentro.”

Que essa letargia é um estorvo histórico ao desenvolvimento de Itabira já é fato histórico. Quem sabe agora, com o fim do minério se aproximando, o prefeito Ronaldo Magalhães (PTB) decida destinar mais recursos do royalty do minério para o desenvolvimento da cultura e do turismo.

É o que reivindica, com justificada razão, o presidente do Conselho Municipal de Política Cultural, Marcelino de Castro. Só assim o itabirano deixará de cismar com a derrota incomparável.

 

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