Morre, em Belo Horizonte, o professor Ângelo Machado, um dos primeiros ambientalista mineiro

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Médico, escritor, dramaturgo e ambientalista, morre nessa segunda-feira (6), em Belo Horizonte, aos 85 anos, o professor Ângelo Barbosa Monteiro Machado (1934-2020), fundador do Laboratório de Neurologia do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais. Juntamente com a sua mulher Conceição Ribeiro da Silva Machado (1936-2007), ele fundou também o Centro de Microscopia Eletrônica, do mesmo instituto.

Professor Ângelo Machado, médico, escritor e ambientalista (Fotos: álbum de família)

O professor Machado esteve várias vezes em Itabira. Em uma de suas palestras, no Centro Cultural, no final da década de 1980, ele fez críticas aos livros didáticos destinados ao público infantil que, segundo ele, contém (continham?) crassos erros sobre o meio ambiente – e que reforçam estereótipos e exaltam o antropocentrismo.

Em um desses livros, por ele apresentado, um capítulo específico aborda os animais silvestres e a sua importância para a alimentação humana – e não era destinado às crianças chinesas, mas brasileiras.

“O caxinguelê é muito útil ao ser humano. A sua carne é deliciosa e a sua cauda serve para fazer pincel de barbear”, ele leu o que estava no livro. “Ora, o caxinguelê, que é o nosso esquilo, mede 17 centímetros e pesa menos de 200 gramas”, criticou.

Humordaz

Sempre com o bom humor que o caracterizava, o professor como passatempo se dedicou também a pesquisar os insetos. E escreveu livros para o público infantil tendo a biologia como temática, o que lhe rendeu o Prêmio Jabuti, em 1993, na categoria literatura infantil.

É autor também do hilário Manual de Sobrevivência em festas e recepções com bufê escasso, que virou peça de teatro, com o ator Carlos Nunes.

Intransigente defensor do meio ambiente, Ângelo Machado foi pioneiro na área, sempre sintonizado com as questões de seu tempo. Em Itabira, ele foi irônico assim que enxergou as minas da Vale, que havia acabado de desmatar a Serra do Esmeril, em meados da década de 1980.

“Não parece com uma paisagem lunar”, disse ele, rebatendo comentário de um itabirano. “Parece com Itabira mesmo, a maior mina a céu aberto do mundo que a Vale cavocou para mandar pro Japão.”

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