Mesmo com a disposição de rejeitos, aquíferos Cauê e Piracicaba devem ser protegidos como patrimônios de Itabira e da região

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A disposição de rejeitos (que inclui o manganês) nas cavas exauridas das Minas do Meio (Periquito e Onça) foi a opção encontrada pela mineradora Vale, para, segundo ela, dar continuidade às operações no complexo Conceição, após a interdição da barragem Itabiruçu, no ano passado.

Essa mesma alternativa já havia sido adotada no início deste século com a disposição de material estéril – e também de rejeitos – na imensa cava da mina Cauê, a primeira exaurida na cidade.

A água desse aquífero também será monitorada e terá de ser protegida pela mineradora, de acordo com o TAC firmado com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), em 25 de maio deste ano, assim como o existente abaixo das Minas do Meio.

Já a licença ambiental para a mineradora fazer o rebaixamento dos aquíferos, que muitos erroneamente chamam de lençol freático, foi aprovada em março de 2002.

Na ocasião, a empresa assegurou que a medida não afetaria o abastecimento futuro na cidade por meio desses aquíferos. Disse ainda que esses imensos reservatórios de água seriam o grande legado da mineração para o município, após exauridas as suas minas.

De acordo com o então hidrogeólogo da Vale Agostinho Sobreiro, antes de ser feito o rebaixamento, os aquíferos Cauê e Piracicaba dispunham de 338,8 milhões de metros cúbicos de água.

E que até 2016, data prevista no início deste século para a exaustão das Minas do Meio, “seriam bombeados 37,2 milhões de metros cúbicos, correspondentes a 11% das reservas iniciais existentes nos reservatórios subterrâneos do distrito ferrífero.” Leia também aqui e aqui.

Ainda segundo o hidrogeólogo, por ser um recurso natural renovável, o nível desses aquíferos seria rapidamente recuperado após a paralisação do bombeamento nas cavas. Esse foi um dos argumentos apresentados quando teve início o rebaixamento do nível desses aquíferos.

Medidas mitigadoras

Disposição de rejeitos nas cavas exauridas das Minas do Meio: ameaça de contaminação das águas subterrâneas (Fotos: Carlos Cruz)

No TAC dos aquíferos está incluído, ainda, o acompanhamento de toda a operação, monitoramento e as medidas mitigadoras que devem ser adotadas juntamente com a disposição de rejeitos nas cavas.

Inclui também o acompanhamento da destinação futura de rejeitos em pilhas a seco, à semelhança do que já ocorre com o material estéril retirado das minas para dar início ao processo minerário.

A mudança na disposição de rejeitos já está sendo avaliada pela mineradora, assim como outras formas alternativas às barragens, que é para dar destinação final a esse material que não é aproveitado pela mineração.

Qualidade

Lâmina d’água nas Minas do Meio: aquíferos são imensos reservatórios d’água, patrimônios públicos, de Itabira e da região

Para o monitoramento da qualidade da água será feito, inicialmente, o chamado estudo do background físico-químico atual dos aquíferos. A medida visa saber como está a qualidade da água antes dessa intervenção, com a disposição de rejeitos.

Com o monitoramento, será avaliada qual é a contribuição das rochas, nas quais a água está armazenada, na quantidade de manganês que é encontrado junto com o minério de ferro.

E também como se dará, e em que proporção, a contaminação com a disposição de rejeitos, entre os quais se encontra o manganês, já em escala mais concentrada.

Medidas mitigadoras terão de ser empregadas para não comprometer o padrão de qualidade dessas águas, que até então são consideradas de classe especial.

Aquíferos são grandes caixas d’água que abastecem os cursos d’água a jusante – e que seguem para o rio de Peixe, afluente do Piracicaba, por uma vertente, e por outra, pelo rio Jirau, que segue para o Tanque até desaguar no rio Santo Antônio. São todos afluentes do rio Doce.

Parâmetros preliminares

Desde o início deste século a cava exaurida do Cauê recebe material estéril das minas e também rejeitos: monitoramento necessário

Antes da disposição de rejeitos nas cavas exauridas, a promessa era de que elas iriam ser transformadas em lagos, para servir como área de recarga dos aquíferos – e também para o abastecimento público na cidade. “Ao invés de se ter essa disposição, a informação é de que essa opção mudou com a disposição de rejeitos”, afirma a promotora Giuliana Fonoff.

Segundo ela, as investigações com o monitoramento das águas dos aquíferos e superficiais ainda estão no início. Torna-se assim imprescindível estabelecer parâmetros preliminares, a partir das condições anteriores à disposição de rejeitos. Isso é fundamental para que medidas mitigadoras sejam tomadas para não comprometer ainda mais as águas dos aquíferos e dos demais cursos d’água na região.

O que se espera é manter a integridade física dos aquíferos e a qualidade de classe especial de suas águas. E que, após findar a disposição “provisória” de rejeitos nas cavas exauridas, que se tornem de fato “legados” da mineração para o desenvolvimento sustentável de Itabira, mesmo com a Vale viabilizando a transposição de água do rio Tanque. Leia aqui e aqui.

O TAC prevê também o acompanhamento da disposição de rejeitos e material estéril na borda acima da cava exaurida do Cauê. “Não temos prazo para concluir o monitoramento. O TAC tem validade enquanto a empresa fizer a disposição de material nas cavas exauridas e mesmo depois, que é para verificar se não ocorreram contaminações”, assegura a promotora Giuliana Fonoff.

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