Maçonaria e Opus Dei em derrapagem incondicional. Para quê e a quem servem

WhatsApp Pinterest LinkedIn +
Veladimor Romano*

Depois de os responsáveis políticos e da oposição ao governo socialista reclamarem de denúncias e críticas sobre suposta promiscuidade de membros parlamentares e governantes ligados às lojas maçônicas quanto na Opus Dei, novas suspeitas foram debatidas nos cafés de Lisboa, Porto e Coimbra.

Ficou em Portugal a ideia de que membros partidários geralmente se tornam reféns de práticas perniciosas, de jogos de interesses inconfessáveis. Fogem assim da verdadeira alusão pela qual a maçonaria ganhou sua fama e causa.

Nem tanto apreciada, a Opus Dei, depois da Revolução dos Cravos, que criou uma nova realidade democrática em Portugal, seguiu mais discreta. Mas busca garantir melhores cérebros do país,bem colocados tanto no ensino superior, em grandes organizações políticas, públicas, bancárias ou ainda pessoas do grande palco internacional.

Tudo em favor do serviço ao sistema secular da organização religiosa, lutando para manter hegemonias estratégicas nos mais diferentes domínios da sociedade. Entretanto, escândalos não faltam numa agenda mais do que religiosa.

Reconhecida como “servidora de Deus”, “conselheira dos homens”, aplicando fé e orientação religiosa, deixa a política e a economia como tarefa de seus ferventes adequados servidores.

No entanto, ficaram bem identificados com escândalos nas empresas e bancos dominados pelos membros filiados na Opus Dei. São práticas bem organizadas de crimes sem disfarces, a serem resolvidos nos tribunais, mas que ainda não tiveram julgamentos.

Com bastante sucesso na Espanha franquista, depois de 1950, nasceram novas etapas favoráveis em atividades lucrativas para a organização. Calcula-se, segundo denúncia dos arquivos da Polícia de Investigação Federal dos Estados Unidos [F.B.I.], que os ativos da Opus Dei já superava, em 2008, a casa de três bilhões de dólares. Essa fortuna se encontra distribuída igualmente em bens financeiros de prelados importantes pelas ilhas do Caimão, Caicos e Turcos,

Conseguem iludir sistemas legais sobre obrigações financeiras. O ato se mistura com famosas siglas humanistas da instituição servente a Deus quando diz ser ela: «lutamos pelo progresso humano, aproximamos os ricos dos pobres, somos pela ética social, um mundo mais justo…».

Fértil exemplar esta “Tarefa de Deus” [Opus Dei], carregando fortunas em fuga, como afirma o cardeal de Newark [capital da Nova Jérsey com 300 mil habitantes], John Myers, moralmente aceite sem mais explicações aos policiais da Federação.

Ou ainda, como foi denunciado por anônimo desde a arquidiocese da cidade de Detroit [capital do Michigan com área metropolitana de 4 milhões e meio]e desde 2015, por transferências ilegais de fundos da igreja para bancos antilhanos não identificados.

Ainda que muitos segredos permaneçam, numa prática democrática aberta e limpa, buscam saber o que se pretende seguir escondido por organismos públicos, associações cidadãs, entre prédicas morais duns quantos vendilhões ilusionistas.

Nesses casos, transparência é o diamante mais raro que se perde no  lamaçal sucessivo da mais perversa equimose social quando o tanto menos que hoje o mundo precisa, como uma efetiva coletânea de sociedades secretas para defesa e gáudio do quê…?

A democracia precisa manter uma Maçonaria, que defintivamente perdeu sua magia e causa, dividida por quantas lojas sejam necessárias atendendo não mais do que a cartéis? O que elas têm a apresentar para favorecer ou melhorar o processo da justiça social?

Políticos portugueses procuram inspiração no grande debate parlamentar britânico quando ingleses,indignados, manifestaram revolta contra seus colegas, sendo membros inscritos em lojas maçônicas ou na Opus Dei. Trata-se muito mais do que uma derrapagem incondicional.

*Veladimir Romano é jornalista e escritor luso-cabo-verdiano

 

 

 

 

Compartilhe.

Sobre o Autor

2 Comentários

  1. Mauro Andrade Moura on

    O antigo Santo Ofício da Inquisição Católica hoje o conhecemos por “Opus Dei”.
    Exatamente administram o patrimônio tomado dos judeus espanhóis e portugueses quando a inquisição católica vivia em seu fulgor.
    Sabe-se ainda que o Banco Santander, de origem espanhola, administra a maior parte de todo esse patrimônio.
    E o papa aposentado Bento XVI era o responsável maior dessa instituição de caráter obscuro.

Deixe um comentário