Luta antimanicomial e de combate aos maus-tratos à criança é lembrada em Itabira

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Para celebrar o Dia Nacional da Luta Antimanicomial e também de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, equipes de saúde mental, educação e da assistência social, pacientes e jovens, participaram ontem (18/05), na parte da tarde, de um ato público na praça de alimentação do Supermercado Bretas.

Equipes de saúde mental e de ação social celebram a luta antimanicomial e contra a violência infantojuvenil (Fotos: Carlos Cruz)

Conforme recorda o psicólogo Marcelo Amorim, diretor de Saúde Mental, o movimento pelo fim dos hospícios psiquiátricos ganha força no fim da década de 1970, com a vinda ao Brasil de Franco Basaglia (1924/80), psiquiatra italiano. Ele visitou o hospital colônia de Barbacena e ficou horrorizado com o que viu. A visita foi acompanhada pelo jornalista Hiram Firmino e a cobertura jornalística virou livro (Nos porões da loucura), filme e peça de teatro.

Na reportagem, Basaglia compara as condições vividas pelos internos nos hospitais psiquiátricos com as dos prisioneiros nos campos de concentração nazistas, durante a segunda Guerra Mundial. No hospital de Barbacena, mais de 60 mil pessoas perderam a vida.

Situações análogas ao holocausto eram encontradas nos demais hospitais psiquiátricos. Essas instituições serviam de cárcere para os considerados indesejados, não só pacientes com doenças mentais, mas também militantes políticos, homossexuais, mendigos. “As pessoas eram internadas e lá ficavam até morrer”, conta Amorim.

As denúncias colocaram em xeque a política psiquiátrica no país. Em 1987, na I Conferência em Saúde Mental, realizada em Bauru (SP), se concretiza a luta antimanicomial e define que 18 de maio passaria a ser o Dia Nacional Antimanicomial.

Um dos resultados dessa luta foi a criação dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Foram também fechados os grandes manicômios no país, num processo que se chamou de desospitalização do tratamento de portadores de doenças psíquicas.

Em Itabira, no final de 1992 foi inaugurado o primeiro Caps, o quinto aberto em Minas Gerais. “Fomos vanguardistas”, diz Amorim, com justificado orgulho. Antes disso, o paciente que surtava era encaminhado para internação em hospitais psiquiátricos de Belo Horizonte. Hoje, isso já não ocorre mais.

Além do Caps adulto, a cidade conta também com o Caps AD (álcool e droga), além do Capsi (infantojuvenil). “Os Caps pregam que os pacientes sejam atendidos no regime de semi-internação, que é o que chamamos de hospital-dia”, explica o psicólogo. O paciente chega às 8h e volta às 18h para a convivência familiar. “É um tratamento humanizado em que a família tem papel importante.”

Maria das Graças se sente bem frequentando o Caps, onde faz terapia e trabalhos artesanais

Jussara dos Santos é paciente do Caps, onde passa o dia. “Lá eu aprendo a fazer tapetes, pintura no pano e croché. É muito bom, fico mais tranquila e assim passo o tempo divertindo.”

Maria das Graças Silva é outra paciente que aprova a forma humanizada de tratamento. “Converso muito, descanso a cabeça. Eu tinha depressão, hoje estou alegre e feliz”, conta, ao lado de José Geraldo dos Ramos, o Chuchu. “Gosto muito das pessoas no Caps”.

Em média, os Caps de Itabira atendem 1,5 mil pacientes mensalmente. Nos casos mais agudos, o paciente é internado no Hospital Nossa Senhora das Dores, que mantém seis leitos psiquiátricos de curta duração. “O paciente fica internando no máximo 72 horas. Passada a crise, retorna para o Caps e para a convivência familiar.”

Rede de Proteção de crianças e adolescentes

O dia 18 de maio é também para celebrar os avanços obtidos na proteção da criança e do adolescente, vítimas de maus tratos. Késsia Guerra, psicóloga da Secretaria de Ação Social, conta que a exploração sexual infantojuvenil é preocupante em Itabira. “A maioria dos casos ocorre com pessoas que convivem dentro de casa. Com desconhecidos é mais raro, embora também ocorra”, acentua.

Entre as diferentes formas de violência, ela cita os casos em que os pais mantêm relação sexual na frente dos filhos, assim como deixar a criança exposta com roupas íntimas, o toque sensual e a própria violência sexual.

Diferentemente do que se imagina, a violência contra a criança e o adolescente não é exclusividade de famílias em situação de risco social. “Ela (a violência) não discrimina classe social. É muito frequente também na classe com maior poder aquisitivo”, constata.

 

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