Ato público lembra as vítimas do rompimento de barragem da Vale em Brumadinho

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Com duras palavras de ordem contra a Vale, chamada de assassina, um pequeno grupo de lideranças (sindicais, comunitárias e políticas) realizou ato público com passeata nesta tarde de segunda-feira (25), saindo da estação rodoviária e seguindo até a praça Acrísio de Alvarenga. O ato público foi convocado pelo Sindicato Metabase de Itabira, que congrega os trabalhadores da mineradora.

Manifestação lembrou os 30 dias do rompimento de barragem em Brumadinho e cobrou mais transparência da Vale em Itabira (Fotos: Carlos Cruz)

A manifestação lembrou os 30 dias do rompimento da barragem 1 da mina de Córrego do Feijão, que ocasionou mais de 300 mortes, deixando um rastro de destruição na bacia do rio Paraopeba, em Brumadinho.

Para o vice-presidente do Sindicato Metabase, Carlos “Cacá” Estevam Barroso, é preciso organizar a sociedade para fazer frente ao que chama de desmandos da Vale. “Quem manda no país é o dinheiro, é o patrão que não tem coração”, disse ele, na abertura da manifestação.

“A vida do trabalhador não tem preço. Precisamos dar um basta à ganância que está dominando a nossa sociedade”, discursou, pedindo a reestatização da Vale. “Privatizada, ela está matando os seus trabalhadores”, protestou.

Futuro duvidoso

O presidente do sindicato, André Viana Madeira, ressaltou que a luta em Itabira não deve ser apenas pela segurança das barragens. “Precisamos encontrar uma solução para o futuro de Itabira sem a mineração. As nossas barragens são bem maiores que as de Brumadinho e ameaçam 5,2 mil famílias na área de risco, totalizando cerca de 14 mil pessoas.”

Segundo ele ressaltou, o minério de Itabira está para exaurir em 2028 – e o município corre o risco de ficar com as enormes barragens sobre a cidade e sem empregos.  “Que as barragens de Itabira sejam auditadas por engenheiros independentes que atestem a sua segurança. Só a palavra da Vale não é o bastante para que os moradores de Itabira possam dormir tranquilos.”

Ele defendeu que haja uma mudança geral na postura da mineradora, para que se tenha uma produção de minério responsável no país, respeitando o trabalhador e o meio ambiente. “Não podemos deixar acontecer em Itabira o que ocorreu em Mariana e em Brumadinho. Não foi acidente, foi crime”, classificou o sindicalista.

Mobilização 

Tunai Guimarães, do Comitê Popular em Defesa das Comunidades Frente à Mineração cobrou posicionamento mais firme das autoridades municipais

A coordenadora da Pastoral Carcerária, Selma Damasceno, lembrou-se das cerca de 500 pessoas presas na Penitenciária de Itabira.

“Com um possível rompimento de Itabiruçu eles serão atingidos”, disse ela, mostrando-se preocupada com a proteção dessas pessoas. “Não é porque a lama da Vale não matou ninguém de nossa família que devemos nos calar”, acentuou.

A professora Tuani Guimaraes, participante do Comitê Popular em Defesa da Comunidade Itabirana frente aos Problemas da Mineração, criado após o rompimento da barragem em Brumadinho, salientou que os movimentos sociais devem também cobrar uma posicionamento mais firme das autoridades municipais.

“O poder público não pode ser enganado pela Vale. Que a empresa assuma os seus compromissos publicamente e não individualmente com os moradores. Em Itabira, somos todos atingidos por essa atividade predatória de mineração.”

Vale começa visita a moradores residentes nas regiões de impacto ainda nesta semana

Segundo divulgou a Vale na reunião da Câmara de terça-feira (19), a partir do dia 27 deste mês, moradores e comerciantes itabiranos estabelecidos na chamada Zona de Autossalvamento (ZAS), dos Planos de Ação de Emergência de Barragens de Mineração (PAEBM) da Vale, em Itabira, começam a receber visitas de uma equipe de aproximadamente 100 pessoas.

Essa equipe terá a incumbência de esclarecer sobre o que fazer em caso de rompimento de uma das 15 barragens da Vale existentes na cidade. Segundo a mineradora, a medida é preventiva, pois todas as barragens se encontram em situação segura, sem risco de rompimento.

A finalidade das visitas é orientar a população sobre quais ações devem ser tomadas em caso de emergência, como evacuação de área pelas rotas de fuga – e quais são os pontos de encontro para aonde as pessoas devem se dirigir.

A previsão é de que todos os domicílios serão visitados em dois meses. Além do atendimento domiciliar, em cada domicílio será entregue um mapa da região, onde constará a rota de fuga. Os moradores ficarão sabendo também onde será o local de encontro, caso ocorra o rompimento de uma das barragens.

Será dado conhecimento, ainda, dos telefones de contato da Vale e da Defesa Civil. O som da sirene de alerta enfim será também conhecido dos moradores. Esse som difere do que é emitido pelo Corpo de Bombeiros, polícia e pelas ambulâncias.

No total, serão instaladas 93 placas sinalizando os pontos de encontro no município. Ainda neste ano, a Defesa Civil, com apoio da Vale, realizará treinamentos simulados de emergência com a população.

Contatos importantes

A Vale disponibiliza os seguintes contados para esclarecimentos e informações adicionais:

– 0800 039 6010, atendimento de segunda a sexta-feira, nos horários de 8h às 11h30 e das 12h30 às 16h.

E-mail: duvidas.barragens.itabira@vale.com

 

 

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