Minério de Itabira melhora qualidade com investimentos

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Depois de investir R$ 7 bilhões na construção de uma nova usina de concentração de itabirito compacto na mina Conceição, além de adequar a antiga e também a usina Cauê, a Vale não só transforma em reserva o que antes era recurso a ser explorado, como retorna com a alta qualidade do minério de Itabira.

“Hoje só trabalhamos com minério premium, um sinter-feed standard e um pellet-feed também de ótima qualidade”, assegura Fernando Carneiro, gerente da Vale em Itabira. Conforme ele explica, o sinter-feed é um produto obtido da hematita, enquanto o pellet-feed obtém-se dos itabiritos friáveis e compacto.

“Sem as novas usinas, e com o minério empobrecendo, obtendo um teor abaixo de 62%, fatalmente perderíamos mercado. E se conseguíssemos vender, teríamos uma depreciação muito acentuada no preço.”

Fernando Carneiro aponta no painel a localização da usina Cauê (Foto: Carlos Cruz)

A nova usina de Conceição só produz pellet-feed, com capacidade anual de 12 milhões de toneladas – e já opera a plena carga. A antiga usina, depois de passar por adequações, tem capacidade de produzir 19 milhões de toneladas. Está com produção próxima da capacidade nominal.

Cauê, em fase final de adequação, até agosto deste ano deve atingir a sua capacidade máxima. É quando a produção do complexo de Itabira pode chegar próximo da marca de 50 milhões de toneladas anuais, com 70% de pellet-feed e o restante de sinter-feed.

Depois de concentrado nas usinas, o minério salta de 40% de teor de ferro na mina para até 67,5% ao sair das usinas. “Nada mal para um complexo que completa 75 anos em junho”, assinala o gerente da Vale. “Com as novas usinas, voltamos a dispor de um minério de alta qualidade, como era no passado.”

Carneiro reconhece que a introdução de 18 enormes moinhos para triturar o itabirito compacto antes de entrar na usina para concentração, seis em cada usina, aumentou o custo de produção. Isso pelo maior consumo de energia, assim como em decorrência de um desgaste mais acentuado de equipamentos. “O custo operacional mais alto é compensado com os prêmios e os bônus que o minério de qualidade excepcional, como o que temos em Itabira, obtém no mercado.”

Segundo o gerente da Vale, a meta da empresa é reduzir gastos para obter, em todas as suas unidades, um custo máximo de produção do minério posto na China na casa de US$ 25 a tonelada. “Já estivemos com o custo de nosso minério próximo de Carajás. É uma competição sadia que temos”, considera Fernando Carneiro, satisfeito com os resultados obtidos nas novas usinas de Itabira.

Dragas recuperam minério no Pontal e Rio de Peixe

Como parte do projeto Itabiritos, duas dragas estão operando na recuperação de minério nas barragens de rejeito do Pontal, na Grota do Minervino, e no rio de Peixe. Os produtos, com teor de ferro em torno de 40%, próximo do que é encontrado nos itabiritos, entram para o processo de concentração nas usinas Conceição e Cauê.  A projeção é dragar 2 milhões de toneladas anuais do rejeito dessas barragens.

“Essas dragas são equipamentos do bem”, considera Fernando Carneiro. “Estamos melhorando a qualidade ambiental nas barragens, reaproveitando um material que antes era considerado rejeito. Com isso, abrimos espaço para um novo reservatório de água.”

Perguntado se a empresa irá retirar o ouro supostamente encontrado em meio ao rejeito da Grota do Minervino, Carneiro respondeu que negativamente. “Não temos mais a planta de processamento de ouro, encontrado no passado junto com o itabirito friável. Já no itabirito compacto não há ocorrência”, assegura. “Se houver resquício de ouro no Minervino, não é mais recuperável.”

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  6. Como pode a Vale extrair o minério do Pontal e Rio de Peixe sendo que ela não tem o titulo minerário para esta extração? Segundo o entendimento do DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral), esta área de servidão pode ser utilizada para depositar rejeito. Para ocorrer uma extração com fins econômicos é necessário a posse do título minerário.

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