Mas, você pediu uma guerra nuclear?

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Veladimir Romano*

Degrau a degrau vai subindo o tom cada vez mais, mas ninguém se escuta e dá conta da realidade da situação. Até ontem, cores do arco-íris mostravam diversidade, elegância, sedução, ideias como inspiração constante. No entanto, hoje, não sabemos se nas terras do sol nascente, esse mesmo símbolo colorido não terá dado lugar a dias e noites cinzentas com nuvens atacadas pelo ambiente venenoso dos resíduos nucleares.

A vertente animalizada sempre resistente aconchegada nos confins da pobreza espiritual dos homens, novamente se arrasta repulsiva, ansiosa, vergada na sua vontade com tudo acabar. Esta persistência suicida arrastando gerações faz tempo de sobra, vivendo sempre na flor das discussões políticas quando líderes vão odiando tudo e todos assimilando menores consensos ainda que sejam inimigos julgados pela separação geográfica.

Certo que, caso Índia e Paquistão não fossem clientes do potencial nuclear, muito sangue já teria derramado na fronteira do Estado de Caxemira, desejoso de integrar o Islamismo do vizinho urdu. Israel já teria sido dizimado pelos árabes. No entanto, por muitas razões, nada justifica tanta ameaça, tensão e brutal investimento financeiro alimentando sistemas indesejados, poderosamente aniquiladores da vida humana e destruição do planeta.

Testes com mísseis com ogivas nucleares: ameaça real ou blefe, não vale esperar para ver (Foto: AFP)

Cargas nucleares podem ser usadas por aviões especialmente desenhados ao efeito ou via lançamento de mísseis balísticos; custando estes armamentos vergonhosas toneladas do dinheiro, verbas que tanta falta faz noutros investimentos bem mais sérios, necessários, sistematicamente desprezados. Ogivas não faltam e ficam armazenadas na ordem de dezenas de milhares.

Dos casos mais flagrantes e um dos casos onde falha estatuto moralista, é o dos norte-americanos, campeões da grande orgia nuclear com reservas de primeiro plano em quantidade apreciável. Numa década gastaram 250 bilhões de dólares, criando mais de três mil armas de origem nuclear.

Outro substancial esforço é a quantidade de bombas de comum acordo, reservadas nos territórios da Turquia, Alemanha, Itália, Holanda e Bélgica; a coberto da Otan/Nato, onde responsáveis norte-americanos asseguram arsenal de risco nuclear. Poucos se lembram, incluindo movimentos, organizações ambientalistas e dos direitos pela paz, mas é realidade conhecida, contudo, pouco ou nada discutida.

Ainda desenvolvendo apreciações, criando obstáculos, movimentando leis como estudos sobre o efeito de qualquer conflito aberto entre inimigos, a ONU, jamais conseguiu sensibilizar as dez maiores nações de topo nuclear, convencendo seus responsáveis pela liquidação total de armas altamente demolidoras.

Quem mais ameaça a paz mundial: King Jong Un ou Donald Trump? Ou os dois? (Foto: Wong Maye -E/AP Photo)

Ao que parece, ninguém terá aprendido com guerras anteriores, mantendo algumas na experiência como os japoneses. Anualmente, em particular no palco europeu, várias nações se sucedem nas comemorações do amplo desastre que foi a Segunda Grande Guerra. Hoje, na Ásia, ameaças a uma escalada nuclear inicia novo processo; bem, afinal, não anda longe nova selvática realidade.

Servirá para alguma causa tantas ameaças do jeito entroncado com a qual responsáveis pela governação se apresentam repletos de infrutíferas razões? Vão reafirmando ameaças como mantendo em alerta infinito número de militares quando todos nós já sabemos como começa uma guerra; porém, ninguém sabe como acaba… Caso seja nuclear, muito menos; pois que a verdade nuclear não vive com ninguém.

Então: mas, você pediu uma guerra nuclear? Para quê? Ver o efeito? Dar grana para empresários belicistas? Serviço elitista? Salvar ideologia? Manifestar supremacia? Manipular ódios entre povos e castigar a natureza ou castigo divino do Deus-homem obcecado com seu poder dominante? Vaia lista mentirosa quanto perturbadora fixa nos fundos mais escuros da alma inconsciente.

Certos líderes se acham com poderes secretos, já não escondem um mundo dentro das suas maneiras mais suicidas mediante recursos a expedientes, ludibriando a originalidade das coisas. Chamamos de “falsos profetas”, contribuindo com autoridade fraudulenta querendo impor soberania ilusionista. Sem noção de ordem ou clarividência, serão capazes de encher o mundo de substâncias químicas mortais do que desenvolver confissões limpas destinadas ao amor pela paz de todos e bem-estar humano, seja onde for.

A grande censura não poderá ser manifesto para depois do acontecido, mas agora no atual instante quando forças derrotistas e ameaçadoras procuram criar maior instabilidade, indubitável ansiedade, diferentes domínios quase paranormais dentro do extra-empírico, podendo transformar o absurdo em realidade sofrida.

Como igualmente não vamos esperar colocar na fila de espera para consultar a mais famosa cartomante e adivinhar desfechos de uma guerra que maioria não aceita. Bom, outros tantos não entendem e nas mãos da minoria estamos vendo nosso planeta se enchendo de cadáveres, retirando o azul para colocar tons cinzentos demasiadamente escuros… Por onde andará providência divinatória é coisa breve e a Humanidade precisa de fiscalização a longo prazo.

Bem mais bonito será apreciar novamente o arco-íris das terras do sol nascente, enquanto o restante do planeta espera que chegue sua oportunidade: a paz sempre foi melhor que a guerra. Resta descobrir no século presente se acaso homens do comando terão maior sapiência e sensatez em relação aos do passado.

* Veladimir Romano é jornalista e escritor luso-caboverdiano

 

 

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