Mercosul está trancado por causa do senhor Bolsonaro

WhatsApp Pinterest LinkedIn +
Veladimir Romano*

A União Europeia decidiu suspender o Acordo Mercosul por causa dos múltiplos absurdos e avarias políticas, avanços e atrasos do governo e do próprio presidente Jair Messias Bolsonaro. Acordo que levou 20 anos de construção, em poucos meses se vê relegado ao fundo da gaveta.

A Comissão Europeia avisou que tal suspensão terá tempo indefinido, prejudicando assim milhares de agricultores durante anos exportando seus produtos, empresários investindo, pequenas, médias e grandes empresas que todos os dias de ano a ano contam com mais uma lufada de boa produção financeira ajudando milhares de trabalhadores.

Tudo isso sem contar as famílias que compõem um mercado de 400 milhões de consumidores – e que criaram hábitos de consumir produtos de qualidade vindo dos países membros do Mercosul.

Em apenas um ano, verdadeiro drama estão vivendo estas nações componentes do Mercosul onde, inclusive,  a qualquer instante empreendedores podiam viajar dispensando burocracias, tempo, vistos e moeda.

Impossível acreditar que qualquer experimento de ordem democrática dando oportunidade a quem se candidata, ganhando cargo máximo da nação, depois de quantas promessas, apenas chegou para, isso sim, estabelecer miséria, confusão, mais desigualdade e dando péssima imagem do país que lidera.

Alemanha, Noruega, Bélgica e Holanda pedem ao Brasil, e ao governo bolsonarista, que este devolva mais de US$ 40 milhões em dádivas para proteção da grande selva amazônica, onde várias ONGs em parcerias com brasileiras e peruanas, procuram manter alguma racionalidade na exploração das riquezas e bens florestais [a verba, abusivamente ficou retida pelo ministério do Meio Ambiente].

Valores, manutenção comercial, motivação acrescida, transformações positivas, novos padrões e avanços projetaram economias com intuito social com transparente desenvolvimento que a presidência brasileira denuncia como “secreção venenosa”.

Acusam os “esquerdistas infiltrados no Mercosul”, acusações sem fundamento. E com um linguajar já conhecido, manifesta antes de tudo forte primitivismo político e abuso de poder numa falsa elevação moralista.

Com programas integrados para exportação, o PIB nominal do empreendimento dos países envolvidos, que se dividem em dois grupos: “os Principais” como Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela.

Depois chegaram “os Associados”, entre eles estão Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Peru e Suriname. Com esses programas foram ultrapassados de US$ 3 trilhões, ficando, sem favor, na quinta posição na economia mundial

Fazendo balanço inicial envolvendo várias ideias, se elevaram mais expectativas, projetos e construção a uma comunidade econômica de componentes afinados e em disciplina básica onde a produção e eficácia têm sido modelos bem elaborados para o desenvolvimento.

Demonstram aprimoramento, qualidade de vida, embora, infelizmente, nem sempre acompanhada por políticas internas e convergentes das nações Mercosul como está agora acontecendo com Jair M. Bolsonaro e suas opções administrativas.

Logo após 1991, início do Acordo, até 2013, crescendo com incentivo financeiro gerado, nações do Mercosul saltaram de ganhos na ordem de € 4,5 bilhões para € 59,4 bilhões, sendo que 87% das exportações da indústria brasileira foram favorecidas. Em 2011, renderam aos cofres de Brasília US$ 47,228 bilhões, segundo números do Eurostat.

Será que o histórico do sucesso comercial do Mercosul não explica nada aos senhores do poder político brasileiro? É reconhecido que não faltam críticas ao Acordo agora que vai cumprindo30 anos de existência, precisando de reformas e avançar mais maduramente, principalmente no mundo vivendo a pandemia.

São necessários retoques e reformas, mas não de recados do presidente brasileiro acusando todo o mundo de “comunistas”, “esquerdistas”, “socialistas”, entre outros impropérios pouco dignificantes de quem comanda uma nação da relevância do Brasil.

Outros exemplos: em produtos manufaturados, o Brasil exportou em 2014, mais de € 20 bilhões de euros, fora os outros países deste bloco latino-americano.

Nos governos liderados pela gestão do então presidente Inácio Lula da Silva e continuando com a presidenta Dilma Rousseff, o acordo favoreceu o Brasil em mais de 79%.

As notícias que chegam aqui não são positivas e prejudicam a nação de Tiradentes, devido à essa postura segregacionista adotada pelo governo brasileiro.

Senão, vejamos: Alemanha cortou um total de € 155 milhões para apoios na Amazônia.  Noruega manda cortar também € 80 milhões em apoios ao fim ambiental.

Nem a Venezuela tão sancionada, sofrendo golpes paramilitares, perseguição política, boicotes e chantagem internacional. Tudo isso atrapalha o referido acordo do Mercosul.

Sem muita discussão, existe no horizonte um proveitoso e livre comércio que corre riscos, a ponto de prejudicar as produções brasileiras de soja, carne, fruta, aeronaves, indústria e possivelmente até o turismo que já anda sofrendo agruras.

Da Europa, a imagem da política brasileira nunca viveu instante tão ruim, nem mesmo nos piores dias das ditaduras. Hoje, condenando tudo e todos, criando fantasmas e aplicando uma segunda agenda [escondida durante a campanha eleitoral], Jair Bolsonaro, o que se observa é um político obcecado pelo militarismo, que até mais parece com o messias duma desgraça anunciada.

A contribuição do Brasil ao Mercosul é muito importante. Mas sofre retrocesso, mesmo sabendo das fortes demandas e necessidades comerciais em ambos os lados do Atlântico.

A Europa espera por novos e positivos sinais para que o Acordo Mercosul não vire pedaço de papel desvalorizado por causa dos caprichos de um dito cujo que um dia se viu com poder em demasia.

*Veladimir Romano é jornalista e escritor luso-cabo-verdiano.

 

Compartilhe.

Sobre o Autor

1 comentário

  1. Mauro Andrade Moura on

    Ainda bem que a Comunidade Europeia está tomando algum tipo de medida contra esse esbilro que diz ou tenta comandar o Brasil.

Deixe um comentário