Marina não é poetiza – Edição III

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Altamir Barros

Marina não é morena, é uma mineira itabirana, branca como uma europeia. Há muito que Marina Procópio de Oliveira sumiu, foi trabalhar no judiciário nesses tribunais da vida, é bom dizer que ela é concursada. Na certa levou e leva toda sua simpatia, beleza, espontaneidade, um pouco de bravura também, para o seu trabalho de sobrevivência. Fico aqui pensando a sorte de alguns que trabalham em sua repartição, próximo a ela.

Marina Procópio, poeta itabirana

Ficamos alguns anos distantes, depois nos aproximamos novamente, de repente, ela sumiu. Uma vez trombamos, quase fomos atropelados por um táxi. Um fato tão inusitado que nem acreditamos que tivesse ocorrido.

Ela, sempre linda. O tempo para ela insiste em não passar. Deve ser mestre em alguma arte oriental pela eternidade do corpo. Atualmente, voltamos a nos encontrar, em imagens de todo tipo. Ela toda bucólica, em fotos, em seu lindo sítio nas redondezas de BH. Tudo isso nas redes sociais.

Marina é politizada, sempre foi. É a favor das eleições diretas, assume o Fora Temer. É o que repete todo dia no café da manhã, uma atitude democrática.

Agora, Marina pra mim é muito mais poeta que poetiza. Enveredou nesses caminhos da sensibilidade poética, literária e gráfica. Seus poemas são leves, se desmancham no ar. E, também, muitas vezes, talvez, por ser mulher, são também cortantes de emoções.

Curti muito a sua poesia. Deslanchei, fui lendo, um, dois, três, de repente, muitos. A cada poema sentia cada vez mais a sua presença pertinho de mim. Seus poemas são coladinhos, cheek to cheek, musicais.

Estão aqui, agora, sendo divulgados pelo jornalista Carlos Cruz, amigo de velhos e eternos tempos, neste site Vila de Utopia. Serão publicados aos poucos, sempre nos fins de semana, em pequenas doses. Vale a pena ler e curtir.

 

A UM CÃO QUE AMEI

 

Em seus olhos rutila, atrevida,

minha inocência perdida.

Tu és tudo que deixei partir.

Resgataste minha alma descartada

e fizeste dela tua morada?

 

Corres,

e recortas o céu azul,

na esperança do urubu.

Mas agora tu tens que ir…

Devolverás minha alma antes de sair?

 

Procuro, mas tudo se encolhe.

Não há palavra que me conforte,

Não há diálogo com a morte.

 

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