Memórias de uma velha hippie

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Igor Guerra*

Ilustração: Fausto Rodrigues

João queria jogar bola e fazer um som. Apesar disso, o teste vocacional definiu que o melhor para ele seria Administração de Empresas. O psicólogo, profissionalmente reforçou a escolha junto à família do garoto.

Na universidade, mediram o quanto ele poderia reproduzir técnicas e, com isso, encher a barriga da ciência com pesquisas estabelecidas por grandes financiadores. A ciência enchendo a barriga da economia.

Depois de levar a sério a universidade, João foi trabalhar numa dessas JotaBêeSses, administrando uma grande distribuidora de produtos. Sempre cumprindo os horários e atingindo as metas da empresa. Sendo responsável, jamais colocou o prazer antes do dever. Conforme o ensinaram.
Na empresa, o chefe sério e profissional segue-lhe dando mais horas e metas a serem cumpridas.

O futebol e o som ficaram lá atrás. As partidas de seu time e a banda inspiradora de quando os sonhos ainda eram meninos se transformaram em memória.

Uma velha memória, que carrega saudades daquele sonho menino.

João tem sido profissionalmente administrado por horas e testes. E a velha se revolta:
“ viver apenas para o  trabalho e o consumismo é a desmemória da vida”

Foi o que me contou a hippie da Lagoa, sobre a atual “educação” burguesa.

 

*Igor Guerra é cronista e estudante de agronomia

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