Moro e Temer se ‘divertem’ agora. Mas a democracia é maior que eles

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Marcelo Procopio

No Brasil de hoje, aliás, de já há muito tempo, desde o golpe militar/civil, excetuando os primeiros anos dos sec. 21, escreve-se justiça com ‘j’ minúsculo e Injustiça com “I” em caixa alta. Exemplos não faltam e nesta segunda semana de julho temos dois exemplares dos absurdos.

Num dia (11 do 7) o Senado aprova o fim dos direitos contidos na CLT com a reforma trabalhista. No dia 12, um juiz partidário, de direita, seletivo e tantos outros valores que não cabem na atuação de um juiz, condena sem provas o presidente Lula.

E ainda por cima goza da cara do povo ao escrever, em sua sentença, sua maior bandeira (com aspas e sem), que não lhe trazia nenhuma satisfação emitir tal julgamento. O que significa exatamente o contrário do escrito.

Para quem acompanha o processo da Lava Jato com alguma atenção, sabe bem das intenções ideológicas de Sergio Moro.

Não é apenas de ser o herói do combate à corrupção, mas de, principalmente, confirmar os desejos das elites econômicas e políticas brasileiras, que historicamente jamais admitiram governos mais progressistas, muito menos mais à esquerda, que tivessem em seus programas objetivos de reduzir a distância entre a miséria e a micro-minoria mais rica.

Getúlio Vargas, até JK, João Goulart, Lula e Dilma são os exemplos, talvez únicos na história do Brasil. Todos foram levados ao caminho da proscrição. Pelo menos como tentativa da direita: o grande capital, o dinheiro internacional anticomunista e afins, a grande imprensa sempre ao lado do poder estabelecido à direita e reacionária. Por aí.

Moro satisfez de uma só vez à chamada classe dominante, a ele próprio, a chamada maioria silenciosa que abriu o bico do pato nos últimos tempos e comemorou a confirmação de que vivemos mesmo num estado de exceção. Não se pode mais chamar o Brasil de um país democrático.

Basta ver que Lula foi condenado em 1ª Instância numa sentença vergonhosa. Dos 962 parágrafos da sentença, Moro dedica apenas cinco aos argumentos da defesa de Lula. No mais faz considerações baseando-se em maior parte nos delatores, premiados com a volta pra casa com tornozeleiras. E não por muito tempo. Veremos.

E como é sabido, as delações não continham provas – e não se condena ninguém sem prova. Se houvesse Justiça. Continham aquilo que a Lava Jato queria ouvir dos corruptos presos que se tornaram colaboradores: acusar Lula e outros de crimes inexistentes.

Ainda tem muito a ocorrer daqui pra frente. Inclusive em relação a Temer. Temer é representante do pior lado do PMDB, o partido que vai aonde o poder está. Temer tem muito a responder em seu histórico criminoso.

Já faz tempo, desde o início de sua carreira, que ele está envolvido em bandidagem. Se confessasse um terço seria decapitado na França do sec. 19.

Um exemplo só e sem detalhes para não alongar (e sem citar os atuais): durante o governo FHC esteve à frente da reforma e privatização do Porto de Santos. Um dos grandes escândalos financeiros dos últimos 30 anos. Muita corrupção. Muita propina sob o comando de Temer.

E se se fala em Fernando, é preciso de um parágrafo mínimo que seja, ao PSDB. Basta lembrar das safadezas de Aécio Neves, José Serra. De tantos que com tantas provas que a justiça em todas instâncias, inclusive no STF, veem covardemente deixando pra um depois que pode ser nunca.

Mais uma vez constata-se: a justiça brasileira só considera fina a direita e investiga e pune – culpada ou não – a esquerda. A maioria dos agentes da justiça brasileira, os juízes, os juízes, são ideologicamente o quê, então?

Até quando dura essa farsa que prevalece sobre a democracia há tanto tempo?

Mídias eletrônicas, as novas contrainformações

Em artigo nesta quinta, 13 do 7, no GGN, o jornalista Luís Nassif indaga: “Até que ponto, na era da informação, uma decisão ilegítima tem condições políticas de se perpetuar?”

O título do artigo é “Sérgio Moro, perdeu, playboy!”

Foram as mídias sociais que mudaram os rumos dessa prosa mole, antes apenas lida, vista e ouvida nas mídias tradicionais.

O que estava na tv e nos jornais era em grande parte pós-verdade (neologismo classificado pela Universidade de Oxford como palavra do ano de 2016: significa que as‘circunstâncias nas quais fatos objetivos têm menos importância do que crenças pessoais’), ou as mentiras absolutas mesmo.

Mas desde que as mídias sociais tornaram-se uma força tanto ou maior que as tradicionais, que sites, blogs, pessoas, os independentes, desmontam e demonstram o outro lado de determinadas notícias ou fatos.

Isto se espalha mais que busca-pé, porque busca informar cabeças críticas. E aí, quando pessoas (me reporto de novo a Nassif) de renomes, artistas, cantores etc, confirmam as análises das mídias sociais progressistas, independentes ou “sujas”, como repetia a velha mídia, as informações se contorces e retornam à sua própria realidade.

Isto mobiliza as categorias mais criticas e mais fortes para organizar movimentos, discussões, reflexões. Povo: trabalhador, estudante

É o que se espera agora. Depois das traulitadas que o desgoverno Temer com suas reformas (PEC do Fim do Mundo, Trabalhista e a seguir a previdenciária) e a justiça deu na democracia.

É preciso resgatar a democracia. É preciso ir para as ruas.
É preciso criar um sentimento no brasileiro de que ele é quem faz o país.

É preciso que se retome as políticas sociais de divisão de renda e de bem-estar social para todos, toda a população brasileira.

É assim que se faz uma Nação.

 

(No destaque, Lula no 32º aniversário da CUT-MG. Foto: Lidyane Ponciano)

 

 

 

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